Königstein – O último ensaio do Brasil antes da estréia na Copa do Mundo deixou claro que Carlos Alberto Parreira aposta, e muito, nas jogadas de bola parada. Na defesa, teme o bombardeio aéreo do inimigo. No ataque, espera tirar proveito da boa estatura de Adriano, Lúcio, Kaká, Emerson e Juan, com Ronaldo sempre à espreita de um rebote.

Parreira não escondeu a sua preocupação, nem fez mistério. Na despedida da seleção de Königstein, ontem à tarde, o treinador recorreu aos seus homens mais altos para ensaiar tanto a defesa antiaérea quanto o bombardeio pesado no território do inimigo.

?Vi muita gente preocupada em marcar a bola, esquecendo-se de um homem livre dentro da área. Isso não pode acontecer. Cada um da defesa tem de marcar um dos atacantes?, comentou Parreira em relação aos jogos da primeira rodada da Copa.

Poucos jogos, mas o suficiente para observar que o perigo vem do alto. A estratégia do treinador prevê o zagueiro Lúcio marcando o adversário mais alto que for à zona de gol do Brasil. E um paredão com Adriano, Juan, Emerson e até Kaká.

No ataque, com as mesmas peças, Parreira montou uma diagonal com essa ordem: Juan, Emerson, Adriano, Kaká, Ronaldo e Lúcio, no chamado segundo pau. Os cruzamentos ficaram por conta de Zé oberto e Ronaldinho Gaúcho. Os dois devem levantar a bola tendo Adriano ou Lúcio como referência. Ronaldo e, às vezes Kaká, aguardam o rebote da zaga.

Outro ensaio de Parreira, agora sem os zagueiros Lúcio e Juan, foi o arremesso lateral de Roberto Carlos, que usa toda a força dos braços para lançar a bola até Adriano, na primeira trave, e servir de cabeça ao Kaká do outro lado da área.

E, por fim, Parreira orientou cobranças de faltas com Roberto Carlos (distantes da área) e Ronaldinho Gaúcho (mais próximas). O treinador definiu também os batedores de pênaltis sem estabelecer uma ordem de preferência: Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Kaká e Adriano.