Os técnicos Bonamigo e Cuca voltam a se
enfrentar, agora à frente de times paranaenses.

Olhe para qualquer revista esportiva da segunda metade da década de 80. Lá você encontrará o grande charme do clássico de hoje (16h) entre Coritiba e Paraná Clube: no time do Grêmio, Paulo Bonamigo e Cuca lado a lado em fotos, formando juntos o meio-campo tricolor. Ali já surgira uma amizade que manteve-se com o passar do tempo.

Paulo Afonso Bonamigo tem mais experiência. Ele estreou pelo Grêmio no fim dos anos 70, lançado por Telê Santana. Ainda jovem, pôde participar da fase mais gloriosa do time gaúcho, conquistando o título brasileiro de 1981, a Libertadores e o Mundial em 83.

Quando Alexi Stival, o Cuca, chegou ao Olímpico, Bonamigo já era um jogador experiente, uma das estrelas do time. Vindo do Juventude, o meia foi um dos destaques dos títulos seguintes do time gaúcho, que chegou ao hexacampeonato estadual e ao título da Copa do Brasil em 89.

Os destinos se cruzaram de novo anos depois. Bonamigo e Cuca também jogaram juntos no Internacional, e lá eles confessam que já falavam sobre tática. Eles aprenderam o gosto pelo futebol de resultados, pelo apuro tático e pela obsessão em treinamentos.

Os caminhos dos treinadores acabaram sendo semelhantes – com Bonamigo ?desbravando? as regiões para depois Cuca também fazer sucesso. Isso aconteceu no Pará e em Santa Catarina, e lá eles também se enfrentaram. A vantagem nesses confrontos é do comandante tricolor (2×1). Nessas ?batalhas?, eles aprenderam a manter uma amizade fora do campo.

Aprenderam também a fazer mistério. No caso do Coritiba, apenas uma grande surpresa muda a formação, que terá a manutenção de Willians como novidade. No lado do Paraná, a expectativa é saber qual será a escolha: Fernandinho ou Émerson.

E com tamanho jogo de esconde-esconde, os treinadores foram as grandes estrelas da semana. Como bons amigos, o discurso acaba semelhante, sempre tentando desviar o foco da conversa. “Não vamos enfrentar o Cuca, e sim o Paraná”, afirma Bonamigo. “O nosso adversário é o Coritiba, não só o Bonamigo”, diz Cuca. Mesmo eles não querendo, foi assim até agora. E só vai mudar (será?) quando a bola rolar.

Coritiba na luta pela afirmação

Foi uma semana de muito treino, de muita expectativa e de poucas surpresas. Apesar do técnico Paulo Bonamigo não confirmar a equipe para o clássico, o Coritiba não deve ter grandes novidades na sua escalação. Com a participação normal de Adriano e Edinho Baiano no treino de ontem, a equipe só não terá seu onze titular porque Roberto Brum cumpre suspensão. Motivado e jogando em casa, o Cori quer vencer e arrancar no Campeonato Brasileiro.

Todos no Alto da Glória reconhecem que o time passou por duas provações – a primeira vitória sobre o Figueirense e o belo triunfo em Belo Horizonte contra o Atlético-MG. “Acho que essas vitórias deram a motivação que nós precisávamos”, afirma o lateral-direito Maurinho, que faz hoje sua estréia. Em apenas duas rodadas, o Cori passou da lanterna para o meio da tabela, afastando a possibilidade de crise.

Mas um clássico está prestes a começar, e é natural que tudo volte à tona. “É um grande teste para a gente, já que passar por um jogo dessa importância vai nos dar mais força para a seqüência do Brasileiro”, comenta Tcheco. Os bons resultados deram tranqüilidade para Bonamigo pensar nos primeiros postos na tabela.

Para conseguir nova vitória, Bonamigo aposta em um time equilibrado. Ao manter Willians no time, o treinador demonstra que quer, antes de mais nada, vencer o duelo na armação para anular as peças ofensivas do Paraná. “Esses duelos individuais podem fazer a diferença”, não se cansa de dizer Bonamigo. (CT)

Paraná busca a 1.ª  vitória fora

Irapitan Costa

Se “tabu” existe para ser quebrado, o momento do Paraná Clube não poderia ser melhor para colocar um fim no longo jejum de vitórias no Couto Pereira. Lá se vão quase sete anos de um jogo histórico para o Tricolor. Ricardinho, então uma das jovens promessas do clube, foi lançado na esquerda por Paulo Miranda e bateu cruzado para vencer Anselmo e confirmar o tetracampeonato estadual. Desde então, nada de vitórias no “território inimigo”.

O técnico Cuca prevê uma partida com muitos gols e aposta na boa fase de sua equipe, que só perdeu uma vez neste Brasileirão e vem se mantendo nas primeiras colocações. Esta é a meta do Tricolor. “O trabalho está sendo feito para que permaneçamos entre os oito melhores. É uma colocação que garante estabilidade e sustentação para uma arrancada no segundo turno, quando a coisa apertar”, ponderou o treinador paranista. Desta vez – e tendo pela frente o velho parceiro Bonamigo – Cuca optou por não abrir o jogo.

O time do Paraná só será oficialmente anunciado momentos antes da bola rolar. Cuca pode tanto lançar um time ofensivo – com Fernandinho no meio-de-campo – como compactar a marcação – neste caso, Émerson seria escalado. Se até o momento a ousadia tem sido a marca de Cuca no Paraná, desta vez ele deixa nas entrelinhas a possibilidade de se fechar. O zagueiro Cristiano Ávalos, recuperado de lesão, foi confirmado ontem pela manhã e forma dupla com Sandro Blum, que pela primeira vez inicia um partida como titular.

CAMPEONATO BRASILEIRO
7ª RODADA
CORITIBA x PARANÁ CLUBE

CORITIBA: Fernando; Maurinho, Danilo, Edinho Baiano e Adriano; Reginaldo Nascimento, Willians, Tcheco e Jackson; Lima e Marco Britto. Técnico: Paulo Bonamigo.

PARANÁ: Flávio; Milton, Sandro Blum, Cristiano Ávalos e Fabinho; Fernando Miguel, Goiano, Émerson (Fernandinho) e Marquinhos; Caio e Renaldo. Técnico: Cuca.

SÚMULA
Local: Couto Pereira (Curitiba).
Horário: 16h.
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (Fifa-SC).
Assistentes: Faustino Vicente Lopes (PR) e Aparecido Donizetti Santana (PR).