Valquir Aureliano
Henrique, 19 anos,
ganhou a confiança de
Bonamigo pra ser titular.

O Coritiba encontrou um novo zagueirão ou é apenas fogo de palha? Se depender dos números e da avaliação de quem o comanda, Henrique tem tudo para brilhar cada vez mais no Alviverde. Cria das categorias de base e apontado como sucessor de Miranda,
o garoto de Colombo conquistou a camisa 3 e não deverá largar mais. Motivos para isso não faltam. Técnico, disciplinado, companheiro e candidato a novo líder da equipe fazem do defensor de apenas 19 anos aspirante a ídolo da galera coxa.

?Ele é um zagueiro no qual a gente tinha uma expectativa muito grande. Além disso, teve uma participação excelente na Copa São Paulo?, elogia Édson Borges, técnico dos juniores do Coritiba. Um dos responsáveis pela renovação pela qual o clube está passando em sua base, é ele quem aponta Henrique como novo Miranda – outro zagueiro que despontou no Alto da Glória, negociado com o Sochaux, da França. ?O Henrique é excepcional, tem uma qualidade muito grande e sempre se preocupou com o que estava fazendo de ruim para corrigir. Está num estágio que poucos atingiram e, depois do Miranda, está se tornando unanimidade?, analisa.

Que moral, hein, Henrique? ?Tive muitos anos de trabalho nas categorias de base, com muito empenho, muita dedicação para chegar na equipe principal. Vinha mostrando nos treinos que poderia chegar e isso me dá uma alegria imensa?, aponta. Isso não quer dizer que ele se acomodará. ?Tento melhorar cada vez mais para ter um trabalho bem visto por todos e manter o meu espaço. Sempre busco desenvolver mais de tudo um pouco. A cada dia de treino vou aprendendo mais?, garante.

Para o futuro, ele espera recompensar o clube com títulos. ?Meu contrato vai até 2009 e até lá quero trabalhar forte, me dedicar ao Coritiba e buscar bastantes títulos, que também são importantes para a carreira?, promete. Depois, quem sabe, a Europa. ?Tenho o pensamento de buscar um espaço fora e, por isso, tento fazer um trabalho sério aqui no Coritiba. O clube abre projeção no exterior. Muitos jogadores foram vendidos e isso facilita?, projeta.

Ídolo

?Desde a Copa de 2002, vejo o Edmílson jogar e tento me espelhar nele. Ele é um jogador que marca bem e sabe sair para jogar?, destaca. Isso não quer dizer que Henrique vá querer seguir todos os passos do zagueiro/volante do Barcelona. ?No infantil e no juvenil tentei jogar de volante, mas fui para a zaga mesmo.

Na Copa, ele jogou de zagueiro, saía bastante para o jogo e é isso que gosto de fazer?, finaliza.

Seguindo o ritmo do vanerão

Apesar de ter nascido em Marechal Cândido Rondon, Henrique vive em Colombo desde os três anos, com a família. Coincidentemente, é a cidade onde fica o CT da Graciosa e onde o zagueiro foi levado para tentar a sorte no futebol. ?Um conhecido do meu pai me trouxe para o pré-infantil do Coxa e, desde então, estou aqui na luta. Para chegar ao time principal foram oito anos de dedicação?, relembra o jogador alviverde, que passa as horas de folga ouvindo vanerão, passeando com a família ou assistindo a comédias no cinema.

Segundo Henrique, esse conhecido, que ele não lembra mais o nome, o viu jogar numa escolinha. ?O cara me viu e, do nada, ligou lá em casa e perguntou se eu queria fazer um teste no Coritiba. Falei que sim, fiz o teste no último dia de treino do ano e fiquei com o professor Miro e o professor Ananias?, diz. Desde então, foi crescendo e subindo de categoria até se destacar na Copa São Paulo deste ano e ser chamado para atuar no time principal.

Quando não está treinando, Henrique liga o aparelho de som. ?Cara, gosto de escutar muita música, sair com minha irmã pequena, passear, ir ao cinema, essas coisas?, revela.

No entanto, ao contrário do tradicional axé e pagode de grande parte dos boleiros, o zagueiro gosta mesmo é ouvir vanerão. ?Meu negócio é vanerão?, ri. Já nas telas, muita comédia. ?Gosto de rir bastante e procuro mais as comédias?, indica o filho de seu Nílton e dona Ilce e irmão de Ericson, Evelin e Elen.

Dirceu é a nova aposta

Se Henrique, Douglão, Ricardinho e tantos outros já são uma realidade, quem seriam os próximos candidatos a destaque das categorias de base do Coritiba? Para Édson Borges, técnico dos juniores do Alviverde, quem tem tudo para despontar ainda este ano é Dirceu. ?É um volante que está no primeiro ano de júnior, tem técnica muito boa e é uma grande aposta devido ao seu biotipo, porte físico e jogada aérea?, analisa o treinador.

De acordo com ele, Dirceu tem apenas 17 anos e já despertou o interesse da comissão técnica do time principal, que poderá fazer a promoção ainda este ano. No entanto, a categoria ainda tem outras boas promessas para o futuro. ?Estamos fazendo uma revolução nos juniores. Já tem o Douglas, o Henrique, o Carlos no time de cima. Temos ainda o Pedro Ken, que foi lançado precipitadamente, mas que está trabalhando bem para voltar e ficar?, projeta Édson Borges.

No time atual, Ricardinho, Egídio e Ânderson Gomes foram lapidados nos juniores do clube, tendo ou não iniciado a carreira no próprio Coxa. O clube ainda mantém no elenco os goleiros Vilar e Café; o zagueiro Vágner; os laterais Carlão, Fabinho e James; os volantes Mancha e Peruíbe; os meias Renan e Marlos, e o atacante Keirrison, oriundos das categorias de base da Graciosa.