Nos corredores da Assembleia circula que cinco dos 14 deputados eleitos pelo PSD poderão encontrar dificuldades com o futuro governo Moro: Márcio Nunes, Romanelli, Hussein Bakri, Gugu Bueno e Ademar Traiano. O detalhe é que quatro deles já aparecem nas articulações para suceder Alexandre Curi na presidência da Casa. Romanelli, por sinal, acaba de desejar publicamente tranquilidade ao governador eleito. O PSD terá 14 cadeiras, tantas quanto o PL, e a escolha da Mesa dependerá dos votos dos parlamentares, não de uma nomeação do Palácio Iguaçu. Um dos cinco poderá, inclusive, terminar presidindo a Assembleia.
Seria uma situação curiosa: alguém considerado indesejado pelo Executivo comandando o Legislativo com o qual Moro precisará negociar. Afinal, a porta da Assembleia abre pelo lado de dentro.
A CHAVE DA FORTALEZA ESTÁ EM BRASÍLIA
Sergio Moro pretende transformar o Paraná numa fortaleza contra o crime organizado e quer o delegado federal Fabiano Bordignon no comando da Segurança Pública. O problema é que, para assumir, Bordignon depende de liberação do governo Lula. Já existe precedente: em 2014, Beto Richa anunciou o delegado José Alberto de Freitas Iegas para a secretaria, mas o governo Dilma não autorizou sua cessão. Bordignon trabalhou com Moro no Ministério da Justiça, onde dirigiu o Departamento Penitenciário Nacional. A escolha ainda não foi oficializada, mas a situação oferece um teste bastante concreto à disposição de diálogo anunciada pelo governador eleito.
Para instalar seu principal comandante da fortaleza, Moro talvez precise primeiro conseguir a chave com Lula.
TRÊS EX-GOVERNADORES, UM BIFE
Roberto Requião, Mário Pereira e Orlando Pessuti se encontraram numa confraternização para celebrar a vitória de Lula, organizada por Daniel Godoy Júnior e acompanhada por mais de 60 convidados, entre eles Zeca Dirceu. O episódio mais curioso da noite, segundo os anfitriões, foi a disposição dos três ex-governadores de dividir um mesmo bife. A cena merece registro pela raridade: políticos acostumados a comandar o orçamento estadual repartindo uma única porção. O encontro também teve conversas sobre o futuro governo federal e a continuidade da mobilização política.
Por enquanto, a partilha confirmada foi gastronômica. Na política, dividir espaços costuma exigir negociações um pouco mais demoradas.
O POSTO IPIRANGA AGORA TEM INQUÉRITO
Paulo Guedes, ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro e antigo Posto Ipiranga do governo, aparece como investigado num inquérito da Polícia Federal sobre suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A investigação tramita sob sigilo na Justiça Federal de Curitiba e também envolve Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, empresa ligada ao mercado de ativos virtuais. A companhia enfrenta questionamentos judiciais e administrativos, embora negue as acusações. Não há denúncia formal identificada nas informações publicadas, muito menos condenação. Guedes passou quatro anos oferecendo respostas para os problemas econômicos do país.
Agora, num procedimento de natureza diferente, também terá perguntas a responder.
O SEXTO ANO MUDOU DE REDE
Curitiba começará em 2027 a transferir gradualmente para o Estado as turmas municipais do sexto ao nono ano do ensino fundamental. A mudança alcança 11 escolas e será concluída ao longo de quatro anos. Os estudantes que já frequentam os anos finais poderão terminar essa etapa nas unidades atuais, enquanto os que ingressarem no sexto ano serão direcionados à rede estadual. A Prefeitura pretende ampliar a educação infantil e o ensino integral; representantes sindicais questionam os efeitos da reorganização.
A divisão de responsabilidades pode fazer sentido administrativamente, mas para as famílias o essencial será saber onde os filhos estudarão, como chegarão à escola e se a mudança preservará a qualidade do ensino.
A COZINHA FECHOU. A CPI CONTINUA
A Vigilância Sanitária interditou a cozinha da Escola Municipal Amadeu Puppi, em Ponta Grossa, depois de encontrar baratas, inclusive em freezers, e alimentos vencidos. O serviço é terceirizado e está entre os assuntos acompanhados pela CPI das Terceirizações da Câmara Municipal. Em depoimentos, também foram relatados problemas na qualidade dos alimentos, na reposição de produtos e na fiscalização dos contratos. A Prefeitura informou que adotou medidas para assegurar a alimentação dos estudantes e corrigir as irregularidades. A situação exige respostas sobre responsabilidades e controles, porque não se trata apenas de uma falha administrativa.
O que chega ao prato das crianças precisa atender a exigências sanitárias que nenhum contrato pode relativizar.
NA ILHA DO MEL, A CATRACA NÃO ATRACOU
Moradores e comerciantes da Ilha do Mel protestaram contra a chegada de equipamentos de controle de acesso aos trapiches de Encantadas e Nova Brasília. A comunidade cobra melhorias no saneamento, na coleta de resíduos e nas estruturas de embarque antes da instalação das catracas. O Instituto Água e Terra afirma que os equipamentos seguem um cronograma e que as obras também estão previstas. Existem versões diferentes sobre o impedimento da atracação da embarcação, mas a divergência principal está suficientemente clara.
