A Federação Paranaense de Futebol (FPF) vai enviar à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um ofício para saber se há alguma irregularidade no patrocínio de uma mesma marca de produtos alimentícios aos árbitros do Campeonato Paranaense e também ao Maringá Futebol Clube.

No dia 25 de janeiro, a Tribuna do Paraná publicou uma matéria falando sobre o patrocínio da Zaeli, que assim como estampa as camisas do time do Maringá, tem seu logotipo presente no uniforme dos árbitros da competição. Apesar de não existir nenhuma determinação no regulamento do Campeonato Paranaense 2019 sobre a restrição de patrocinadores, o Regulamento de Organização de Arbitragem da FIFA, entidade máxima do futebol, traz limitação. O item 3 do artigo 15 do regulamento diz:

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“Anúncios de patrocinadores nas camisas de árbitros serão permitidos somente se não criarem conflitos de interesses com nenhum dos times participantes. Caso isso aconteça, o árbitro não deve utilizar nenhum anúncio na camisa”.

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Wiliam Hosaka, advogado da FPF, esclareceu que a captação dos patrocínios dos juízes é feita diretamente pela Associação Profissional dos Árbitros do Paraná, a APAF, e que portanto não há nenhuma ligação financeira entre a FPF e APAF. O porta-voz explicou, inclusive, que a remuneração feita aos árbitros nos jogos de futebol, devido a atuação dos profissionais, é feita pelos próprios clubes e que a FPF não tem nenhum tipo de acordo financeiro com marcas.

Para esclarecimentos, Hosaka afirmou que a FPF que solicitou formalmente à APAF o contrato do patrocínio para análise e que já recebeu resposta. Agora, a instituição responsável pela regulamentação do futebol no Estado encaminhará um ofício à CBF para verificar como proceder.

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“Esse documento que estamos encaminhando serve apenas para entender como este caso deve ser tratado, até para termos esse precedente e saber como agir futuramente”, disse Hosaka, que garantiu que não existe a possibilidade de haver qualquer tipo de punição.

“A Federação não tem nem o poder para punir administrativamente nenhuma instituição nesse caso. O ofício não tem essa finalidade”, detalhou.

Respaldo dos árbitros

O advogado da APAF, Eduardo Vargas, detalhou que o dinheiro arrecadado com os patrocínios não é repassado aos árbitros, já que toda a verba é direcionada para a associação. A instituição utiliza o montante para dar suporte aos profissionais, comprando materiais como uniformes, equipamentos esportivos, custeando treinos e cursos, além de oferecer assistência médica, odontológica e jurídica aos associados. Vargas afirmou que não existe nenhum repasse da verba.

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“Já enviamos à FPF todos os esclarecimentos. Não há qualquer tipo de conflito de interesse em contarmos com o patrocínio da Zaeli, pois os árbitros sequer têm acesso a qualquer dinheiro”, enfatizou. Ambos advogados pontuaram que o caso citado da Crefisa, na matéria anterior, não tem nenhum tipo de semelhança com o caso Zaeli, já que a Operadora de Crédito tem uma influência direta na diretoria do Palmeiras, ao contrário do que acontece no Paraná.

Maringá também possui o patrocínio da Zaeli em sua camisa. Foto: Albari Rosa.
Maringá também possui o patrocínio da Zaeli em sua camisa. Foto: Albari Rosa.

Por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa, o Maringá FC também refutou qualquer tipo de ligação com a  APAF. “Primeiramente o regulamento do Campeonato Paranaense não proíbe uma empresa patrocinar um clube e a arbitragem. Segundo que, quando fechamos o patrocínio, antes mesmo de inciar a competição, não sabíamos que a Zaeli também patrocinaria a arbitragem e não achamos, em hipótese alguma, que há conflitos de interesses”.

A empresa Zaeli, que já tem uma parceria com a APAF desde 2018 e este ano seguiu para seu segundo contrato, já havia se posicionado sobre o caso. Por meio de seu departamento de marketing, enfatizou não haver conflito de interesse em relação aos patrocínios, uma vez que não sofreu nenhum veto da FPF. Com o Maringá, o patrocínio teve início em 2019. A Zaeli também mantém patrocínios de times em outros Estados.

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