Coxas enfrentarão Bonamigo pela 1ª vez.

Para a partida deste sábado, às 16h, contra o Atlético-MG, o técnico Paulo Bonamigo aposta em uma equipe de forte marcação e de velocidade no ataque. Há seis meses, essa poderia ser a definição tática do Coritiba, mas hoje é a forma como o rival do final de semana vai agir no Alto da Glória. Será a primeira vez que o treinador que levou o Coxa à Libertadores volta a Curitiba, fechando um ciclo.

O início da relação ?íntima? entre Bonamigo e Coritiba aconteceu em um jogo da Copa Sul-Minas de 2002, que não valia mais nada para Paraná Clube (dirigido por ele) e Cori. Mas a Vila Capanema foi palco de uma sonora goleada tricolor – 6×1, que acabou custando o cargo de Joel Santana. Para substituí-lo, a diretoria alviverde ganhou a queda de braço com o Atlético e contratou Bonamigo.

Ali começou o período de hegemonia do Coxa, que só se comprovou no campeonato paranaense de 2002. Nas outras competições, sempre os alviverdes estiveram à frente dos rivais. E, ano passado, o melhor momento do clube nos últimos dez anos: título estadual invicto e vaga na Libertadores, graças à quinta colocação no Brasileiro. “Ninguém pode negar que o Bonamigo fez um trabalho extraordinário no Coritiba”, elogia o técnico Antônio Lopes.

Ele, mais que todos, sabe do conhecimento que o ex-técnico tem da equipe. “Saber que ele será nosso adversário, como treinador do Atlético-MG, só me deixa mais preocupado. Ele trabalhou com muitos dos atletas que estão por aqui, e também sabe como são as reações no Couto Pereira”, comenta o atual treinador alviverde.

A diferença está no desenho tático. Bonamigo tinha como norma jogar com três zagueiros, e agora o Cori atua no 4-4-2. “O time mudou muito, e a tática também é diferente”, argumenta o goleiro Fernando, que depois lembra outro fator. “Mas, mesmo assim, ele sabe como a gente joga. Depois de dois anos aqui, com certeza ele tem alguns informantes”, reconhece.

Dos titulares de Bonamigo, apenas três estarão em campo no sábado – Fernando, Danilo e Adriano (Reginaldo Nascimento cumpre suspensão automática). “É estranho, porque ele estava conosco até há pouco. Mas a vida de quem vive no futebol é assim. Um dia é colega, no outro é adversário”, diz Danilo.

Adriano enfrenta outra emoção. Foi Bonamigo quem o lançou como titular, na metade de 2002. “Eu era juvenil, e ele acreditou em mim. Tenho muito carinho pelo professor Bonamigo”, diz o lateral, que volta ao time depois de um mês fora. “É uma coincidência incrível eu voltar justamente contra ele. Mas estamos agora em lados opostos e meu interesse é que o Coritiba vença”, finaliza.

A entrevista que não aconteceu

O silêncio é hoje o melhor amigo do ex-funcionário do departamento de futebol do Coritiba Fábio Zanetti. Procurado pela Tribuna para conversar sobre sua demissão, anunciada na segunda-feira, ele preferiu não dar entrevistas, alegando que tem amigos no clube e que não seria a hora de emitir qualquer comentário. É o final triste de um trabalho de longo tempo.

Zanetti estava no Coritiba há quase dez anos, sendo responsável nos últimos anos pelos registros de jogadores e pela administração das súmulas – os clubes recebem cópias para acompanhar os cartões amarelos e as suspensões. Ele passou por várias diretorias – que se são de um mesmo grupo político que comanda o Coxa desde 95, carregam muitas diferenças.

Pela qualidade do trabalho, muitos saíram e Fábio Zanetti ficou. Ele foi subordinado a profissionais reconhecidos nacionalmente como José Eduardo Chimello (hoje supervisor da Federação Paulista), outros nem tanto, como Roberto Silva (acusado de se beneficiar de contratos) e de Oscar Yamato, seu chefe desde 2000.

Até o início de abril, Zanetti não cometera nenhum ato falho de gravidade. Mas a não-conferência do Boletim Informativo Diário (BID) que elencava os jogadores aptos a disputar o Campeonato Brasileiro foi fatal. Alguns dirigentes garantem que, consultado, o ex-funcionário teria afirmando que estava tudo certo, e que não havia erros no BID.

Havia, e o Coxa foi denunciado pela Procuradoria do STJD. Prevendo talvez que uma demissão sumária fosse um atestado de culpa e sabendo que cabia recurso, a diretoria disse que não ia fazer alterações no departamento de futebol. Mas o presidente Giovani Gionédis acabou dando uma declaração decisiva na época. “Se houve falha, qualquer atitude sobre esse caso será tomada na hora certa”, afirmou.

A hora certa era agora, com os seis pontos que perdera no primeiro julgamento recuperados. A falha alegada acabou fazendo com que Fábio Zanetti deixasse o Coritiba. Mas, apesar de ter sido o ?sacrificado?, o ex-funcionário não quis falar. O espaço continua aberto.