Foto: Valquir Aureliano/Tribuna

Beto, um dos remanescentes
do ano passado, diz que o grupo não vai apenas passar pela Libertadores e sim marcar o nome do clube na história.

Começa hoje – às 19h15 (no horário brasileiro), no Estádio Municipal de Calama – uma nova etapa na vida do Paraná Clube. Após uma campanha impecável no Brasileiro do ano passado, quando driblou favoritos e ficou com a 5.ª colocação, o representante paranaense na Copa Libertadores da América 2007 busca colocar seu nome em evidência no cenário mundial. Nas palavras do capitão Beto, o Tricolor encara o Cobreloa, do Chile, disposto a não apenas passar pela competição.

?Queremos marcar o nosso nome nesta trajetória?, resumiu o volante paranista. Em meio à quase que completa reformulação do elenco, Beto e Flávio são remanescentes de anos anteriores e principais ícones de um clube que conseguiu se colocar em evidência pela capacidade de se ?reinventar? a cada temporada. Sem o aporte financeiro dos chamados grandes, o Paraná vem primando por ?tiros certeiros? na hora de montar seus esquadrões. Desta vez, o desafio é maior e está diretamente relacionado ao sucesso do Tricolor em sua estréia na Libertadores.

Depois de passagens tímidas pela Sul-Americana (ficando sempre na etapa nacional) e pela extinta Copa Conmebol, o Paraná Clube finalmente chegou à mais badalada e charmosa competição do continente. Se a Libertadores ainda apresenta distorções curiosas – como o retorno ao impedimento para que clubes do mesmo país disputem a final – não há como se negar:

é o ?filé mignon? para clubes das Américas. Convidado para esse banquete, o Tricolor não quer frustar sua torcida. Por isso, é questão de honra garantir vaga na segunda fase, onde enfrentaria Flamengo (Brasil), Real Potosí (Bolívia) e Unión Maracaibo (Venezuela).

Na teoria, o Grupo 5 tem um grau de dificuldade inferior àquele que o Paraná Clube encara a partir desta noite.

O Cobreloa é a uma das forças do futebol chileno e tem em seu currículo duas finais de Libertadores, quando foi derrotado por Flamengo (1981) e Peñarol (1982).

Para fazer frente à experiência do adversário, o Tricolor conta com dois experts em Libertadores. O técnico Zetti e seu auxiliar Silas têm história para contar na competição e muitas dessas lições foram devidamente repassadas ao elenco tricolor. Dicas de como se comportar na altitude e até mesmo diante do estilo de jogo do adversário, viril e veloz.

Para equilibrar ações, Zetti aposta na qualidade técnica do futebol brasileiro. É nesse ponto que entram em cena jogadores como Gérson e Dinélson. Os meias terão que ditar o ritmo do Paraná Clube, sustentados por uma zaga de boa estatura e que ainda busca o entrosamento e a solidez desejados pela comissão técnica. Com um 3-6-1 ajustado, o Paraná pretende ?amarrar? o Cobreloa, vendo num empate um bom resultado, mas sabendo que se marcar gols, tem tudo para garantir a vaga no jogo da volta, semana que vem, na Vila Capanema.

Paraná quer entrar no clube

O Paraná é o 27.º clube a representar o Brasil na Libertadores da América.

A competição, realizada pela primeira vez em 1960, ainda é dominada pelos argentinos, com 20 títulos, contra 13 dos brasileiros. Mas, nos últimos anos, a vantagem é verde e amarela. Foram duas finais ?domésticas?, com São Paulo x Atlético-PR e Internacional x São Paulo. Entre os 38 principais clubes das Américas, o Tricolor promete honrar suas cores, mostrando que sua ascensão no cenário brasileiro não foi fruto do acaso.

O desafio inicial de Zetti é superar a barreira chilena, que veste o laranja. O Cobreloa, que não participou da edição passada da competição, tem 103 jogos disputados até aqui na Libertadores, com 39 vitórias, 31 empates e 33 derrotas.

Um bom desempenho neste mata-mata, colocaria o Tricolor na fase de grupos da competição, abrindo a possibilidade do clube ingressar numa posição de destaque no ranking brasileiro de clubes na Libertadores.

?É preciso muita atenção.

Numa competição como essa, qualquer descuido é fatal?, avisa o goleiro Flávio, que inicia hoje a sua terceira Libertadores.

O Pantera é o único jogador do atual elenco paranista com experiência na competição. Outros, mais jovens, como Dinélson, tentam transferir para a Libertadores aquilo que aprenderam em outros torneios internacionais, como a Copa Sul-Americana. ?O nível é maior, mas já participei de jogos eliminatórios contra argentinos, o que não é fácil?, lembrou o baixinho. É nessa mescla de experiência com juventude, de cautela com ousadia, que o Paraná Clube espera encaminhar hoje, com um bom resultado no deserto de Atacama, a sua vaga para o Grupo 5 da 48.ª edição da Copa Libertadores da América.

COPA LIBERTADORES
1ª FASE – JOGO DE IDA
SÚMULA
Local: Municipal (Calama-CHI)
Horário: 18h15 (19h15, no horário brasileiro)
Árbitro: René Marcelo Ortube (BOL)
Assistentes: Iván Gamboa (BOL) e Alain Ledesma (BOL)

COBRELOA x PARANÁ CLUBE

COBRELOA
Fernando Hurtado; Victor Osorio, Cristian Olguín, Luis Fuentes e Rodrigo Pérez; Cristian Rios, Juan Luis González, Esteban Paredes (Leandro Delgado) e José Luis Dias; Rodrigo Mannara e Lucas Barrios. Técnico: Gustavo Huerta

PARANÁ
Flávio; Daniel Marques, Neguete e Aderaldo; André Luiz, Goiano, Beto, Gérson, Dinélson e Egídio; Henrique. Técnico: Zetti