Peñarol x Athletico marcou o começo da segunda “era Paulo Autuori”. E não foi o início dos sonhos. O Furacão acabou perdendo de virada por 3×2 nesta terça-feira (20) em Montevidéu pela última rodada do grupo C da Copa Libertadores. O prejuízo foi enorme – a derrota, combinada com a vitória do Jorge Wilstermann sobre o Colo-Colo, tirou o primeiro lugar da chave, com o Rubro-Negro podendo enfrentar times como River Plate e Flamengo nas oitavas de final da competição. E decidindo fora de casa.

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A derrota passa por vários motivos: a decisão de preservar jogadores, as falhas técnicas e táticas do time montado pela dupla Autuori e Eduardo Barros, a carência de opções em setores importantes. E o resultado aumenta a pressão sobre o Athletico, agora sem vencer nas últimas sete partidas e com uma sequência de jogos decisivos pela frente.

Mistão a quatro mãos

Com o comando, digamos assim, compartilhado, o Athletico entrou com uma equipe totalmente diferente. Além de preservar os titulares que sequer viajaram para Montevidéu, ainda houve a bomba da tarde de terça, com os exames positivos para covid-19 de Lucas Halter e Walter. Com as ausências de antes e de em cima da hora, Paulo Autuori decidiu observar uma mudança profunda de sistema de jogo, saindo do 4-1-4-1 (ou 4-4-2, como nas partidas recentes), para o 3-4-3.

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Um sistema com três zagueiros e três atacantes precisa de defensores velozes, extremas que preencham o campo e atacantes dispostos ao sacrifício do combate adiantado. Se não, fica um time preso às posições e que não abre espaços. Para contar com Lucho González nesse esquema, por exemplo, seria preciso que alguém corresse por ele – ou ‘alguéns’, que seriam Fabinho e Richard. Olhando para o elenco principal, é uma opção que exige treino.

Peñarol x Athletico: o jogo

Só que toda a mudança tática não resistiu a três minutos de pressão. Ainda se adaptando ao novo sistema, o Athletico foi envolvido, Santos fez um milagre, a zaga toda parou no escanteio e no cruzamento seguinte Formiliano fez 1×0. Com a necessidade de sair para o jogo, o Furacão estava com desequilíbrios táticos – na direita da defesa, Khellven e Felipe Aguilar não se entendiam; na esquerda do ataque, Lucho estava jogando de ponta.

Richard e Lucho combatem Terans. Foto: Divulgação/Conmebol

O sistema de marcação não funcionava, as recomposições eram confusas, o Peñarol usava com facilidade os lados do campo. O balanço defensivo não existia. Eram as agruras de um time que nunca jogou junto em um sistema treinado por um dia, no máximo dois. Erick e Nikão se desdobravam para dar dinâmica ao Furacão.

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Lucho não conseguia jogar na extrema. Ele foi para o meio do ataque junto com Bissoli, abrindo a ponta para Fabinho e voltando o esquema para o 4-4-2. Era mais lógico com as peças em campo, e não à toa o gol saiu justamente com o camisa 3, após a assistência de Nikão. Na frente, as coisas estavam mais ou menos arrumadas. E com um pouco de organização veio a virada no belo chute de Richard.

Etapa final

O primeiro tempo de Peñarol x Athletico terminou com vantagem rubro-negra, mesmo com as tremendas dificuldades defensivas. Até por isso o posicionamento com duas linhas de marcação ficou mais evidente no retorno do intervalo. Mas o que parecia um jogo controlado passou a ser perigoso, com os erros de passe e de posicionamento. Por conta da saída partindo da defesa, os uruguaios conseguiram pressionar até o empate, que veio com Kagelmacher numa bobeada de marcação na bola parada.

Quando o Peñarol já era melhor, Eduardo Barros e Paulo Autuori resolveram começar as alterações. Primeiro com Bruno Leite no lugar de Bissoli. Depois Ravanelli e Carlos Eduardo nas vagas de Lucho e Nikão. Mas o problema defensivo persistia, e nas costas de Fabinho e Zé Ivaldo veio o cruzamento para Britos virar de novo a partida. Os donos da casa foram melhores na maior parte do jogo e conseguiram a vitória. E Paulo Autuori começou a ver o tamanho de seu desafio.

Valeu, Bolinha!

Não podia terminar esse texto sem falar da aposentadoria do massagista Bolinha. Desde que chegou ao Athletico, lá em 1993, ele se tornou uma marca, tão ídolo quanto jogadores, técnicos ou mesmo o presidente do clube. Venceu batalhas pela saúde, deu shows em campo, foi um lorde com todos que o procuravam. Com a aposentadoria dele, perdemos um pouco do futebol paranaense raiz. Que venham muitos anos de vida mansa, Bolinha!