enkontra.com
Fechar busca

Publicidade

São Lourenço Xaxim

Primeira lombada eletrônica de Curitiba fica no Xaxim? Errou! Tribuna esclarece esta história!

A primeira lombada eletrônica de Curitiba foi instalada na Rua Francisco Derosso, no bairro Xaxim, certo? Errado! Por muitos anos, até mesmo a prefeitura de Curitiba pensava que a primeira era a do Xaxim. Mas a Tribuna descobriu que, na verdade, a primeira de Curitiba (e do mundo!) foi a da Rua Mateus Leme, no bairro São Lourenço, que recentemente foi retirada de lá por conta da criação do binário com a Rua Nilo Peçanha.

+Leia mais! Animal de estimação ‘diferentão’ chama atenção em Curitiba!

Pra explicar o “engano”, nada melhor do que conversar com o arquiteto que inventou e instalou o equipamento: Osvaldo Navarro, 74 anos, que mora a poucas quadras da Rua Mateus Leme. Na época, ele era funcionário do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e expôs a sua ideia para um grande amigo que entendia muito de eletrônica e computação, o Donald Schause. E assim surgiu a primeira lombada.

+Caçadores! Casas de vila chamada de Haiti por Luciano Huck são desmontadas!

Na época, conta Osvaldo, os radares já existiam. “Mas eu queria que fosse algo mais preciso, que registrasse com mais precisão a velocidade, a placa, quantos carros passam por ali. Além disto, eu quis criar algo que fizesse parte do mobiliário urbano, que fosse uma marca da cidade. E tinha que ser bonito, que o motorista visse claramente as luzes verde (quando passava em velocidade permitida), vermelho (quando em velocidade acima do permitido) e o amarelo piscando constante (para que todos vissem de longe que ali havia uma lombada), além do visor mostrando a velocidade”, diz o arquiteto, referindo-se ao design do equipamento.

Primeira lombada eletrônica foi a da Rua Mateus Leme. Foto: Arquivo/Tribuna do Paraná

Primeira lombada eletrônica foi a da Rua Mateus Leme. Foto: Arquivo/Tribuna do Paraná

Tudo foi montado em cima da filosofia de Osvaldo, de educação para o trânsito, de que era preciso diminuir a velocidade dos veículos nas cidades. “Na época, o Denatran queria aumentar a velocidade nos centros urbanos. Hoje todo mundo reconhece o que eu já falava lá trás, de quem tem que diminuir. Depois que as lombadas eletrônicas foram instaladas, várias pesquisas foram feitas e constataram que elas conseguiram reduzir os acidentes. Olha quanta gente está viva hoje por causa das lombadas”, afirma Osvaldo, mostrando que o intuito do design criado, com calçada e grama no meio e a luz amarela piscando era justamente para chamar atenção das pessoas e dos motoristas de que ali havia uma travessia segura para pedestres e que deveria ser respeitada por todos.

+Caçadores! “Quem faz é Deus, eu só rezo”, diz benzedeira de Curitiba

Conforme a empresa Perkons, que é de propriedade de Donald, amigo de Osvaldo, e desde aquela época fabrica as lombadas, o número de infrações registradas pelos equipamentos diminui em média 70% após o primeiro ano de implantação. E o Detran-PR também verificou que, sete anos após a implantação dos equipamentos, os acidentes reduziram 40% na capital paranaense. Outra pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-Rio), diz a Perkons, concluiu que cada lombada evita cerca de três mortes e 34 acidentes por ano. E agora, que os curitibanos estão habituados à filosofia educacional dos equipamentos, o índice de respeito à velocidade nos trechos fiscalizados é de 99,93%.

“No começo era difícil as pessoas entenderem o caráter educativo da lombada eletrônica. Diziam que era a máquina caça níquel da prefeitura, chamavam de Cássio Níquel (em referência ao então prefeito Cássio Taniguchi). Mas depois as pessoas foram entendendo a importância de reduzir a velocidade”, explica o arquiteto.

Vaias ou multas?

