Nilceu Aparecido festeja
o bi, num sprint espetacular.

Foi a volta por cima. Depois de dois anos afastado por doping, o ciclista Nilceu Aparecido Santos, da equipe Memorial-Santos, garantiu o bicampeonato na l 9 de Julho, a prova clássica do ciclismo nacional, que teve a sua 61.ª edição disputada ontem, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. A vitória foi emocionante e decidida numa chegada fantástica, envolvendo os melhores sprintistas do País. A diferença foi tão pequena que a decisão foi confirmada por “foto finish”.

“Foi a vitória da superação. Foi muito difícil. A equipe toda foi sensacional, ajudou muito”, disse Nilceu, que alia a força com a velocidade. Na chegada, ele aproveitou o embalo dos rivais e saiu de trás para superar todos. “Eu encaixei na roda dos sprintistas e vim só no bafo e parti na hora certa e para o abraço”, comemorou Nilceu, que no início do sprint veio atrás de Roberson Figueiredo, o Robinho, da Dataro/Blumenau, e André Grizante, da Extra/Caloi/Suzano, respectivamente 2.º e 3.º colocados.

Ele completou as 20 voltas do circuito (84 km) em 2h04min28s. “Devo muito a essa equipe, que sempre acreditou no meu potencial, quando estive afastado, e agora confiou na minha vitória”, acrescentou Nilceu, campeão em 2001, quando foi eleito a revelação.

Aos 26 anos de idade (completa 27 quarta-feira), ele compete somente há seis. Antes era torneiro mecânico em Cascavel (Oeste do Paraná). Em 2002 foi suspenso após a Volta do Rio, por uso de doping. “Passado é história. Até hoje não sei qual foi a substância. Se foi por anabolizante, testosterona. Ficou muito obscuro. Mas isso já passou e o importante é que a minha equipe sempre confiou em mim e provei hoje que estou muito bem”, desabafou.

“Cheguei a pensar em abandonar tudo, mas tive apoio psicológico, financeiro da equipe. Devo muito ao Cláudio Diegues (técnico), ao Pepe (Altstut, proprietário da Memorial) e aos meus companheiros de equipe. Sem falar na minha família. Dedico essa vitória à minha filhinha Milena, que nasceu há quatro meses”, acrescentou o atleta, que ficou mais do que satisfeito com o resultado. “Eu achei que ia ser mais dura a minha volta, que ia sofrer, mas me preparei muito durante esse tempo que fiquei parado. Quando tinha uma corrida de 100 quilômetros, eu pedalava no mesmo dia 200”, explicou.

Robinho fica em segundo

Roberson Figueiredo, da equipe DataRo, também comemorou o resultado depois de realizar uma preparação específica para a prova. “Estou muito contente porque é uma prova tradicional. Só fico triste porque perdi a vitória no final”, lamentou o ciclista que confessou ter se assustado com a passagem de Nilceu. “Passei o Grizante e abri uma bicicleta. Achei que tinha vencido. De repente o Nilceu surgiu como uma flecha. Ele está muito bem e mereceu”, comentou.

O resultado também foi comemorado pelos novos dirigentes da Federação Paranaense de Ciclismo. O diretor técnico Sérgio Grassi a firmou: “Isso prova que o trabalho reiniciado pela federação tem tudo para dar certo. Realizamos várias provas que tiveram a participação destes atletas que se prepararam melhor”.