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De Letra

Arbitros poderão fazer o uso de patrocínio

  • Por Gisele Rech
Sueli Tortura, árbitra da Fifa
há cinco anos, aposta na estréia.

As novidades no campeonato brasileiro de 2003 não se resumem à nova fórmula de disputa. Pela primeira vez em campeonatos nacionais, os árbitros poderão fazer o uso de patrocínio em seus uniformes. A Associação Nacional de Árbitros de Futebol, com a autorização da Comissão de Arbitragem da CBF, negocia com cinco empresas o uso de propaganda na manga da camisa dos árbitros.

Segundo o presidente da Anaf, Márcio Rezende de Freitas, a idéia é criar um fundo de reserva para cobrir eventuais “calotes”, dados por alguns clubes em competições nacionais. “Na soma geral, os árbitros tem um prejuízo de pouco mais de R$130 mil, de valores não quitados pelos clubes”, diz o árbitro. A Anaf recebeu a promessa do presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Armando Marques, de que esse valor seria quitado, mas até o momento o rombo continua. “O pagamento era para ser feito até o dia 15 deste mês. E ainda não foi. Por isso mesmo o caminho para negociar patrocínios ficou aberto”, diz Rezende de Freitas, que espera fechar os contratos até o final da semana que vem.

Além de cobrir possíveis falhas de pagamento, uma parcela do valor arrecadado com o patrocínio – estima-se que 30% – será destinado à Escola de Arbitragem Coronel Áureo Nazareno, cujo projeto ainda não saiu do papel. “Queremos criar um local de aprendizado e enriquecimento da arbitragem brasileira”.

Na Europa, os árbitros já usam o recurso do patrocínio há algum tempo. Na Espanha, o presidente da Federação Real Espanhola viabilizou a venda de parte do espaço do uniforme e o valor é convertido ao sindicato dos árbitros. Com a cota, são ministrados cursos e palestras e parte da arrecadação é dividida entre os árbitros que apitam no Espanhol. Na Alemanha, os árbitros têm patrocínio da empresa aérea Lufthansa e na Itália, de uma empresa de massas.

A busca de patrocínio é uma das fontes de renda em que a arbitragem brasileira está de olho. Outra é o direito de arena, reservado aos atletas que têm sua imagem vinculada a jogos televisionados. A Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara Federal já tem em mãos um projeto do relator Bonifácio de Andrada, do PSDB-MG, que propõe a conversão de uma porcentagem do valor total das cotas de televisão para os árbitros, que alegam ser parte do espetáculo.

O batom pede passagem

As mulheres pedem passagem. Em 2003, pela primeira vez na história do campeonato brasileiro da primeira divisão, uma árbitra poderá ser escalada para apitar uma partida. A promessa do presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Armando Marques, ainda não está confirmada, mas a expectativa de que se torne real é grande. Para alcançar o novo objetivo, as árbitras até aceitam a injusta proposta de Marques de pagar menos pelos serviços femininos.

No ano passado, algumas árbitras tiveram boa presença na Série C e devem começar a temporada deste ano apitando jogos da B. “Para apitar a Série A, primeiro será preciso apitar a Série B. Mas estamos otimistas. Ainda esse ano as mulheres devem estrear no apito da série principal”, diz Suely Terezinha Tortura, paranaense que faz parte do quadro da Fifa há cinco anos. Antes de apitar no Brasileiro, no entanto, Suely estará representando a arbitragem brasileira no Sul-Americano de futebol feminino. Ela embarca dia 5 de abril para o Peru.

Além da própria Suely, são candidatas a apitar jogos no Brasileirão Sirlei Cândida de Jesus, Sílvia Regina Carvalho e Edilene Maria de Siqueira, todas do quadro da Fifa. Também estão indicadas as árbitras assistentes Cleyde Ribeiro, Marlei Silva e Ticiane Martins.

Segundo Márcio Rezende de Freitas, presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol, está mais do que na hora de darem espaço às mulheres. “Temos ótimas profissionais e não há porque vetar a participação delas no Brasileirão. Nos últimos tempos, tive a oportunidade de apitar a final do alagoano com a Ticiane (Martins) e ela fez um ótimo trabalho, assim como acontece com as principais árbitras do país quando solicitadas”.

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