Na última segunda-feira (18), o Conselho Deliberativo do Paraná Clube aprovou, com 85 votos, a parceria com a Total Sports (TSI), empresa fundada no Reino Unido, mas de origem russa. No entanto, a votação não foi unânime e nove conselheiros votaram contra. Ainda tiveram seis abstenções.

A proposta apresentada pelo presidente Leonardo Oliveira e detalhada por Felipe Ximenes, representante da TSI no Brasil, inclusive já foi homologada pela Justiça do Trabalho. A reportagem levantou as principais dúvidas de conselheiros que votaram contra a parceria, assim como as respostas da diretoria.

A TSI assumirá as categorias de base do Paraná. Como ficará a divisão dos direitos econômicos de possíveis revelações?

A pergunta não foi respondida, e possivelmente não deve ser respondida de forma exata. Não há um percentual definido por contrato. A diretoria paranista afirma que, neste sentido, o contrato não é “engessado”. Ou seja, estes percentuais irão variar de atleta para atleta, de acordo ainda com o investimento feito em cada um.

A ideia do Paraná é seguir o exemplo do rival Athletico, que prospecta jogadores em fase final de formação na base de outros times, e os contrata ainda antes de se firmarem como profissionais nos clubes de origem – caso do volante Bruno Guimarães, contratado do Audax já em processo final de formação.

Além disso, a TSI arcará com todo o custo de manutenção da base paranista entre o sub-14 e o sub-20, além de uma planejada revitalização da Vila Olímpica do Boqueirão, com reformas estruturais e campos de grama sintética.

Aporte x empréstimo

A TSI irá aportar 600 mil euros (R$ 2,8 milhões) no futebol do Paraná em 2020. O Tricolor conta com este valor inicial a partir de abril com fim em dezembro. Ou seja, nove parcelas de R$ 315 mil, aproximadamente. Este aporte será usado estritamente no futebol. De dez a doze atletas devem chegar.

Alex Brasil segue como gerente de futebol do clube, com Felipe Ximenes atuando no departamento pelo lado da TSI. O valor dobrará nos dois anos seguintes de contrato: 1,2 milhões de euros em 2021 e 2,4 milhões de euros em 2022.

Haverá também um empréstimo. A TSI emprestará 500 mil euros (R$ 2,3 milhões) para o Paraná pagar os salários atrasados de 2019 e início de 2020. O Tricolor devolverá este valor com dinheiro de seu caixa em 50 parcelas. Ou seja, a parceria começa também com uma dívida por parte do clube.

Entre cotas de TV, patrocínios e dinheiro de vendas de atletas, o Paraná estima orçamento anual de R$ 10 milhões em 2020. É deste “bolo” que sairá o dinheiro para pagar o empréstimo dos russos, assim como para complementar o orçamento mensal do futebol profissional.

TSI no Brasil e ‘treta‘ com Ximenes

A TSI não possui um CNPJ brasileiro. A questão foi levantada por conselheiros, que também cobraram os nomes dos sócios da empresa e o papel oficial de Felipe Ximenes em seu organograma.

A diretoria do Paraná, por sua vez, se ampara no fato de que a TSI possui registro na Fifa e já atua como parceira de clubes na Europa e África como garantia da parceria prestes a ser estabelecida com o Tricolor.

Ex-gerente de Flamengo, Coritiba, entre outros, Ximenes foi duramente confrontado por um dos conselheiros que votaram contra a parceria, deixando o clima quente em determinado momento do encontro.

O principal questionamento foi justamente sobre a porcentagem dos atletas da base que ficará com a TSI. Ximenes, por sua vez, só deve se pronunciar oficialmente após a assinatura do contrato.

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