Pesquisas no Paraná variam até 12 pontos para o mesmo candidato

Urna eletronica
Foto: Átila Alberti / arquivo Tribuna do Paraná.

Na véspera da eleição, o eleitor paranaense talvez esteja precisando de mais alguma coisa além do título, do número dos candidatos e da famosa colinha para a urna. Uma calculadora ajudaria. Quem sabe um pequeno curso de amostragem, margem de erro e metodologia também não fizesse mal. Só neste sábado, cinco pesquisas estaduais tinham divulgação prevista no Paraná. Pesquisa, ao que parece, foi uma coisa que não faltou nesta campanha.

O problema não está na existência delas. Pesquisa é necessária, ajuda a entender movimentos do eleitorado, orienta o debate público e permite enxergar coisas que o palpite da esquina não alcança. O problema aparece quando o eleitor abre o celular pela manhã, encontra um cenário, abre novamente algumas horas depois e parece ter mudado de Estado sem sair do Paraná.

A reta final oferece exemplos suficientes. A Neokemp divulgada neste sábado apresentou Sergio Moro com 48,1%, Requião Filho com 24,7% e Sandro Alex com 23,2%. Na sexta-feira, a Real Time Big Data havia mostrado Moro com 37%, Sandro com 29% e Requião com 24%. Dias antes, a Paraná Pesquisas registrara 46,2%, 23,6% e 21,5%, respectivamente para Moro, Requião e Sandro. São métodos, períodos de campo e amostras diferentes, claro, mas o cidadão comum não anda com uma planilha estatística no bolso para fazer essa conta antes do almoço.

E é aí que a conversa fica interessante. Não se trata de escolher qual pesquisa agrada mais, exercício que militância faz com enorme competência e nenhuma dificuldade. Pesquisa favorável vira peça de divulgação; a desfavorável, quase sempre, ganha uma tese metodológica pronta para explicar por que não merece confiança. Até aí, nenhuma novidade. Campanha é campanha.

O eleitor que está fora dessa guerra é outra história. Ele vê um levantamento colocando um candidato perto dos 50%, outro mantendo o mesmo nome pouco acima dos 35%, enquanto segundo e terceiro lugares também trocam percentuais e, em alguns levantamentos, até de posição. Em 24 de setembro, por exemplo, a Quaest mostrou Moro com 36%, Sandro e Requião com 20%; no mesmo período da campanha, o Índice Inteligência apresentou 35% para Moro, 32% para Sandro e 20% para Requião. A diferença de Sandro entre os dois levantamentos foi de 12 pontos.

Pode haver explicação técnica para tudo isso. E provavelmente há explicações diferentes para resultados diferentes. O que já não cabe tão confortavelmente é empurrar toda discrepância para aquela resposta automática de que pesquisa apenas registra o momento em que foi feita. Quando os momentos quase se encontram e os números continuam separados por distâncias consideráveis, o mínimo que se pode fazer é perguntar o que está acontecendo.

Isso não desqualifica pesquisa eleitoral. Ao contrário. Pesquisa é importante demais para ser reduzida a card de rede social, manchete comemorativa ou arma de militância. Se ela pretende ajudar a entender o eleitor, precisa também ser entendida por ele. Não dá para jogar três números na tela, acrescentar “margem de erro” em letras menores e deixar o cidadão resolver o restante.

Amanhã essa história ganha um elemento que ainda falta. Não porque a urna vá transformar instituto em vencedor ou derrotado, nem porque pesquisa de intenção de voto seja a mesma coisa que voto apurado. Não é. Mas, depois que os votos forem contados, será possível voltar a toda essa sequência, colocar métodos, datas, amostras e resultados lado a lado e fazer uma análise com algo que hoje ninguém possui.

Por isso esta conversa começa antes.

Depois da apuração, voltaremos às pesquisas. Não para distribuir troféus, apontar campeões ou transformar incertezas estatísticas em placar esportivo. Voltaremos para confrontar cada estimativa com o resultado efetivo, respeitando o que cada levantamento se propôs a medir e examinando onde os números convergiram, onde divergiram e por quê.

A apuração não encerrará a discussão sobre as pesquisas; dará a ela um ponto de partida mais sólido. Com os votos contados, será possível separar erro, oscilação, método, momento e acaso sem transformar nenhum instituto em herói ou vilão por decreto. O objetivo não será saber quem venceu a corrida das pesquisas, mas entender o que elas conseguiram e o que não conseguiram revelar sobre o eleitor paranaense.

A urna ainda não respondeu. Mas, quando responder, finalmente teremos os elementos para avaliar as pesquisas com seriedade: não como um campeonato de acertos, e sim como instrumentos que precisam prestar contas à realidade que afirmaram retratar.

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