Equipe Brucutus.

Uma das três equipes mais tradicionais da modalidade no Brasil, a Brucutus, de Bertioga, fez a festa na etapa de abertura do Paulista de Canoas Havaianas 2004, disputada ontem, na praia das Astúrias, no Guarujá. O time, que atua desde o início do esporte no País, em 2001, venceu duas das três categorias, sendo o grande campeão da masculina, a disputa mais acirrada do evento. Também levou na iniciantes (para atletas que nunca competiram) e foi vice na mistas (três homens e três mulheres). Nesta prova, quem levou a melhor foi a Paulistano/ Quasarlontra/ Mitsubishi/ Salomon, atualmente imbatível.

A competição foi realizada no Canto dos Pescadores, atraindo um grande público e foi marcada pelo alto nível técnico e disputas acirradas. Em cada categoria, as equipes disputaram três baterias de 1.500 metros, exigindo muita velocidade, força e explosão. Na principal masculina, o equilíbrio foi tanto que as três melhores equipes tiveram de voltar ao mar para a definição do vencedor numa disputa extra.

Voltaram para a remada decisiva a Master (ex-Paulistano), da capital, atual tricampeã brasileira de resistência e também atuando na canoa desde a sua criação no Brasil; a Vit Shop/ EAS, campeã brasileira de velocidade em 2002 e com canoístas da Baixada Santista; e a Brucutus. Cada uma tinha vencido uma bateria e na fase definitiva, Brucutus e Master vieram lado a lado até os metros finais, com a vitória sendo definida na corrida, depois das duas canoas chegarem embaladas pelas fortes remadas e por uma onda.

Um remador de cada time tinha de correr cerca de 100 metros, da beira d? água até o pórtico oficial na areia e o remador de Bertioga, Vagner Riesco, superou Rafael Leão, da equipe paulistana por apenas uma passada, empolgando o público na areia. “É o que eu faço bem. Sempre corro e forcei tudo. Foi uma final fantástica. Mostramos superação, garra”, disse o remador do time vencedor, que na segunda bateria virou, chegando na última colocação.

“Sabemos que temos um time forte, decidido”, complementou Everdan Riesco, capitão da Brucutus, que treina no Centro Jaguareguava, em Bertioga. “Todo esse pessoal que competiu aqui foi formado na nossa escolinha. São atletas jovens, como é o caso da equipe mista, que tem a Sofia, com 14 anos, e o Rodrigo, com 15”, festejou Riesco, que além do irmão Vagner, teve no time vencedor os remadores Pedro Bichir, Gabriel Gaspar, Marcel Corrêa, Vinícius Zaidan e Marcelo Arias, a mesma formação que foi vice-campeã da Volta à Ilha de Santo Amaro deste ano, a prova mais longa de canoagem feita num único dia no litoral brasileiro.

O capitão da Master, Eduardo Coelho, também comemorou o resultado. “Foi uma disputa muito boa. Lutamos até o final, todos viram que temos espírito de equipe, união e buscamos a vitória até o último metro”, disse o capitão da Master, que além do tri brasileiro, é bicampeã da Volta à Ilha de Santo Amaro e venceu o Desafio Internacional no Rio de Janeiro. Competindo desfalcada, a equipe Ohana, de Santos, que vem subindo de produção, terminou em quarto lugar, seguida da Espéria, de São Paulo.

Remando em família

Confirmando o grande trabalho feito no Centro Jaguareguava, a equipe Brucutus garantiu o vice, chegando nas três baterias em segundo lugar. Entre os destaques do time estavam os jovens Sofia dos Santos Bolainho, de apenas 14 anos, sendo a mais nova no evento, e o leme, a função de mais responsabilidade, Rodrigo Gaspar, com 15 anos. Os dois são primos e foram incentivados por Sara dos Santos, mãe de Rodrigo e tia de Sofia, que começou a treinar somente há duas semanas e foi convocada pelo técnico Riesco por sua aptidão ao esporte. “Está tudo em família. E ainda tem o Gabriel na equipe masculina”, disse orgulhosa Sara.

Em terceiro lugar ficou a equipe Moai, de Santos, seguida da revelação Shark, de Boracéia, também em Bertioga, que com apenas quatro meses de treinamentos chegou a liderar uma das baterias no evento. Já entre os iniciantes, a Brucutus foi a vencedora, levando as duas baterias iniciais. O time contou com Marcos Machado, João Alves, Marcos da Silva, Rodrigo Loureiro, Felipe Correia e João Antonio Filho.

Os remadores da equipe Santa Cruz, de Guarujá, orientados pelo professor Jefferson Libório, experiente canoísta, mostraram ter futuro certo, vencendo a última prova, para assegurar o vice. O grupo foi formado há cerca de um mês e conta com surfistas. A Sky Trade, da escolinha de Santos, ficou na terceira posição.

Campeã no Havaí

A canoa havaiana ou outrigger é um esporte praticado por quase todos os atletas do arquipélago havaiano. Entre os destaques está a santista Cristiana Franco Fisher, que mora em Maui. Ela pratica o esporte há um ano e meio e garantiu o vice-campeonato havaiano na categoria amadora feminina. “Tenho um grupo de dez amigas brasileiras todas praticantes de canoa e treino no Hawaiian Canoe Clube, o maior da ilha, com 400 integrantes”, disse Cris, que tem 30 anos e também é uma exímia dançarina de hula e ainda pratica surf, sky surf e windsurf. Ela ficará no Brasil nos próximos meses e vai aproveitar para contar sua experiência nas disputas no Havaí para os brasileiros.

A próxima etapa do Paulista de Canoas Havaianas 2004 será em agosto, na praia do Gonzaguinha, em São Vicente. Antes os atletas disputam a competição inicial do ranking brasileiro agora nos dias 10, 11 e 12 em Florianópolis (SC), onde há um dos principais centros da modalidade, junto com a Baixada Santista e Rio de Janeiro.

Sincronismo

As canoas havaianas são réplicas das embarcações usadas há 3 mil anos pelos povos polinésios. Chegaram ao Brasil em setembro de 2001. As tradicionais contam com seis remadores e cada um tem uma função específica. O n.º 1 ou voga (quem fica na frente), por exemplo, dá o ritmo do barco. Já o n.º 6, ou leme (que fica na outra extremidade), é o responsável pela direção do barco. Longas, elas medem 14 metros, têm apenas 50 cm de largura e um estabilizador lateral (chamado de ama), fixado por dois suportes (os yakos).

Nesse esporte, o fundamental é o sincronismo, as remadas compassadas, para que a canoa tenha um bom desempenho. Durante as remadas, um grito sempre é ouvido por todos: o Hip Ho. Este é um comando para que os remadores troquem a remada de lado. A cada 20 ou 25 remadas, um dos integrantes do time grita “Hip” e na seqüência os outros componentes completam com o “Ho”, passando os remos para o outro lado do barco, para que não haja um desgaste muito grande.

Também já existem no Brasil a OC1, para um só remador, e a OC4, para quatro atletas e usadas para pegar ondas. Mais detalhes sobre o esporte no site www.canoahavaiana.com.br A etapa de abertura do Paulista de Canoas Havaianas foi organizada pelo Centro Náutico Guarujá, com apoio da Prefeitura Municipal de Guarujá e supervisão da Canoa Brasil e Abracha Associação Brasileira de Canoas Havaianas.