Casinha tem longa história no Tricolor, mas torcida está na bronca. Foto: Albari Rosa
Casinha tem longa história no Tricolor, mas torcida está na bronca. Foto: Albari Rosa

Figura conhecida e emblemática na história do Paraná Clube, o atual presidente do Conselho Deliberativo, Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, foi alvo de revolta na reunião extraordinária da noite de terça-feira (26), na sede social da Kennedy. O dirigente teve um pedido de renúncia solicitado e discutiu com torcedores.

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No encontro, após explanações sobre o balanço financeiro e situação jurídica da Kennedy, os ânimos se exaltaram. Casinha, pouco antes do clima esquentar, teria sido ‘abusado‘, conforme relatos de quem estava presente. “Eu fico aqui até eu achar que devo sair. Quando sentir que não tenho mais utilidade, eu peço para me desligar do clube”, declarou.

Na sequência, o presidente da organizada Fúria Independente, Marcio Silvestre, entregou um abaixado-assinado, com 52 assinaturas de conselheiros, pedindo a saída de toda a mesa diretiva. A atitude foi muito aplaudida e o coro “Fora, Casinha” foi entoado por grande parte dos sócios presentes em um dos salões sociais.

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A partir daí, o tumulto ficou descontrolado. O mandatário paranista, Leonardo Oliveira, se levantou da mesa e saiu do local. Integrantes da Fúria passaram a insultar e cobrar a saída de Casagrande praticamente cara a cara. Todos os representantes da mesa se retiraram e foram protegidos por seguranças. A reunião terminou dessa forma.

O desenrolar e as consequências da confusão ainda não estão claras. Oliveira, por exemplo, conforme apuração da Tribuna do Paraná, pode renunciar a função de presidente após o clássico entre Tricolor e Coritiba, no domingo (31), ou até mesmo antes disso. Ele se sente muito pressionado e isolado politicamente, além de ver a crítica que vem da arquibancada ficar cada vez maior.

Longa trajetória

Já Casinha ainda não deu sinais que possa ceder, mesmo após passar por sua pior crise institucional. Funcionário desde a época do Pinheiros, um dos clubes que originaram o Paraná, ele passou por inúmeras posições dentro do social desde os anos 1980, como organizador de bailes, diretor de departamento social e marketing e locutor da Vila Capanema em dias de jogos.

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Em janeiro de 2012, Casagrande foi 2º vice-presidente da chapa do então presidente Rubens Bohlen e, no início de 2014, virou 1º vice após a reeleição do então presidente, que veio a renunciar um ano depois por não aguentar um cenário parecido com o atual. Quem assumiu, na ocasião? Casinha, que virou presidente até a eleição seguinte.

Forte nos bastidores, o dirigente é decisivo em qualquer eleição e peça fundamental dentro de uma chapa que queira vencer. No dia a dia é quem sabe os caminhos de todas as sedes e estádios do Tricolor. É, basicamente, um ‘faz tudo‘. Por outro lado, como tem grande influência, acumula inimigos e desafetos por vetar projetos e atrasar as demandas que não estejam de acordo com ele.

Nos últimos anos, entretanto, Casagrande tem visto sua imagem se desgastar cada vez mais com a torcida em geral. Os torcedores que antes não tinham participação no Conselho, agora se fazem mais presentes e com voz ativa dentro do clube. Até mesmo entre colegas de diretoria não foram raros os momentos em que a demissão dele foi cogitada.

O receio é de que por ter décadas de casa, a conta a ser paga seja fora do controle. Em compensação, com o Ato Trabalhista, intervenção judicial que destina 20% da receita para pagamento de dívidas trabalhistas, o caminho pode estar mais visível mesmo com um preço caro a ser desembolsado no futuro.

Esse pedido de renúncia parecia se aproximar com o passar do tempo, mas nenhuma atitude efetiva havia sido tomada até a noite. A pressão do torcedor paranista promete se intensificar no próximo sábado (30), às 15h, no ginásio da Kennedy, quando acontece uma reunião apenas com sócios do Paraná, limitada a mil pessoas, se cadastrando de forma online. Se a adesão não for batida, os torcedores não associados poderão comparecer também.

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