A chegada da Copa do Mundo parece ter sido um alento para os torcedores do futebol paranaense. Afinal, o momento dos nossos clubes não é nada bom. Na Série D, Cianorte, Maringá e Prudentópolis já foram eliminados. Na Série A, Atlético e Paraná Clube passarão todo esse mês na zona de rebaixamento, enquanto Coritiba e Londrina estão fora do G4 da Série B. A única exceção é o Operário, que vem dando mostras que brigará pelo acesso na Série C.

Mas é muito pouco. Um Estado que nos anos 1990 e no começo deste século se acostumou a ter três times na elite do Brasileirão, de repente não mostra forças para fazer uma participação digna. E é fiasco atrás de fiasco.

Considerado a sensação do futebol brasileiro no começo da temporada, o Furacão passou a ser uma grande decepção, para não dizer vergonha. Teimando em um padrão de jogo que nitidamente não dá certo, Fernando Diniz colocou o time de líder na primeira rodada para terminar na zona de rebaixamento a primeira parte do Brasileirão.

O Tricolor, apesar de limitações maiores, demorou pra engrenar. Dá mostras que pode melhorar, mas vai tentando recuperar o tempo perdido após erros na formação do elenco, ainda no começo da temporada.

Na segunda divisão, o Coxa era visto como um dos favoritos, principalmente por ter o maior orçamento da competição, mas não vem refletindo isso em campo. Ganhou, é verdade, em casa, mas sem convencer. Fora, vem penando ainda mais.

Os três apenas refletem a fase negativa do Estado. A última vez que algum clube daqui fez bonito foi em 2013, quando o Rubro-Negro chegou à final da Copa do Brasil e terminou o Campeonato Brasileiro em terceiro. Em 2016, o mesmo Atlético conquistou uma vaga na Libertadores – e com méritos -, mas graças também à mudança do regulamento em meio à competição.

Histórico de queda

Desde 2005 não temos o Trio de Ferro na elite juntos. Chegamos ao ponto de ter apenas um em 2010 e em 2012. E a situação parece que só piora. Hoje, os três estariam juntos na Série B em 2019, juntamente com o Londrina, outro que, após dois bons anos na Segundona, vai decepcionando e olhando mais pra baixo do que pra cima. Muito também pelo pífio desempenho em casa, no campo, com várias derrotas, e fora dele, com a torcida sequer indo ao estádio apoiar a equipe.

Campeão Paranaense em 2015, da Série D em 2017 e da Segunda Divisão do Estadual nesta temporada, Operário agora está brigando fortemente pelo acesso à Série B. Foto: José Tramontin/OFEC
Campeão Paranaense em 2015, da Série D em 2017 e da Segunda Divisão do Estadual nesta temporada, Operário agora está brigando fortemente pelo acesso à Série B. Foto: José Tramontin/OFEC

Problemas no campo que são refletidos pela incompetência nas administrações – do presente e do passado -. Erros em contratações, gastos desnecessários, preocupações fora do futebol. Tudo isso minou os três, cada um à sua maneira. Hoje, Coritiba e Paraná Clube são clubes quase sem dinheiro e com dívidas absurdas.

Mesmo assim, existem outros exemplos, que mesmo com até menos dinheiro, fizeram campanhas dignas, como Chapecoense, América-MG e Avaí, que, recentemente, conseguiram resultados até mais expressivos. O que mostra que é possível fazer futebol com outras alternativas.

Exceção

Talvez o único paranaense que tenha o que comemorar recentemente é o Operário. De 2015 pra cá, o Fantasma já conquistou quatro títulos e vai despontando na Série C. Neste período, amargou um rebaixamento no Campeonato Paranaense, mas voltou com tudo e, no momento, é o vice-líder da terceira divisão, sonhando com o acesso à Série B, que tem condições de ser realidade.

Pouco, para um Estado bicampeão brasileiro e que já bateu de frente com clubes de maior expressão.