Campo Mourão – O técnico da Adap, Gilberto Batista, faz mistério sobre a escalação do time que vai enfrentar o Coritiba hoje. O elenco está concentrado em uma pousada no município de Farol, distante cerca de 25 km de Campo Mourão. Ontem à tarde, a equipe treinou no estádio municipal da cidade, mas o treinador preferiu não confirmar o onze titular que vai disputar a vaga na decisão do Campeonato Parananese.

Gilberto tem dificuldades para montar o time. Cinco titulares estão suspensos. O zagueiro Alex Noronha, o lateral Leandro, o volante Mineiro e os meias Felipe Alves e Souza. Para piorar, o goleiro Fábio levou uma forte pancada nas costas no jogo do último domingo e é dúvida. Grande destaque da equipe morãoense, o arqueiro foi poupado do treino de ontem e sua participação só será definida momentos antes do confronto desta tarde.

Em compensação, o rubro-negro do vale do Vale do Ivaí terá o retorno do volante Batista. Quem também começa jogando é o ex-coxa-branca Marcelo Peabiru, que formará a dupla de ataque com Ivan. ?Tive poucas oportunidades no Coxa, mas não tenho mágoa nenhuma. Agora estou na Adap e vou fazer o máximo em busca da vitória e da classificação?, garante.

Nas demais posições, o técnico da Adap esconde o jogo. ?Temos que fortalecer quem vai entrar. Ontem, muitos deles eram titulares. Têm qualidade para entrar e fazer o resultado?, diz Gilberto.

Apesar de todo o suspense, dificilmente Silas deixará de ganhar a vaga na ala esquerda. Barbieri deve ser o substituto de Mineiro e Rafael e Jackson disputam o lugar de Alex Noronha.

No gol, caso Fábio não se recupere, Pontelli fica com a camisa 1.

Seja qual for a formação, o certo é que a Adap precisa ser bem mais ofensiva do que no Couto Pereira, se quiser vencer por dois gols de diferença e evitar os pênaltis. ?Lá (em Curitiba), já era para a gente sair um pouco mais. Mas em alguns momentos o Coritiba nos sufocou. Jogando em casa, nós temos que fazer o inverso?, afirma o treinador.

Clima de euforia toma conta de Campo Mourão

A possibilidade de ter pela primeira vez um time na final do Campeonato Paranaense mobiliza Campo Mourão. Nas ruas da cidade, o jogo de hoje é o assunto mais comentado pelos cerca de 80 mil habitantes. Ontem à noite, o clube foi homenageado com uma moção de congratulações pela Câmara Municipal.

A expectativa é que hoje o estádio Roberto Brzezinski esteja com seus 5 mil lugares completamente tomados. A festa será comandada pela torcida organizada Leões da Falange. ?Faixas, bandeirões, muita fumaça e papel picado. Já está tudo preparado?, diz o presidente Austin Andrade, de 29 anos, que é bailarino e faz parte da companhia de dança Verve.

Austin garante que qualquer que seja o resultado, a alegria dos torcedores da Adap já está garantida. ?Vivemos a expectativa de chegar na final, mas a sensação é de dever cumprido. O que vier é lucro?, acredita.

A boa campanha do time da cidade chega até a dividir corações. O taxista Hervino dos Santos, de 63 anos, é catarinense, de Videira. Antes de se mudar para Campo Mourão, onde vive há vinte anos, morou em União da Vitória, onde conheceu a paixão pelo Coritiba.

Desde então Ervino viu outros times da cidade se arriscarem entre os grandes do Estado, como a Morãoense e o Sport. Nenhum com o mesmo sucesso da Adap, fundada em 1999. Por isso, o taxista diz estar vivendo um dilema. ?Seria uma alegria muito grande ver um clube da cidade na decisão, mas é difícil torcer contra o time do coração?, diz Ervino, olhando pelo retrovisor a camisa alviverde estendida sobre o banco traseiro.

Mas depois de pensar bastante, ele deixa escapar, com um largo sorriso, qual será sua escolha hoje. ?A Adap já fez a parte dela. Eles eliminaram o Atlético.?