Menos jogadores e mais resultado. É uma constatação possível de fazer após avaliar o número de atletas usados pelo Coritiba nos últimos dez anos. Nas temporadas em que o time conquistou melhores resultados e jogou o melhor futebol da década, o elenco foi bem restrito. E neste 2019, o Coxa usou o menor número de jogadores em oito anos – e conquistou o acesso para a primeira divisão.

Foram ao todo 44 atletas utilizados nesta temporada pelos técnicos Argel Fucks, Matheus Costa, Umberto Louzer e Jorginho. A rotatividade foi grande: ninguém chegou perto de atuar nas 54 partidas que a equipe fez entre Série B, Campeonato Paranaense e Copa do Brasil. Quem mais jogou foi Juan Alano, 44 vezes, seguidos por Rodrigão, Giovanni (ambos com 42 jogos), Sabino (41) e Alex Muralha (35). A coincidência entre os cinco é que nenhum deles está garantido na próxima temporada.

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Juan Alano quer ficar, pois é torcedor alviverde. Mas o Internacional quer seu retorno, e a única possibilidade de viabilizar a permanência do meio-campista é inclui-lo na negociação de Guilherme Parede com o clube gaúcho. Giovanni e Muralha também pretendem continuar no Coxa, e a chance de isso acontecer é grande. Já Sabino e Rodrigão voltaram para o Santos e dificilmente retornam – o zagueiro porque saiu valorizado da Segundona, o atacante porque não interessa mais ao clube.

Os períodos de instabilidade que o Coritiba passou durante o ano explicam o fato de a equipe-base ter mudado bastante. Wilson, que normalmente é o que mais entrava em campo (foi assim em 2017 e 2018), teve lesões e depois foi emprestado para o Atlético-MG. Apenas Sabino pode ser considerado um ‘intocável’ durante toda a temporada, mas perdeu oito partidas na Série B. Alex Muralha, Rafinha e Robson se uniram a esse grupo, mas os três chegaram durante o ano.

Moacir e Willian Farias em 2014. Mas quem é o Moacir mesmo? Foto: Felipe Rosa/Arquivo

Nas temporadas anteriores, houve ainda mais atletas vestindo a camisa alviverde. Chegando ao extremo de 2013 e 2014, quando 53 jogadores foram aproveitados – desde ídolos como Vanderlei e Alex até hoje esquecidos como Anderson Bartola e Maiquinho. Nestes dois anos, o Coxa teve que lutar contra o rebaixamento no Brasileirão, o que fazia a diretoria tentar resolver com contratações no meio da competição. Evitar que isso aconteça é o objetivo de 2020.

Davi, Edson Bastos, Leonardo, Emerson, Lucas Mendes, Tcheco e Anderson Aquino comemorando o título paranaense de 2011. Foto: Antonio Costa/Arquivo

O exemplo a ser seguido está em 2010 e 2011. No primeiro ano, o Cori venceu Paranaense e Série B com sobras, sem correr riscos. O elenco montado por Ney Franco funcionou, e apenas 34 atletas foram utilizados. Ali também se montou a base da temporada seguinte – Edson Bastos, Pereira, Emerson, Léo Gago, Leandro Donizete, Rafinha, Davi, Marcos Aurélio. Campeão paranaense invicto, vice na Copa do Brasil e entre os primeiros na Libertadores, foi a melhor temporada da história recente do clube com apenas 35 jogadores usados. E uma lição de como fazer as coisas em 2020.

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