Weggis – O volante Edmilson disse ontem, logo depois de ser cortado da seleção brasileira, por causa de uma lesão nos menisco do joelho direito, que voltará à seleção brasileira no futuro para ser campeão novamente. ?Estou indo embora, mas vou voltar para a seleção e ganhar muitos títulos ainda?, afirmou o jogador, de 29 anos, que foi titular na equipe na Copa de 2002.

Edmilson foi às lágrimas durante a rápida entrevista coletiva que concedeu em Weggis, na Suíça, onde a seleção está concentrada em preparação para a Copa. ?Ainda estou meio anestesiado?, reconheceu o jogador, que disse ter sentido a contusão pela primeira vez em abril, após o segundo jogo do Barcelona contra o Milan, pela semifinal da Liga dos Campeões. ?Não me contundi aqui?, afirmou.

Em 2004, logo depois de ser contratado pelo Barcelona, Edmilson sofreu uma lesão no ligamento cruzado que o deixou de fora dos campos por oito meses e meio. Durante essa fase, Parreira falou várias vezes que contava com ele para a Copa.

?É duro, porque tive uma lesão muito grave e batalhei muito para chegar aqui?, explicou o volante.

Edmilson decidiu ir embora ainda ontem, em vez de permanecer com a seleção. ?Quando eu estou em alguma coisa, estou por inteiro. Não agüento ficar aqui sem poder jogar?, afirmou. Mas assegurou que, mesmo longe, estará torcendo pela conquista do hexa. ?O grupo me deu muito apoio. Estou indo, mas o meu coração vai ficar aqui com o pessoal?, disse o jogador.

Revelado nas categorias de base do São Paulo, Edmilson foi convocado para a seleção pela primeira vez em 2000, por Vanderlei Luxemburgo. Na terça-feira, diante do Lucerna, disputou sua 37.ª partida pela seleção – 33 delas em jogos oficiais.

Curinga

Embora fosse reserva, o volante tinha importância nos planos de Parreira, pois era o curinga do time, por atuar no meio-campo e na zaga.

O médico da seleção, José Luiz Runco, afirmou que optou pela saída do jogador do Barça depois de analisar exame de ressonância magnética feito ontem à tarde em seu joelho. ?Ele chegou com algumas dores e, nos primeiros treinos, o joelho ficou inchado, mas fizemos tratamento e o local melhorou?, contou Runco. ?Depois do amistoso, o Edmilson voltou a reclamar e, por isso, resolvemos fazer a ressonância.?

O médico deixou claro que a recuperação até poderia ocorrer durante a Copa, mas preferiu não arriscar. O curioso é que a comissão técnica sempre afirmou, com orgulho, desde a chegada a Weggis, que não havia nenhum problema no elenco.

Cortes são históricos

Cristian Toledo

O corte de Edmilson – uma surpresa para quem não acompanhava as minúcias do dia-a-dia da seleção brasileira -reforça uma tese de pelo menos 40 anos e 11 Copas do Mundo (contando a que começa na semana que vem). Há sempre um jogador importante cortado às vésperas da competição. Há antecedentes ainda mais longínquos, mas é de 1966 para cá que a ?tradição? se repete.

A primeira vez que se identificou uma ausência por contusão foi na Copa de 1950, realizada no Brasil. O técnico Flávio Costa contava com as presenças dos pontas Tesourinha pela direita e Rodrigues pela esquerda. Mas ambos se lesionaram, obrigando o treinador a fazer uma ?engenharia? para montar o ataque.

A série de cortes para valer começou em 1966, na Inglaterra. Depois de convocar 44 jogadores, Vicente Feola chamou às pressas Amarildo, o ?Possesso? de 62 e então astro do Milan. Mas o atacante logo se machucou e acabou sendo cortado.

Quatro anos mais tarde, o ainda técnico João Saldanha cortou o zagueiro Scala e o atacante Toninho. Já no México, Zagallo perdeu o ponta-direita Rogério.

Em 1974, na Alemanha, Zagallo teve que mudar o esquema defensivo que dera certo em 70 por causa de Clodoaldo, que se machucou. Ele recolocou Piazza como volante e escalou Marinho Peres e Luís Pereira na defesa. Outro afastado foi o goleiro Wendell.

Na Argentina de 1978, a ausência foi de Nunes. Ele disputava a posição com Reinaldo – mas quem acabou jogando mais foi Roberto Dinamite, que virou titular com uma ?mãozinha? do então presidente da CBD Heleno Nunes. Dinamite foi de novo chamado às pressas em 1982, na Espanha, para a vaga de Careca, cortado na véspera da estréia da seleção de Telê Santana contra a União Soviética.

Voltou-se ao México em 1986 e Telê ficou sem Toninho Cerezo, Dirceu e Mozer, lesionados. Foram cortados por indisciplina os pontas Éder e Renato Gaúcho. E Leandro abandonou a seleção em solidariedade a Gaúcho. O lateral Édson também se machucou e aí surgiu o ?cometa? Josimar.

Na Copa de 1990, na Itália, Sebastião Lazaroni apostou em Romário, recém-recuperado de uma fratura, mas não pôde esperar por Mozer, de novo cortado. Quatro anos mais tarde, na conquista nos Estados Unidos, Carlos Alberto Parreira perdeu seus dois zagueiros titulares, Ricardo Rocha e Ricardo Gomes. Sorte dele que Aldair e Márcio Santos se firmaram e foram peças importantes do tetra.

Em 1998, a situação mais dramática. Zagallo já ficara sem Márcio Santos, e teve que dispensar Romário, que anunciou sua saída em rede nacional. E em prantos. Emerson foi chamado em seu lugar – e quis o destino que logo ele, capitão do time às vésperas da estréia em 2002, se machucasse e acabasse cortado.

Cafu tentou segurar a barra

Weggis – Cafu, capitão da seleção brasileira, foi o primeiro jogador a ser avisado do corte de Edmilson. Como líder da equipe, o lateral conversou com a comissão técnica e pediu a José Luiz Runco, médico principal da CBF, que esperasse mais um tempo antes de decidir pelo corte do volante. Sem sucesso. ?O Cafu tentou argumentar, queria que o Edmilson ficasse no grupo, fez aquilo por emoção?, contou Rodrigo Paiva, assessor de imprensa.

O atleta do Barcelona se disse emocionado com a atitude do amigo e fez questão de elogiar seu espírito de companheirismo, antes de embarcar rumo ao Brasil. ?Tiro o chapéu para o Cafu, é um cara que já era meu ídolo antes e agora é ainda mais?, afirmou o ex-são-paulino. ?Quando me disseram que a melhor opção era o corte, ele meu deu muita força.?