O Brasil chega aos Jogos Olímpicos do Rio com uma delegação recorde em número de atletas brasileiros e também de estrangeiros. Dos 465 competidores do Time Brasil, 23 nasceram fora do País. Alguns deles foram criados em terras brasileiras, mas a maioria cresceu no exterior e só durante a preparação para o Rio-2016 começou a defender o País.

Rosângela Santos, por exemplo, é carioca da gema, neta de fundadores da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Mas ela nasceu nos Estados Unidos, em um período no qual os pais foram morar lá. Voltou para cuidar de uma pneumonia quando ainda era bebê e ficou no Rio.

Nas piscinas, o Brasil também tem seus “gringos”. Cada uma das duas equipes de polo aquático tem um goleiro estrangeiro. Mas as duas histórias são completamente opostas. Tess Oliveira – assim como a irmã Amanda, também convocada – nasceu nos Estados Unidos e cresceu no Brasil. Vai à primeira Olimpíada.

Já o goleiro Slobodan Soro vai aos Jogos pela terceira vez. Sérvio, ele ganhou o bronze em Pequim-2008 e repetiu a façanha em Londres-2012. Por um projeto da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), foi contratado para defender o Brasil, ainda que nunca tivesse morado aqui. Sua naturalização foi concedida em caráter especial pelo governo, mas só recentemente foi liberado esportivamente para defender o Brasil.

Outro que sofreu para se naturalizar foi o lutador Eduard Soghomonyan, mas na ordem contrária – a cidadania “civil” só saiu no mês passado, um ano após ele começar a competir. Ele vive no Brasil desde 2012 e, inicialmente, não teve apoio da confederação de luta.

Já as de rúgbi e hóquei sobre a grama apostaram na busca por atletas estrangeiros com passaporte brasileiro ou que tivessem a oportunidade de obtê-los. O britânico Juliano Fiori, do estreante rúgbi sevens, chegou à seleção depois que seu pai, brasileiro, encontrou a delegação sem querer em um aeroporto e contou que seu filho jogava na Inglaterra.

Descendentes de brasileiros, aliás, são maioria entre os estrangeiros. São os casos, entre outros, do remador Xavi Vela, cujo irmão disputará a Olimpíada pela Espanha, e Nathalie Moellhausen, campeã mundial de esgrima pela Itália.