Luciano Gusso poderia estar comemorando o melhor ano da sua vida profissional como treinador de futebol. O caminho para o sucesso estava trilhado no comando do J. Malucelli, até aparecer o caso Getterson, que abalou o 2017 de Gusso e de quem fazia parte do futebol do clube do Barigui durante o Campeonato Paranaense. “Poderia ser campeão e de repente acabou”, resumiu o técnico.

Desempregado desde que o Jotinha fechou as portas, Luciano Gusso espera, em breve, voltar a fazer o que gosta. No restante da atual temporada, ele deu cursos de formação para treinador de futebol e passou semanas no Corinthians para conhecer de perto a metodologia de Fábio Carille, campeão brasileiro.

Desde a saída do J. Malucelli, Gusso foi procurado por clubes do Estado e de fora também, e, apesar da vontade de voltar logo à beira do gramado, ele ressalta sua filosofia.

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“Gostaria de voltar a fazer o que gosto, mas num clube que dê condição de um bom trabalho, que possa ter continuidade no trabalho. O sucesso está próximo se você tiver uma sequência onde você possa colocar sua ideia. E isso não se faz em dois, três meses, se faz em um tempo maior”, exemplificou ele, que chegou a negar trabalhos por terem contratos curtos.

O J. Malucelli fechou as portas após ser rebaixado para Série B no Paranaense 2016. O time foi punido com a perda de 16 pontos por causa da escalação irregular do atacante Getterson no Estadual. Gusso revelou que ficou chateado com a notícia da eliminação, pois as chances do sucesso eram grandes. Quando o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu pela perda dos pontos, o time já havia vencido o jogo de ida das quartas de final do Paranaense sobre o Londrina por 3×1, fora de casa.

Técnico vivia melhor fase da carreira e time vinha surpreendendo no Paranaense. Foto: Albari Rosa
Técnico vivia melhor fase da carreira e time vinha surpreendendo no Paranaense. Foto: Albari Rosa

“Ficamos muito tristes com tudo que aconteceu. Porque tinha uma consciência de que realmente podíamos chegar mais longe, uma semifinal ou, porque não, uma final e até mesmo sermos campeões. A cada jogo que se passava, principalmente momentos decisivos em jogos importantes, a equipe estava dando uma reposta muito boa”.

Em consequência do rebaixamento, em abril deste ano o clube encaminhou um ofício para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) dizendo que abriria mão da vaga conquistada no ano passado para disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. Essa foi a segunda notícia que abalou Luciano Gusso.

“Primeiro a notícia de fora do campeonato, a segunda teve a ver com série D. Essa abalou porque tínhamos um projeto de chegarmos entre o quatro (primeiros) e depois chegar mais longe. O objetivo principal era o acesso da D para C. Estava tudo planejado e traçado por nós”, relembrou.

Por fim, a notícia que mais surpreendeu o técnico de maneira negativa foi a decisão de acabar com o futebol do Jotinha. “Foi surpreendente. Independente de estar lá ou não, quase 14 anos dentro de uma equipe que dava condição boa de trabalho, pagava em dia, raridade no futebol brasileiro. Por ser sempre um lugar que abraçou muito bem os profissionais que lá estiveram”, confessou ele. “Acho que senti mais que outros por ter um apego e um carinho maior”.

Como prova do carinho, a esperança é que a decisão possa revertida. “Tomara que seja uma decisão que possa mudar futuramente. Pode ser que seja algo que o Jota possa estar trabalhando internamente para voltar mais forte”, projeta Luciano Gusso.