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Clube pode perder financiamento pra conclusão do estádio.

Dono do estádio que poderá abrigar jogos da Copa do Mundo de 2014, o Atlético reclama do tímido envolvimento do governo do Estado em favor da candidatura curitibana.

Para o presidente do Conselho Gestor rubro-negro, João Augusto Fleury da Rocha, o esforço atleticano pode ser em vão sem comprometimento dos órgãos públicos.  ?A Copa só vem ao Brasil porque o governo federal assumiu as responsabilidades para organização do evento. O mesmo vale para os estados. Vemos entusiasmo muito maior dos governos do Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, por exemplo, em cumprir as responsabilidades pelo caderno de encargos da Fifa?, falou.

O governo paranaense foi dos poucos que não enviaram membros à comitiva brasileira que acompanhou o anúncio da sede do Mundial, na Suíça. Antes de indicar a Arena, o Palácio Iguaçu apresentou o projeto do novo Estádio do Pinheirão como palco da candidatura de Curitiba à Copa, que depois acabou rejeitado.

Fleury atribui parcela deste ?pouco caso? a uma certa auto-suficiência das autoridades municipais e estaduais, que contavam como certa a indicação de Curitiba pela boa infra-estrutura da cidade e a própria condição favorável da Arena. E cita também a ?falta de sintonia? entre o clube e a diretoria da Paraná Esporte, autarquia do governo do Estado comandada por Ricardo Gomyde, conselheiro do Coritiba e articulador da fracassada indicação do Pinheirão ao Mundial.

?Por outro lado, vemos o governador José Serra (SP), um notório palmeirense, se empenhar na indicação do Morumbi, e o mesmo ocorrer com a senhora Yeda Crusius (governadora do Rio Grande do Sul), que é gremista, em relação ao Beira-Rio. Não quero crer que uma mentalidade prejudicaria a candidatura do Paraná em favor de meia-dúzia de coxas-brancas com dor-de-cotovelo?, cutucou.

Oposição

Outro fator que poderia explicar o marasmo do Executivo estadual, não citado por Fleury, é a histórica oposição entre o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Mário Celso Petraglia, e o governador Roberto Requião.  A exclusão de Curitiba da Copa seria bastante prejudicial ao Atlético, que perderia as facilidades de financiamento para conclusão da Kyocera Arena trazidas na esteira da Copa. Mas o discurso de Fleury estende o prejuízo a toda a sociedade paranaense. ?Cidades que foram sede nos Estados Unidos ou Japão até hoje se beneficiam com resíduos dos Mundiais em termos turísticos. Empresas investiriam aqui, postos de trabalho seriam criados e a cidade seria divulgada ao mundo todo durante um mês. Eu me sentiria frustrado, como cidadão curitibano?, reclamou.

O presidente atleticano disse ainda que o clube não foi contatado pelo vice-governador Orlando Pessuti para uma reunião com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, conforme notícia divulgada pelo Palácio Iguaçu.

Governo do Paraná promete se mexer

Fora do lobby que acompanhou a comitiva brasileira no anúncio da sede da Copa do Mundo de 2014, o governo do Paraná corre contra o tempo perdido. O Palácio Iguaçu montou uma comissão composta pelo vice-governador Orlando Pessuti, o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, e o primeiro secretário da Assembléia Legislativa, Alexandre Curi, para conquistar apoio em favor da candidatura de Curitiba.

O grupo vai convidar a diretoria do Atlético para uma missão especial até o Rio de Janeiro, na semana que vem, onde tentará audiência com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. ?Estou disposto a coordenar todas as iniciativas necessárias para garantir a Copa do Mundo em Curitiba. Agora temos que sair a campo, nos reunir com a CBF, para garantir que Curitiba seja escolhida e esse sonho de quem vive no Paraná se concretize?, disse Pessuti à Agência Estadual de Notícias.

O presidente da Paraná Esporte, Ricardo Gomyde, salienta que não há qualquer garantia de que Curitiba estará entre as escolhidas. ?A cidade está numa situação muito boa na disputa com outras cidades. Mas é preciso união para garantir a condição de subsede da Copa?, falou.

No evento em que o Brasil foi confirmado como palco do Mundial, na Suíça, 12 governadores estiveram presentes e aproveitaram para costurar alianças com a cúpula da CBF e o Comitê Executivo da Fifa. O Paraná não enviou nenhum representante.

Entre as 18 cidades candidatas, seis foram consideradas inadequadas pela comissão de vistoria que visitou o País – Florianópolis (SC), Natal (RN), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC) e Maceió (AL). As outras 12, incluindo a capital paranaense, saem na frente na disputa – mas podem esbarrar na intenção da Fifa em limitar em 10 número de cidades-sede. ?A partir de julho do ano que vem, começamos a afunilar para que depois sejam aprovadas as sedes para 2014. Temos mais de um ano pela frente, agora que vai se iniciar esse processo?, falou Ricardo Teixeira.