Em janeiro, Enio Verri dizia que Lula lhe pedira para permanecer em Itaipu. Nove meses depois, com o presidente reeleito, reconhece que não recebeu garantia de continuidade e admite que a direção da usina pode entrar nas negociações com o Congresso. PSD e Progressistas já aparecem entre os interessados.
A sinceridade de Enio é admirável: praticamente anunciou que sua cadeira pode entrar na negociação enquanto continua sentado nela. Para Lula, Itaipu tem duas utilidades estratégicas: produz energia e oferece influência política no Paraná que será governado por Sergio Moro.
Enio ainda não recebeu aviso de saída, mas os pretendentes parecem conhecer o caminho do gabinete. Afinal, o mandato da diretoria é de cinco anos. A garantia de permanência, nem tanto.
SEM MUROS, MAS COM REPRESA
Sergio Moro disse à Fiep que pretende manter uma relação institucional com Lula, sem construir muros ou alimentar antagonismos desnecessários. Moro pode não querer muros, mas Lula já tem uma represa entre os dois. E não é qualquer uma: Itaipu. A direção brasileira da binacional é definida em Brasília e poderá entrar nas negociações políticas do novo governo, como admitiu o próprio Enio Verri.
A usina tem peso econômico, capacidade de investimento e influência considerável no Paraná. Moro pode até dispensar os muros, mas, quando o assunto for Itaipu, precisará conversar com quem controla as comportas políticas.
A DIETA DE MORO TEM UMA EXCEÇÃO
Sergio Moro anunciou aos industriais paranaenses que pretende reduzir as 24 secretarias estaduais e formar uma administração mais enxuta. No mesmo encontro, revelou a intenção de criar uma secretaria dedicada ao combate à corrupção. Uma pasta nova dentro de uma estrutura que deverá diminuir. A conta pode fechar, naturalmente, desde que o número de extinções supere o de criações.
Moro ainda não informou quais secretarias pretende eliminar nem como a nova estrutura se relacionará com os órgãos de controle existentes. A proposta combina uma promessa de economia administrativa com outra de fiscalização preventiva. Para avaliar o tamanho da dieta, será preciso conhecer o cardápio completo.
O FISCAL JÁ TEM NOME
Enquanto Moro ainda organiza o secretariado, o Tribunal de Contas do Paraná já escolheu sua direção para 2027 e 2028. Ivan Bonilha foi eleito presidente por unanimidade, com Durval Amaral na vice-presidência e Augustinho Zucchi na Corregedoria. A posse ocorrerá em janeiro, quando também começa o novo governo estadual. O TCE definiu ainda as áreas de fiscalização dos conselheiros para o próximo período.
A coincidência dos calendários coloca uma administração que está sendo montada diante de uma estrutura de controle que já sabe quem estará no comando. Moro ainda escolhe quem administrará os recursos públicos. O Tribunal já conhece quem acompanhará sua aplicação.
O ÔNIBUS PAROU DE NOVO
A licitação do transporte coletivo de Curitiba recebeu outra ordem de suspensão do Tribunal de Contas, desta vez por decisão do conselheiro Fabio Camargo, que apresentou novos questionamentos técnicos sobre o edital. A cautelar anterior havia sido derrubada pela Justiça, permitindo a retomada da concorrência. A Urbs avalia medidas para dar continuidade ao processo. Estão em discussão contratos bilionários, renovação da frota e a organização de um serviço essencial para milhares de passageiros.
O impasse já passou pelo Tribunal de Contas, chegou à Justiça e voltou ao ponto de partida. O usuário, enquanto isso, continua dependendo do ônibus que passa pelo ponto, não daquele prometido no edital.
PAPAI NOEL PROCURA PATROCÍNIO
O prefeito Tiago Amaral procura uma saída para realizar o LondriNatal enquanto a Prefeitura de Londrina enfrenta um déficit projetado de R$ 205 milhões. A administração admite depender de recursos externos e parcerias com empresários para organizar a festa. No ano passado, foram R$ 4,3 milhões de investimento municipal, além da participação da iniciativa privada. O comércio quer preservar um evento que atrai consumidores e visitantes, mas o prefeito precisa conciliar a programação com as contas públicas.
