O Coritiba agora terá que planejar 2020. Com o acesso, o clube volta à Série após dois anos. No último ano de mandato do presidente Samir Namur, a missão é outra. Mas, o que é preciso fazer para obter sucesso na elite? Veja as análises:

Cristian Toledo, comentarista da RPC e jornalista da Tribuna do Paraná
“O êxito do acesso não pode virar, usando um termo da moda, uma passada de pano em tudo que o Coritiba viveu nos últimos anos. Voltar para a elite era um sonho, mas ao mesmo tempo uma obrigação. Por isso, a comemoração é liberada para o torcedor, mas a diretoria tem que olhar para tudo que aconteceu desde 2017 para evitar a repetição de erros”.

“A temporada 2020 é de estabilização, de reorganização e principalmente de permanência na Série A – o que vier acima disso é lucro. O Coritiba não pode enlouquecer e gastar em excesso, mas também não pode se permitir não investir no futebol. Se este ano era decisivo para a sobrevivência do clube, o ano que vem vai ser decisivo para o futuro alviverde”.

Rodrigo Capelo, jornalista do Globoesporte.com e comentarista do Sportv
“O Coritiba tem problemas financeiros, mas não está em uma situação catastrófica como estou acostumado a ver. Se a gente olhar os quatro que estão subindo, o Bragantino tem a expectativa de investimento e deve alcançar o patamar do Bahia atualmente”.

“Já o Sport tem uma capacidade de gerar dinheiro muito próxima do Coritiba. Na Série A, essa situação é a de Fortaleza e Ceará. É com esses times que o Coxa deve brigar para tomar o seu espaço”.

Nivaldo, ex-goleiro e ex-diretor da Chapecoense
“Na Chape, com aquele time que subiu em 2013 e depois se manteve na Série A é que o grupo era mantido ano a ano. Chegavam peças pontuais, com salários que cabiam no patamar do clube. E na hora do pagamento, não tem negócio. Dia 5 é dia 5. Foi assim com o presidente Sandro Pallaoro [vítima do desastre aéreo, em 2016]”.

“Mas depois como diretor eu vi como é difícil. Neste momento tem que ter pé no chão. Não adianta fazer loucura, sair contratando jogadores caros e diretores que não conhecem o clube. Tem que ter paciência com alguns atletas. Porque contratar jogador caro é jogar dinheiro no lixo”.

Carneiro Neto, colunista da Gazeta do Povo
“A palavra para o Coritiba é projeto. Assim como o Athletico criou um projeto há 25 anos. Um projeto que engloba CT, estádio, reestruturação das categorias de base. Não adianta simplesmente ir contratando, trocando de técnico. O futebol mudou, não dá para improvisar. Não se faz mais milagre. Tem que ter projeto”.

“Sobre o elenco, esse time é horroroso. Você tira só meia-dúzia de jogadores que dá para aproveitar. É uma equipe muito desorganizada, desigual. Já o Jorginho é um técnico igual aos outros. Não é expoente na profissão, mas é um profissional correto”.