Bastou a diretoria anunciar a efetivação de Andrade no comando do Flamengo para a magia sumir. A zebra passeou no Maracanã, neste domingo, e o time da casa sofreu para empatar com o Náutico, até então lanterna do Campeonato Brasileiro.

Com o resultado, os cariocas chegaram aos 24 pontos, mas caíram na tabela. Os pernambucanos somam 12 pontos e deixaram a última colocação para o Fluminense. “Sentimos o cansaço de jogar na quinta-feira à noite [contra o Atlético-MG]. Eles descansaram um dia a mais e correram muito, mesmo com um a menos”, justificou o zagueiro Ronaldo Angelim.

No início da partida, o Flamengo fez o que se esperava dele. Foi para cima, tentando sufocar o acuado adversário. Logo aos 4 minutos surgiu o que seria a melhor chance dos cariocas na primeira etapa. O zagueiro Welinton tabelou com Adriano e chutou com força, rente ao travessão.

Mas foi só o que os cariocas produziriam de destaque. Inexplicavelmente, cederam com a pressão e deixaram o Náutico se posicionar em campo. Tanto pior que havia um enorme buraco na intermediária do Flamengo, em virtude dos avanços dos volantes Toró e Willians.

A punição viria aos 23. Gilmar acertou um chute preciso de fora da área. A bola passou entre as pernas de Leonardo Moura e entrou no canto de Bruno, sem defesa.

A lua de mel entre o time e a torcida não suportou mais do que os primeiros 45 minutos. Sob vaias, a equipe foi para o vestiário cabisbaixa. “Estamos mal, as vaias são compreensíveis. Temos de melhorar no segundo tempo”, admitiu o meia Kléberson.

Mas não foi o que aconteceu. Mesmo pressionando e buscando o empate, o Flamengo era desorganizado em campo. Nem a entrada de Petkovic no lugar do zagueiro Fabrício melhorou o panorama. Gilmar, o único ponto de brilho dos pernambucanos, quase ampliou aos cinco minutos.

A oportunidade de reação surgiu num lance inusitado. Vágner Silva trocou o calção dentro de campo e o árbitro, alertado pelo quarto árbitro, deu o segundo cartão amarelo e expulsou o jogador.

A vantagem numérica de pouco adiantou. O meio-campo continuava uma aridez de criatividade e talento e deixava a defesa desguarnecida. Não fosse um erro na saída de bola de Cláudio Luiz, aos 35, o Flamengo seria derrotado. Petkovic pegou a sobra e chutou forte. Gleidson espalmou e Leo Moura empatou.

Muito vaiado durante todo o jogo, o lateral soltou palavrões fortes em direção a sua torcida. Na base do abafa, os cariocas tentaram a virada, mas os pernambucanos se seguraram bem e comemoraram o ponto conquistado no Maracanã.

Na próxima rodada, o Flamengo vai enfrentar o Goiás, no Serra Dourada, na quarta-feira. O Náutico tentará deixar as últimas posições diante do Corinthians, no mesmo dia, no Estádio dos Aflitos.

Ficha Técnica:

Flamengo 1 x 1 Náutico

Flamengo – Bruno; Welinton, Fabrício (Petkovic) e Ronaldo Angelim; Leonardo Moura, Willians, Toró (Camacho), Kléberson e Everton; Zé Roberto (Bruno Paulo) e Adriano. Técnico: Andrade.

Náutico – Gleidson; Vágner Silva, Asprilla, Cláudio e Patrick. Nilson, Derley, Juliano (Douglas Maia) e Anderson Santana; Márcio Barros (Michel) e Gilmar. Técnico: Geninho.

Gols – Gilmar, aos 23 do primeiro tempo. Leonardo Moura, aos 35 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos – Willians, Toró (Flamengo); Anderson Santana e Juliano (Náutico).

Cartão vermelho – Vágner Silva (Náutico).

Árbitro – Sandro Meira Ricci (DF).

Renda – R$ 687.068,00.

Público – 41.672 pagantes.

Local – Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).