Passamos os últimos dias tentado assimilar todas as novidades envolvendo a volta do Campeonato Paranaense – que teve até aquela ideia insólita de jogar em Santa Catarina. E nessa história, surpreendeu a defesa veemente e agressiva de Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico. Em entrevista à rádio Transamérica na última sexta (10), ele afirmou que a competição tinha que voltar imediatamente e que a transferência de jogos para Joinville seria um “tapa na cara dos políticos do Paraná”.

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+ No podcast De Letra, a segunda parte do papo com o Valmir Gomes!

Vamos aos fatos. Como todo mundo sabe, a curva de crescimento de casos do novo coronavírus no Paraná continua assustadora. Não respeitamos quarentena, usamos a máscara de forma errada, há quem ache que tudo é uma conspiração. E o resultado é que o isolamento social continuou baixo e a covid-19 segue em alta.

Isto continua preocupando as autoridades. Mas a pressão fortíssima dos empresários levou o governo estadual a encerrar a quarentena restritiva – que só segue valendo no litoral. E se com controle as pessoas estão abusando da sorte, liberando geral vai ter gente achando que é ano novo e saindo às ruas só por sair. Nesse momento, todos serão responsáveis – e certamente todos vão querer fugir dessa responsabilidade. É nesse contexto de crise sanitária que o Campeonato Paranaense vai voltar neste final de semana.

Santa Catarina

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O exemplo do nosso vizinho mostra que estamos entrando em um campo minado. Um surto de casos de covid-19 nos clubes de Santa Catarina suspendeu o campeonato estadual por duas semanas. Há infectados inclusive no Joinville, o clube da cidade onde nossos dirigentes achavam que tá tudo bem pra jogar.

O retorno do Catarinense foi todo confuso. Funcionários da Chapecoense (incluindo atletas) testaram para covid-19 na terça-feira passada (7), jogaram na quarta (8) com o Avaí e tiveram a confirmação da doença na sexta (10). O atacante Roberto está internado. O presidente da federação local testou positivo, mas disse que a contraprova deu negativa. E após defender a continuidade do campeonato, foi pressionado a suspendê-lo.

Mário Celso Petraglia e os ‘homens-sim’

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Mário Celso Petraglia é um dos principais dirigentes do futebol brasileiro. Como falamos no podcast De Letra, ele pode ser não só o maior nome da história do Athletico, mas também o cartola mais importante da história do futebol paranaense. Mas isso não lhe dá salvo-conduto pra falar bobagem, como falou na semana passada.

Apesar de toda a sua capacidade, Mário Celso Petraglia só se cerca de ‘homens-sim’. Se ele diz sim, os seus auxiliares também têm que dizer sim. E só dizem não quando o presidente diz não. Portanto, ele acha que só acerta quem concorda com suas opiniões. E digere mal quando é contrariado.

E desta vez não são as pessoas que discordam de Mário Celso Petraglia. São os fatos. Mesmo assim, ele acha que quem ‘atrapalha’ seus planos merece um “tapa na capa” – apenas metafórico, eu imagino. As atitudes prepotentes do cartola só reforçam a posição anticiência dos dirigentes do futebol brasileiro. E mostram como Petraglia, defensor ferrenho da concorrência em todos os setores, não consegue admitir que haja uma opinião diferente da dele.


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