A situação é curiosa: numa cidade em contingenciamento, até Papai Noel terá de apresentar um plano de financiamento. E, neste Natal, a lista de prioridades do município vai muito além dos presentes.
A ÁGUA JÁ TEM VENCEDOR
O Consórcio Águas do Paraná venceu o leilão para construir a primeira etapa do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte, que beneficiará inicialmente Apucarana, Arapongas e Rolândia. O projeto prevê investimentos de até R$ 2 bilhões, com obras e disponibilização da infraestrutura pelo consórcio e operação mantida pela Sanepar. A proposta vencedora estabeleceu aluguel mensal de aproximadamente R$ 9 milhões, num contrato de longo prazo.
A região ganhará novas captações, tratamento e reservatórios, ampliando a segurança hídrica. O vencedor do leilão já foi anunciado. Para os moradores, entretanto, o resultado mais importante chegará quando a infraestrutura estiver funcionando.
DEMITIR DEU TRABALHO
A controvérsia envolvendo Guilherme Kilter ganhou dois novos endereços. O vereador curitibano e deputado federal eleito anunciou que pretende recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público contra a recomendação de retratação feita pelo MPT, após suas publicações defendendo a demissão de trabalhadores petistas.
Na Câmara de Curitiba, a vereadora Laís Leão protocolou uma representação pedindo sua cassação por suposta quebra de decoro. O pedido ainda depende de análise de admissibilidade, e Kilter invoca a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar em sua defesa.
O caso começou com sugestões sobre quem deveria perder o emprego e agora será discutido também pelos responsáveis por avaliar a conduta parlamentar.
PACHECO MAL SENTOU
Rodrigo Pacheco tomou posse no Tribunal de Contas da União em 30 de setembro e já aparece nas articulações para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Se Lula confirmar a indicação e o Senado aprová-la, a cadeira no TCU ficará disponível.
Gleisi Hoffmann, derrotada na disputa pelo Senado no Paraná, surge entre os nomes considerados para a sucessão, com apoio de parlamentares petistas. Simone Tebet também é mencionada nas conversas. Nada está decidido, mas o movimento mostra como uma indicação para o Supremo pode desencadear negociações em outras instituições. Pacheco ainda está no primeiro mês de trabalho e já se discute quem poderá ocupar seu gabinete.
A PRESIDÊNCIA CAIU NA REVISÃO
Flávio Bolsonaro divulgou uma carta apresentando-se como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, com direito a brasão dos antigos “Estados Unidos do Brazil”, com Z. O símbolo era histórico, mas a pretensão presidencial não resistiu à revisão. Depois de quatro versões, trocaram o brasão e Flávio passou de presidente eleito a “líder do Brasil”.
Curiosamente, houve tempo para atualizar o símbolo da República e corrigir o cargo do signatário, mas não apareceu uma única prova das fraudes eleitorais denunciadas no texto. A presidência autoproclamada durou menos que a revisão. A eleição, essa já estava decidida.
A BET DA FAZENDA
As bets foram proibidas justamente quando surgiu uma aposta capaz de movimentar a curiosidade política nacional: quem seria o proprietário da fazenda em Foz do Iguaçu onde Flávio Bolsonaro e sua família teriam permanecido antes de atravessar a fronteira com a Argentina? A informação sobre a estadia circulou na imprensa, mas não foi comprovada publicamente, assim como a identidade do possível proprietário. A Polícia Federal procura esclarecer o trajeto percorrido pelo senador. Se as plataformas continuassem funcionando, a quantidade de palpites certamente seria considerável. Para identificar o dono, entretanto, uma certidão de registro imobiliário vale muito mais que qualquer aposta.
