Jogador de futebol, marceneiro ou trabalhador rural. Um dos principais jogadores do time finalista do Campeonato Paranaense, o meio-campista Max, do Maringá, sempre viveu esse dilema. Com 29 anos, mesmo tendo apenas dois gols hoje ele é um dos destaques da equipe comandada pelo técnico Claudemir Sturion, mas a carreira do jogador nunca foi fácil. O atleta que veio do Metropolitano de Blumenau (SC), sempre viveu altos e baixos.

No próprio Metropolitano, ele passou ou últimos seis meses sendo utilizado em uma posição que não é a dele, a de volante, e com isso não conseguiu o destaque que precisava. Mas este foi o menor dos problemas enfrentados pelo jogador, que já tirou leite de vaca e já dirigiu o caminhão do pai para transportar soja.

As dificuldades sempre acompanharam o então menino que sonhava em ser jogador de futebol. Aos 17 anos, quando ainda estava em um time de Roncador, cidade onde nasceu, teve que desistir da bola por ter que trabalhar para pagar pensão por ter engravidado uma jovem da cidade. A alternativa foi trabalhar no sítio da família, que fica no distrito de Alto São João. “Antes de eu ir para Curitiba, em 2005 e 2006 eu trabalhava no sítio. Tirava leite. Fiquei dois anos tirando leite para sobreviver”, declarou o jogador.

No início do ano seguinte, o destaque do Maringá veio para Curitiba morar na casa de um primo e trabalhar em uma fábrica de móveis. Apaixonado pelo futebol, ele trabalhava durante o dia e arrumou uma vaga no Trieste, time amador da capital onde treinava duas vezes por semana durante à noite. Depois de dois anos nesse ritmo, surgiu a primeira grande oportunidade. Em 2009 foi disputar o Paranaense pelo Rio Branco de Paranaguá, onde foi o artilheiro do time com seis gols. Com destaque na equipe do litoral, ele despertou o interesse do J. Malucelli, que viraria Corinthians Paranaense, mas por decisão do empresário foi para o Riostrense disputar a segunda divisão do Campeonato Carioca com a promessa de ser negociado para o futebol da Grécia – porém, antes da negociação se concretizar, ele machucou o joelho e ficou parado dois meses. E no total ficou três meses sem receber salário.

Sofrimento

No final de 2009 ele retornou para Curitiba, e foi onde mais uma vez os problemas vieram em cascata. Max acertou com o Corinthians Paranaense mas não teve muita oportunidade, praticamente não jogou e foi dispensado. Ficou desempregado durante dois anos e veio mais uma vez a triste decisão de parar com o futebol. “Nessa de 2010 para 2011, voltei para o sitio e ficava lá, tirava leite. E com o sítio arrendado, dirigia o caminhão do meu pai para transportar soja, foram quarenta dias durante a safra”, declarou o camisa 10 do Maringá.

Mas o sonho não havia sido totalmente descartado. Em 2011 ele voltou a Curitiba para jogar o futebol amador, desta vez pelo Internacional de Campo Largo. Foi aí que ele recomeçou a carreira. No mesmo ano, por indicação de um preparador físico, foi para o Juventus-SC disputar a segunda divisão do Estadual. No Catarinense, foi o vice-artilheiro da equipe e deu mais um salto na carreira, disputar o Gauchão pelo Santa Cruz. Porém, lá surgiram novos problemas: na sexta rodada rompeu os ligamentos do joelho e perdeu mais um ano. Mas ele não desistiu e em 2012 voltou para o Juventus – onde ajudou o time a subir para a primeira divisão e foi artilheiro com onze gols. Do Juventus, na metade de 2013, foi para o Metropolitano de Blumenau onde ficou até acertar com o time da Cidade Canção. “Para mim foi a melhor escolha, por a gente ter chegado na final, as coisas dando tudo certo por aqui. Não tinha melhor clube para escolher do que o Maringá”, disse Max.

Hoje ele passa pelo melhor momento – bem em campo e sem problemas pessoais. E mesmo aos 29 anos ainda sonha com o futebol, agora com os pés no chão. “Eu sonho. Claro que eu almejo um time ,grande e tal, claro que eu não sou nem um moleque, mas creio que se fizer meu trabalho aqui e jogar na mão de Deus, o que surgir eu vou agarrar”, finalizou.