O presidente do Paraná Clube, Leonardo Oliveira, já acumulou mais de meio milhão de reais na função de ‘administrador-proprietário’ do Tricolor. O mandatário paranista recebe um salário mensal de R$ 25 mil para exercer a função.

Em 21 meses de acordo, o dirigente soma R$ 525 mil pelo cargo. A quantia subirá para R$ 600 mil ao término do segundo ano do trato. Não há uma resposta sobre o vencimento ser recebido em dia ou não. Vale lembrar que a própria Justiça do Trabalho determinou que ele acumulasse a função.

O contrato também prevê que, se o administrador deixar de comprovar as despesas, ou as mesmas não sejam aprovadas pela Justiça, ele será responsabilizado penalmente e receberá multa de 10% sobre a previsão do faturamento do clube.

Apesar da intervenção, o Paraná continua com problemas para manter as contas em dia. A direção tem atrasado salários de elenco e funcionários desde o ano passado e novas ações trabalhistas já foram ajuizadas. Nesta temporada, por exemplo, o débito é desde setembro e há jogadores que não receberam agosto.

Em vigor desde março de 2018, o Ato Trabalhista é uma intervenção judicial, que retém 20% da arrecadação para quitar dívidas desse âmbito. O clube pode utilizar os 80% restantes para as outras despesas.

Após um ano e nove meses do acordo, o clube ainda não divulgou nenhum balanço oficial sobre dívidas pagas e projeção para quitar as ações judiciais. A Gazeta do Povo/Tribuna do Paraná apurou que o Ato já encerrou 271 das 536 ações trabalhistas existentes contra o clube desde o seu início.

A intervenção precisa ser renovada em março de 2020 e há o temor de que a Justiça encerre o trato. Sem perspectivas de receitas, o Tricolor tem procurado parceiros para pagar os débitos salariais e viabilizar o clube na próxima temporada. Sérgio Malucelli e Eduardo Uram são alguns que conversam com a cúpula.

Internamente, sócios e conselheiros também têm se movimentado para cobrar mais transparência sobre o futuro paranista nas próximas reuniões do Conselho. O presidente, na última reunião, no final de novembro, abandonou o encontro na hora que seria questionado sobre o dia a dia.

Procurada pela reportagem, a assessoria do Paraná afirmou que Leonardo Oliveira não vai se pronunciar sobre os questionamentos.

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