Um despretensioso amistoso entre os juvenis do Atlético e da AABB em 1993 quase mudou os rumos de um dos maiores nomes da história do futebol paranaense. O desempenho de um menino canhoto de 16 anos encheu os olhos dos dirigentes do Furacão da época. O interesse ajudou a escrever o capítulo definitivo para que a carreira de Alex fosse pintada em verde e branco na rivalidade Atletiba.

Alex ainda não tinha contrato profissional, o vínculo dele com o Coxa era apenas amador. Sem espaço no Alto da Glória, buscava melhor sorte em amistosos pela AABB. A associação era uma espécie de porto seguro para meninos sem oportunidades no Trio de Ferro. “Só segui por que eles me bancavam”, recorda Alex ao Paraná Online. Aqueles jogos com caráter de treino eram a oportunidade de transformar o próprio destino. O menino que viraria ouro não passou despercebido. A derrota da AABB por 4×1 para o Atlético, não impediu o protagonismo de Alex.

“Ele (Alex) foi o grande destaque desse jogo e a comissão técnica do Atlético gostou e fez uma pesquisa para saber se ele tinha inscrição em algum clube”, conta Abílio Bezerra, supervisor do Furacão em 1993 e atual comentarista da rádio Brasil Sul de Londrina. A primeira consulta foi com Adenir Souza, o pai de Alex. “Foi o pai dele que revelou o contrato com o Coritiba”, afirma o ex-dirigente.

O fato de estar ‘amarrado’ com o Coritiba impediu que Alex já treinasse no Atlético no dia seguinte. Para jogar no Furacão era necessária uma liberação. Constatada a inscrição de Alex no Coritiba, veio o segundo passo da ‘negociação’ que quase levou o camisa 10 para a Baixada. “O pai do Alex foi pedir a liberação e o Coritiba segurou o jogador na base”, diz Bezerra. Peça chave na história ocorrida há 23 anos ‘Seo’ Adenir lembra da procura do Atlético na ocasião. “É verdade, eles procuraram quando o Alex ainda era piá”.

A situação financeira de Atlético e Coritiba era precária, investir nas categorias de base não seduzia os dirigentes da época (até hoje eles não gostam). A engenharia para o Coxa ficar com a revelação não era financeira e sim emocional. “O Sisico não deixou ele sair do Coritiba”, lembra o pai de Alex.

Sisico até hoje é funcionário do Coritiba, atua como observador técnico das categorias de base. Em 1993, ele deu uma contribuição histórica para clube. Foi o já experiente ‘professor’ que convenceu Alex que o Couto Pereira era o melhor lugar para o seu futuro. “Fiquei por que amava o mestre Sisico”, confirma Alex. Foi nas caronas até Colombo que as histórias do mestre Sisico (hoje com 79 anos) fizeram com que Alex esquecesse os problemas contratuais. “O Coritiba me ofereceu o primeiro contrato em 1995, quando já treinava com os profissionais”.

Os conselhos de Sisico impediram uma transformação na história recente do futebol paranaense. “O Alex poderia jogar no Atlético e ter a mesma carreira de sucesso”, diz Abílio Bezerra. Ele não foi o único a tentar fazer a ponte Baixada-Couto Pereira para Alex. A sondagem aconteceu pelo menos mais duas vezes em 1991 e 1995.

O Atletiba de sábado será o 19º na carreira de Alex. Um jogo que pode ser definitivo para o rebaixamento ou não do Coritiba e que será lembrado pela despedida do craque do maior clássico do estado. Uma partida histórica, como aquele duelo entre os juvenis de Atlético e AABB de 1993.

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