Bastou o nome de Ronaldinho Gaúcho ser especulado como um possível reforço do Coritiba para a torcida ficar em polvorosa. Desde a última quarta-feira (11), quando o colunista da Tribuna, Augusto Mafuz, revelou que o meia estava nos planos da diretoria, a repercussão só vem aumentando e os holofotes todos se voltando ao Coxa, mesmo que o acordo não tenha tido nenhuma evolução.

A ideia da contratação surgiu de Juliano Belletti, ex-jogador e comentarista e atual diretor executivo internacional do Alviverde. O objetivo era divulgar a marca do clube fora do Brasil. Os dois jogaram juntos no Barcelona, onde ganharam a Liga dos Campeões, e na seleção brasileira, na conquista do penta em 2002, e a ligação entre eles poderia facilitar o negócio. Em um primeiro plano, a ideia deu certo.

Por mais que a transação não se confirme, o Coritiba virou manchete nacional, com todos os meios de comunicação destacando a marca do clube, vinculada a um dos maiores ídolos recentes do futebol mundial. Em termos de marketing, o primeiro passo foi dado e ainda pode ser muito mais ampliado. Um acerto para Ronaldinho ser o camisa 10 certamente aumentaria as receitas do clube com camisas vendidas, torcedores se associando e Couto Pereira cheio nos primeiros jogos e podendo manter uma boa média de público à medida que o desempenho do jogador seguisse alto. Até por isso, na proposta estudada pelo Coritiba, além do salário fixo, que gira em torno de R$ 300 mil, além de participação com mais participações em venda de camisas e novos sócios.

Rendimento técnico

Porém, na segunda metade do plano vem a questão principal, o rendimento dentro de campo. Pela contratação com o peso que viria, Ronaldinho Gaúcho teia que ser utilizado com frequência como titular, até para ter o retorno no marketing. Mas, aos 36 anos, o meia deixa em dúvida se seria um ganho técnico.

Ronaldinho não joga uma partida oficial desde 26 de setembro de 2015, quando atuou por 45 minutos na vitória do Fluminense por 2×0 sobre o Goiás. Depois, rescindiu com o clube carioca, mas voltou a jogar pela equipe em janeiro em 2016, na Florida Cup, por conta do contrato. Desde então, participou apenas de jogos festivos. Além disso, no final de semana ele esteve com Zeca Pagodinho, pegando dicas para a carreira musical – para quem não sabe ele vem investindo para ser cantor, com direito a dueto com Wesley Safadão.

Outra questão é o interesse do técnico Paulo César Carpegiani em contar com o jogador. Se mantiver o esquema adotado em 2016, o treinador teria que utilizar Ronaldinho como meia de criação, uma posição carente no elenco no momento, o que facilitaria até a adaptação e a utilização dele em campo. O problema seria a condição física do atleta e se acompanharia a forma de a equipe jogar. Sem contar que tudo isso pode gerar um desgaste entre diretoria e comissão técnica e dar início a uma bola de neve.

A chegada de Ronaldinho quase obrigaria Carpegiani a escalá-lo como titular. Manter o meia no banco de reservas geraria um incomodo do camisa 10 e também afastaria a torcida, que iria aos jogos para ver Ronaldinho.

Outro ponto que pode pesar é com o elenco. Alceni Guerra declarou que falta ao Coritiba um ídolo. A afirmação não caiu bem com alguns jogadores do time, como o goleiro Wilson e o atacante Kléber, bastante identificados com o torcedor. Ou seja, Ronaldinho pode não chegar com as portas abertas pelo grupo e a convivência com o restante dos atletas pode ser tumultuado, lembrando o caso de Marcelinho Paraíba, que em 2009, apesar de corresponder em campo, gerou um desgaste no elenco, o que até pesou no rebaixamento do Coxa naquele ano.

Ou seja, se fora de campo a ideia já começou a dar certo, precisa ser avaliado se o investimento será compensado nas quatro linhas, com tudo que a chegada do novo camisa 10 pode trazer junto com ele.