O governo quer organizar a entrada dos visitantes; os moradores querem condições adequadas para recebê-los. Na ilha, até a ordem de chegada virou assunto de discussão.
CONTRABANDO COM DIREITO A RESGATE
A Polícia Federal cumpriu 11 mandados em Foz do Iguaçu na segunda fase da Operação Resgate Ilícito. A investigação alcança uma organização suspeita de transportar e comercializar eletrônicos introduzidos irregularmente no Brasil, com indícios de corrupção e lavagem de dinheiro. Dois policiais militares estão entre os investigados. O nome da operação tem uma peculiaridade: segundo as apurações, integrantes do grupo alegavam recuperar cargas roubadas, mas as mercadorias seriam contrabandeadas e teriam sido subtraídas por outros criminosos. Uma cadeia de irregularidades em que até a recuperação dos produtos entrou na investigação.
A Polícia Federal procura identificar responsabilidades e rastrear o patrimônio dos envolvidos.
CADA FOLHA TERÁ SEU PREÇO
A Assembleia deverá votar na terça-feira novas regras para a classificação do tabaco produzido no Paraná. O projeto permite que as folhas sejam avaliadas ainda nas propriedades rurais, antes do transporte para a indústria, com critérios técnicos e possibilidade de intervenção de fiscais do IDR-Paraná em caso de divergência. A atividade envolve aproximadamente 28 mil famílias no Estado. A discussão interessa diretamente à relação entre produtores e compradores, porque a classificação influencia a remuneração recebida pela safra. Uma diferença aparentemente pequena na avaliação de um fardo pode representar dinheiro considerável no resultado final.
No negócio do fumo, cada folha conta, especialmente quando chega a hora de acertar as contas.
O TRIGO SENTIU A CHUVA
O Deral projeta crescimento de aproximadamente 4% na produção paranaense de soja na safra 2026/2027, mas o balanço dos grãos de inverno conta uma história diferente. A produção estimada é de 2,84 milhões de toneladas, 28% abaixo da registrada em 2025. No trigo, a queda poderá chegar a 34%, resultado da redução da área plantada e dos prejuízos provocados pelo excesso de chuva. As condições meteorológicas afetaram a produtividade e a qualidade dos grãos, inclusive daqueles destinados à panificação.
O agronegócio paranaense chega ao fim de outubro olhando com expectativa para a próxima safra de verão e contabilizando os danos deixados pelo inverno.
CRUZEIRO DO OESTE CALÇA AS LUVAS
Cruzeiro do Oeste, no Noroeste, poderá receber da Assembleia o título de Capital da Luva de Boxe. O município abriga dez fábricas especializadas, responsáveis por aproximadamente 60 mil luvas mensais e cerca de 300 empregos, segundo a justificativa do projeto que será votado na terça-feira. É uma atividade industrial pouco conhecida fora da região, mas que ajuda a movimentar a economia local. O reconhecimento legislativo não cria necessariamente novos empregos nem amplia a produção, mas dá visibilidade a uma especialização bastante peculiar.
Cruzeiro do Oeste descobriu um jeito de participar do mundo das lutas sem precisar entrar no ringue. E produz luvas suficientes para muita gente resolver suas diferenças pelas regras do esporte.
O DOMINGO TEM PROVA MARCADA
Mais de 43 mil candidatos participam no domingo do Vestibular 2027 da Universidade Federal do Paraná, com aplicação em 12 cidades, dez delas paranaenses. Os portões serão abertos às 12h40 e fechados às 13h30, meia hora antes do início da prova. O número de inscritos cresceu 9,4% em relação ao ano anterior, e quase metade dos candidatos cursou integralmente o ensino médio em escola pública. A universidade recomenda consultar antecipadamente o local de aplicação e levar documento de identificação com foto.
Para milhares de famílias, o feriado prolongado começará com uma agenda bem diferente da programação turística. Antes do descanso, há uma prova capaz de influenciar os próximos anos.
A NATUREZA FOI NEGOCIAR NA ARMÊNIA
O Paraná levou à COP17 da Biodiversidade, realizada em Yerevan, na Armênia, uma experiência que procura atribuir valor econômico à conservação ambiental. O BRDE apresentou seu projeto de créditos de biodiversidade, desenvolvido com o governo estadual e o Instituto LIFE. A iniciativa envolve sete reservas particulares e prevê até R$ 2 milhões para remunerar resultados comprovados de preservação, mediante certificação independente. O dinheiro não será destinado simplesmente a quem possui uma área verde, mas dependerá da demonstração dos benefícios ambientais. A experiência coloca uma questão interessante na agenda econômica: durante muito tempo, preservar significou abrir mão de determinados ganhos.
Agora, o desafio é construir mecanismos para que a própria conservação também tenha retorno financeiro.
