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Jogo da seleção em Brasília tem aplauso discreto a Bolsonaro e ministro barrado

Com discrição, o presidente da República, Jair Bolsonaro, assistiu nesta quarta-feira ao jogo da seleção brasileira de futebol contra a seleção de Catar, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. Sem ser anunciado pela sistema de som e tampouco aparecer no telão do estádio, Bolsonaro foi notado apenas por uma parte dos torcedores, sentados próximos à tribuna de honra. Alguns, ao perceberem a presença do presidente, o saudaram e aplaudiram.

Bolsonaro acompanhou a partida como convidado e acertou o placar num palpite pouco antes de a bola rolar. Estava ao lado dos filhos Jair Renan e Flávio Bolsonaro (PSL), senador pelo Rio de Janeiro, que vestia uma camisa do Vasco.

Mais cedo, em viagem à região do Rio Araguaia, na divisa de Goiás com o Mato Grosso, Bolsonaro disse que pretendia dar um abraço no atacante Neymar, seu apoiador, antes do jogo. “Acredito nele”, afirmou o mandatário sobre a acusação de estupro investigada pela polícia. O encontro, porém, não ocorreu.

Segundo o Estado apurou, o presidente cogitou passar na concentração da CBF, mas desistiu e chegou ao estádio minutos antes de o jogo começar, com Neymar já em campo, em aquecimento. O jogador saiu contundido ainda no primeiro tempo e foi do vestiário direto para o hospital. “Batem muito nele. Acho que ele devia arriscar menos numa pelada dessa aí”, comentou o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, vestido com um agasalho da Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Além de Heleno, outros ministros foram à tribuna do Mané Garrincha, como Paulo Guedes (Economia), Fernando Azevedo (Defesa) e Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), que perdeu o primeiro gol do jogo por ter sido barrado na entrada da tribuna de honra. Ele e o secretário-executivo da pasta, Daniel Diniz Nepomuceno, ex-presidente do Atlético-MG, só puderam entrar na área presidencial depois de insistirem e reclamarem que estavam a quase 20 minutos procurando o local correto para acessar a área reservada. Assessores pessoais de Bolsonaro e até o ajudante de ordens do presidente também tiveram dificuldades no acesso ao estádio.

Entre convidados e parlamentares, a tribuna recebeu os deputados Alexandre Frota (PSL-SP), cujo filho entrou em campo com os jogadores, Helio Lopes (PSL-RJ), Joaquim Passarinho (PSD-PA), torcedor do Remo, e Marco Feliciano (Podemos-SP), que confessou não ser fã de futebol. O ex-atacante Romário Faria (PSB-RJ), tetracampeão mundial com a seleção brasileira e hoje senador, também estava presente. A tribuna foi totalmente isolada pela segurança da Presidência. Um buffet com pratos quentes, doces, mini hambúrgueres e queijos, mas sem bebida alcoólica atraiu o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que também bateu papo com o flamenguista Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal.

CONCENTRAÇÃO – Na concentração da seleção, em um hotel na região central de Brasília, Neymar era quem mais atraia a atenção dos torcedores. Um menino com o nome do jogador cuidadosamente desenhado no corte de cabelo aguardava uma aparição do atacante ao lado de rapaz com um recado escrito num cartaz azul: “Neymar, Jesus te ama!!!”.

O clima, porém, era de apreensão quanto à recepção ao jogador por causa da acusação de estupro. A rotina do hotel, que costuma receber lobistas, empresários e autoridades no restaurante e no bar, estava alterada. Os jogadores jantaram numa área reservada. Grades na porta, torcedores na calçada do lado de fora; equipes da CBF, ex-jogadores, hóspedes, imprensa nacional e estrangeira e alguns curiosos no lobby. A poucos minutos de a seleção deixar a concentração, por volta da 19h40, um ministro do Supremo Tribunal Federal entrou despercebido pelos torcedores que se enfileiravam para tirar fotos com os jogadores. A seleção não era o interesse de Alexandre de Moraes, que havia marcado um encontro privado no hotel. “Nem sabia que a seleção estava aqui, se não teria marcado em outro lugar”, disse Moraes.

Embora no desembarque em Brasília Neymar tenha sido recebido com entusiasmo e ido ao encontro dos torcedores para tirar fotos e cumprimentá-los, a saída para o Estádio Nacional Mané Garrincha foi mais reservada. Último jogador a embarcar no ônibus em direção ao estádio, o atacante do PSG estava cercado por seguranças da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e isolado por grades do público que entoava seu nome.

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