A Associação Nacional dos Árbitros anunciou na última quarta-feira (1º) que a CBF começou um repasse de aproximadamente R$ 900 mil para ajudar a categoria durante o período sem futebol por causa da pandemia do novo coronavírus.

Representantes do quadro da Fifa receberão R$ 6 mil cada. O valor é de R$ 3 mil para quem representa a CBF, enquanto os profissionais de arbitragem das categorias C e D receberão R$ 1,5 mil cada. As quantia são brutas, ou seja, haverá desconto de impostos.

Inédito, o recurso é uma antecipação de taxas de arbitragem que serão descontadas no retorno das atividades. Mesmo assim, representa um auxílio importante para os árbitros.

“É um marco. Nunca tinha acontecido algo assim. Cerca de 400 profissionais vão receber essa ajuda”, elogiou o árbitro José Mendonça da Silva Junior, de 35 anos, responsável por apitar o último Atletiba antes da parada do Estadual, na metade de março.

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“Se a gente pensar que a sociedade está sofrendo com corte de salários, gente ficando desempregada, esse adiantamento é uma grande conquista para os árbitros. Somos prestadores de serviço, grande parte não tem trabalho com carteira assinada. Então, com essa parada, o rendimento também para”, concordou o assistente Bruno Boschilia, 36, integrante do quadro da Fifa.

De acordo como Boschilia, a maioria dos árbitros nível Fifa, por exemplo, tem o futebol como única fonte de renda. Sendo assim, o repasse vem em boa hora, já que ainda não há previsão de retorno dos campeonatos.

“A maior parte do meu rendimento vem da arbitragem. Mesmo assim, sou exceção, tenho outra fonte de rende, pois sou servidor público, funcionário da Smelj (Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude) de Curitiba. Só que dos árbitros de alto nível, 80%, 90% vivem só com o que recebem pelos jogos”, disse o professor de Educação Física. Atualmente, a cota de um árbitro Fifa para apitar o Brasileirão é de R$ 5 mil por partida.

No caso de Mendonça da Silva Junior, a situação é diferente. Ele trabalha há 14 anos como personal trainer e, durante a pandemia, teve de suspender todas as aulas presenciais.

“Tenho uma boa renda como personal, mas para o meu azar a minha atividade está parada. Estou me virando com algumas economias, fazendo treinos à distância para meus alunos. Quer queira, quer não, esse complemento vindo da CBF vai ajudar a todos”, contou o árbitro, que recebe cerca de R$ 3,6 mil por jogo organizado pela entidade nacional — no Estadual o valor é menor.

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“Infelizmente a gente sabe que não pode depender exclusivamente da arbitragem porque pode se lesionar, ter um desempenho ruim e ser retirado dos jogos na sequência. Eu vinha de uma ascensão boa, comecei a apitar Série A no ano passado, fiz bons jogos nesse Paranaense. Estou na expectativa de voltar logo”, confiou o árbitro.

Situação no Paraná

O auxílio da CBF, no entanto, não atinge muitos árbitros que apitam em divisões inferiores. Segundo o presidente da Associação Profissional dos Árbitros de Futebol do Paraná (Apaf), Eli Marini, muitos já sentem impacto dentro da renda familiar.

“O Campeonato Paranaense é curto, dura quatro, cinco meses. Existem outros campeonatos, amadores, regionais, municipais. Todos parados. E há muitos árbitros que atuam neles. Você pega uma Suburbana, em média o árbitro recebe uns R$ 200 por jogo. É uma renda extra e a falta dela afeta, sim”, explicou Marini, que estima que a Apaf tenha atualmente cerca de 200 membros adimplentes.

No momento, a entidade descarta dar qualquer tipo de auxílio ou ajuda de custo. “Não temos previsão de ajuda porque não temos condição de bancar 200 árbitros. A entidade não é autossustentável com a própria anuidade. Sem os patrocínios que os árbitros têm nas camisas não sobreviveríamos”, admitiu.

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