Muitos são os jogadores que passam pelos clubes de futebol, porém poucos são aqueles que deixam seu nome registrado na história. Barcímio Sicupira faz parte de um time seleto de atletas que viraram lenda no mundo da bola. Com um importante legado no nosso futebol, o eterno craque da camisa 8 levou o nome do Paraná por diversos cantos do Brasil. Para ele, o motivo de ter tido uma trajetória tão vitoriosa é porque sempre teve muita fome de bola.

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“Eu jogava porque tinha prazer de jogar. Qualquer peladinha eu queria fazer gol. Foi assim desde o começo da minha vida até o fim da minha carreira”, contou Sicupira, que teve um incentivo especial para viver no futebol. O pai, o velho Barcímio, tinha verdadeira adoração pelo esporte e sonhava em ter um filho jogador. “Um dos primeiros presentes que o meu pai me deu foi uma bola. Eu amava tanto o futebol que eu vivia com uma bola no pé. Meu irmão até para andar pisava torto, então meu pai quando viu que eu tinha jeito, me incentivou”, lembrou o jogador que, neste ano, completou 50 anos de sua estreia com a camisa do Rubro-Negro.

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Apesar de ter seu nome no hall da fama do Atlético, como o maior artilheiro do time na história, com 154 gols, Sicupira teve passagens importantes defendendo outros escudos, entre eles o estrelado Botafogo de 64, repleto de craques da seleção brasileira como Garrincha, Didi e Zagallo, que trouxeram o bicampeonato mundial ao país.

Sicupira relembra time histórico do Botafogo. Foto: Denis Ferreira Netto.
Sicupira relembra time histórico do Botafogo. Foto: Denis Ferreira Netto.

Há quem não saiba, mas o consagrado ex-jogador chegou a jogar na escolinha do Coritiba quando pequeno. Porém foi no Ferroviário, um dos times que originou o Paraná Clube, que a estrela do craque começou a brilhar, desde sua estreia como profissional, quando já começou como titular e deixou ali sua marca: um belíssimo gol de bicicleta. No Boca Negra ele vestia a camisa 9.

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“Sicupa”, como é chamado pelos amigos, defendeu o Ferroviário de 1962 a 1964. Já despontando com seus lances ousados, sua velocidade e seu porte físico, chamou a atenção de um olheiro e então foi para o Botafogo onde permaneceu de 64 a 67. Na sequência, foi para o Botafogo de Ribeirão Preto, de 1967 a 68. O seu time seguinte foi aquele em que deixaria seu nome gravado na história: o Clube Atlético Paranaense.

A estreia no Rubro-Negro foi no dia 2 de setembro de 1968 e por lá o camisa 8 permaneceu até 1975, quando encerrou a carreira. Ele apenas esteve longe do Furacão durante esse período em 1972, quando por empréstimo defendeu o Corinthians por uma temporada.

“Isso tudo aconteceu e eu não senti. Uma pena que a vida passa tão rápido, porque eu gostaria de ter começado agora. Não porque hoje o jogador ganha uma fábula, mas para viver aquele ambiente. Você entra em campo sendo um reles mortal, você sai dele com o povo te aplaudindo, manifestando um carinho por você. Não tem preço”, disparou.

Foto: Denis Ferreira Netto.
Foto: Denis Ferreira Netto.

Golaços

Entre tantos gols carimbados ao longo da carreira, que nem mesmo ele sabe contar quantos, tem um que ficou assinalado em sua recordação. “O gol mais bonito que eu fiz foi no Ferroviário. Dei três chapeuzinhos seguidos sem a bola cair. Dois pra frente e um para a esquerda, aí bati de pé esquerdo e a bola foi no ângulo”, descreveu Sicupira, lamentando não ter o registro fotográfico daquela ocasião. “É uma pena que não tenha fotografia desse gol. Foi tão especial, que quando eu saí do estádio, a torcida começou a me dar dinheiro pelo alambrado. Cheguei no vestiário com um ’bolo’ de notas. Eles vibraram tanto que não sabiam como me agradecer”, recordou com carinho.

Foto: Denis Ferreira Neto. Arte: Cláudio Doggy
Foto: Denis Ferreira Neto. Arte: Cláudio Doggy

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Sicupa nunca passou ‘em branco‘ em suas estreias nas equipes por onde passou. “Nada melhor para um atacante do que fazer gol na estreia e eu fiz gols em todas as estreias que eu tive. Todas, todas, todas!”, enfatizou, repetindo o feito. O ex-jogador conta que decidiu pendurar as chuteiras quando viu que já não poderia render tanto em campo. “Como eu tinha visto alguns ex-jogadores em algumas partidas de veteranos e a maioria com muita dificuldade, prometi que aquilo não aconteceria comigo. Então chegou um dia eu parei. Se a bola viesse em minha direção, eu abria a perna e deixava ela passar”, explicou ele, que sente-se grato pelo caminho que percorreu. “Fui longe, o que para mim é um orgulho porque trabalhei muito”, disse o hoje comentarista.

Pouco depois de deixar os gramados, Sicupira virou comentarista. Começou na televisão e, depois de passar por diversos veículos, hoje está na rádio Banda B. E se hoje Sicupa é lembrado e aclamado, ele brinca que pretende viver muitos e muitos anos antes de ser considerado um mito. “O perigo é esse… Quando falam que você está virando uma lenda”, finalizou.

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