Athletico, Coritiba, Corinthians, Palmeiras, Santos, Flamengo, Botafogo e Vasco precisaram trocar de técnico recentemente. Todos esses clubes preencheram – ou está tentando preencher – as vagas com profissionais estrangeiros ou brasileiros experientes.

Nenhum dos times quis apostar em um representante da geração de jovens treinadores que parecia pronta, há dois ou três anos, para tomar conta do futebol nacional. Aquele grupo, após um início animador, vem encontrando dificuldade para se firmar nas principais equipes do país.

Em 2017, o sucesso de Fábio Carille no Corinthians fez outros clubes repetirem a estratégia de promover profissionais que, assim como ele, já estavam nas comissões técnicas ou trabalhavam nas categorias de base. Campeão paulista e brasileiro dos 43 para os 44 anos, ele puxou uma turma da mesma faixa etária que passou a ganhar espaço.

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De lá para cá, Jair Ventura, hoje com 41 anos, Zé Ricardo, 49, Roger Machado, 45, Thiago Larghi, 40, Rogério Ceni, 47, Maurício Barbieri, 39, Tiago Nunes, 40, Osmar Loss, 45, Odair Hellmann, 43, e Fernando Diniz, 46, tiveram em suas mãos times tradicionalmente considerados grandes.

“Aqui no Brasil, além do imediatismo nos resultados, existe uma tendência ao modismo”, disse à Folha Zé Ricardo, observando o padrão que se tornou recorrente.

Zé Ricardo quando dirigia o Botafogo, em 2018. Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Tribuna.

“No meu modo de enxergar, o que houve foi parte de uma renovação que é natural em qualquer profissão. E, como tal, só se consolida com o tempo, com a experiência e a convivência com profissionais do meio. Mas, em um cenário difícil como o do futebol no Brasil, existem muitos fatores que poderiam explicar todas essas mudanças”, acrescentou o ex-comandante de Flamengo, Vasco, Botafogo e Internacional.

Mudança de rumo nos treinadores

Pouco a pouco, os dirigentes foram abrindo mão dos jovens que despontavam e indo em outra direção. O que era regra se tornou exceção, e os grandes clubes começaram a preferir comandantes rodados ou profissionais de fora.

O Palmeiras – que fez investida frustrada pelo espanhol Miguel Ángel Ramírez, 36, e continua à procura de um estrangeiro – ilustra bem a questão. Em 2017 e 2018, estiveram à frente do time Eduardo Batista, então com 44 anos, Alberto Valentim, 42 na época, e Roger Machado, contratado também aos 42.

Depois disso, as apostas foram os experientíssimos Luiz Felipe Scolari, que chegou aos 69, Mano Menezes, apresentado aos 56, e Vanderlei Luxemburgo, demitido há duas semanas aos 68. Agora, as fichas são jogadas nos estrangeiros.

O Flamengo trilhou um caminho semelhante. Houve experiências com os jovens Zé Ricardo e Maurício Barbieri até que a fórmula mudasse. Primeiro, o clube tentou se apoiar na rodagem de Abel Braga, contratado aos 66. Não deu certo, e o sucesso foi encontrado no português Jorge Jesus, que assinou seu contrato aos 64. Agora, o comandante é o catalão Domènec Torrent, 58.

Já o Corinthians procurou replicar o sucesso de Fábio Carille com Osmar Loss, Jair Ventura, o próprio Carille e Tiago Nunes – além de períodos com Coelho, hoje com 37 anos, interino. Na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, acionou Vagner Mancini, 53.

O Santos neste ano foi dirigido pelo português Jesualdo Ferreira, 74, e agora está nas mãos do rodado Cuca, 57. O Vasco desistiu de Ramon Menezes, 48, e foi buscar o português Ricardo Sá Pinto, 48.

A própria tabela do Brasileiro oferece um retrato curioso. Os três primeiros colocados, Internacional, Flamengo e Atlético-MG, são dirigidos respectivamente pelo argentino Eduardo Coudet, 46, o catalão Domènec Torrent, 58, e o argentino Jorge Sampaoli, 60.

Exceção feita a Diniz, no São Paulo, e Hellmann, no Fluminense, a geração que pintava como um sopro de renovação no futebol brasileiro está espalhada por equipes que não faziam parte da formação original do finado Clube dos 13 – união das agremiações financeiramente mais poderosas do Brasil- ou sem emprego.

Carille, que puxou a fila, demitido no Corinthians, foi trabalhar na Arábia Saudita. Jair Ventura (Sport), Maurício Barbieri (Red Bull Bragantino) e Rogério Ceni (Fortaleza) estão na Série A. Osmar Loss voltou à base do Corinthians. Zé Ricardo, Roger Machado, Thiago Larghi, Alberto Valentim e Tiago Nunes estão desempregados.

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No fim do ano passado, Zé Ricardo chegou a assumir o Internacional por apenas 11 jogos, para concluir a temporada, classificar o time à Copa libertadores e entregar o cargo ao argentino Coudet.

O carioca considera ter sido uma honra, embora tenha “certeza de que não era a situação ideal”. Neste ano, ele realizou um intercâmbio em clubes da Itália. Como muitos de sua geração, espera uma oportunidade boa, com “condições de fazer um trabalho de médio/longo prazo”.

Já Maurício Barbieri, outro promovido e depois demitido pelo Flamengo, agora tenta realizar esse trabalho no Red Bull Bragantino. Desde que foi despedido do clube carioca, ele passou por Goiás, América-MG e CSA, percebendo que a falta de paciência pode ser pequena também em equipes menores.

Maurício Barbieri comanda o Red Bull Bragantino. Foto: Divulgação/RB Bragantino.

“Os treinadores mais novos sofrem com uma desconfiança maior por parte da torcida e da imprensa. Assim, a pressão recai sobre a diretoria, que não banca a permanência”, observou, quando começou a onda de demissões dos comandantes considerados inexperientes.

Entre os jovens treinadores, Ceni tem agora mais moral do que boa parte da turma e está em alta. Ele fracassou no São Paulo e no Cruzeiro, mas faz seu segundo trabalho sólido no Fortaleza, onde já conquistou quatro títulos, o que tem chamado a atenção de outras equipes e no próprio Morumbi.

De qualquer maneira, parece claro que arrefeceu o momento de renovação no comando técnico das equipes brasileiras, e os jovens que pintaram como solução não estão com o prestígio de que dispunham há dois anos.

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