Lombada eletrônica da Rua Francisco Derosso é a mais antiga ainda em funcionamento em Curitiba. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Lombada eletrônica da Rua Francisco Derosso é a mais antiga ainda em funcionamento em Curitiba. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

A lombada eletrônica da Rua Francisco Derosso foi instalada no dia 20 de agosto de 1992 e segue firme e forte fiscalizando a velocidade dos motoristas. Osvaldo não lembra a data exata de quando foi instalada a da Mateus Leme. Mas é categórico em afirmar que foram vários meses antes do que a do Xaxim. “Instalamos e ficamos meses testando, ver se funcionava corretamente, se fazia a contagem dos veículos, se o povo estava aprovando. Só depois é que foi colocada a da Francisco Derosso. E lá na Derosso era engraçado. O povo ficava na calçada vaiando quem passava”, diz Osvaldo.

+Caçadores! Corpos mumificados, fetos, esqueletos. Você conhece o Museu do IML?

Mas quando o arquiteto e o amigo Donald apresentaram o projeto ao Detran, foram informados de que a lombada não poderia multar ninguém, porque não havia nada na lei que previsse multas emitidas por equipamentos eletrônicos. “Até então, eram multas no papel, que o guardinha deixava no vidro do carro da pessoa. A lombada ou radar só poderia multar se a lei fosse modificada. Então colocamos o projeto debaixo do braço e fomos para Brasília”, conta o arquiteto, que mostrou o projeto e todos os estudos feitos ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran). “O Denatran aprovou, o Contran regulamentou e a lei foi modificada, prevendo a multa por equipamentos eletrônicos. Era algo inédito”, orgulha-se Osvaldo.

Made in Curitiba

Oswaldo Navarro é o criador das lombadas eletrônicas. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Oswaldo Navarro é o criador das lombadas eletrônicas. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

A invenção de Osvaldo e Donald ainda não existia em lugar nenhum do mundo e, portanto, a lombada eletrônica da Rua Mateus Leme foi a primeira do mundo inteiro. Hoje, o equipamento é usado em larga escala no mundo todo.

Invasão de privacidade

Já com a primeira lombada eletrônica de Curitiba instalada na Rua Mateus Leme, que é caminho para os motéis da Rodovia dos Minérios, os homens e mulheres infiéis foram os primeiros a reclamar da novidade. “É porque, na época, o equipamento fazia a foto de toda a frente do veículo e pegava a imagem dos ocupantes dos bancos da frente. Aí chegava a multa na casa da pessoa, a esposa abria a correspondência e via que o marido tinha ido pro motel com outra. Deu cada confusão! Mas por outro lado, lá no interior do Paraná aconteceu um crime e a lombada ajudou na solução do caso. Um ladrão baleou uma pessoa para levar o carro dela em assalto. O marginal passou na lombada em alta velocidade e o equipamento registrou a foto do bandido dirigindo com a vítima no banco do lado. Por causa desta foto, a polícia conseguiu identificar e prender o assaltante”, revela o arquiteto Osvaldo Navarro.

Mas não foi por muito tempo que a lombada “separou” casais. “Alguns dos infiéis entraram com processos em Brasília, alegando invasão de privacidade, e conseguiram modificar a lei. Hoje, o equipamento fotografa só a placa”, ri Osvaldo.

Conforme o arquiteto, a lombada eletrônica tem muitas vantagens em relação à lombada física. “Gasta menos combustível, desgasta menos o carro, melhora o fluxo no trânsito e evita acidentes. Se a lombada não está bem sinalizada, o motorista não enxerga e freia em cima, derrapa, pode causar engavetamentos. Como a eletrônica tem a luz amarela piscando, está sempre bem sinalizada e visível ao motorista”, analisa.

+ APP da Tribuna: as notícias de Curitiba e região e do trio de ferro com muita agilidade e sem pesar na memória do seu celular. Baixe agora e experimente!

Homens e mulheres transgêneros podem solicitar mudança de nome direto no cartório

Sobre o autor

Felipe

Deixe um comentário

avatar

2 Comentários em "Primeira lombada eletrônica de Curitiba fica no Xaxim? Errou! Tribuna esclarece esta história!"


Denival Jeter Guimarães
Denival Jeter Guimarães
23 dias 21 horas atrás

Parabéns aos que querem um trânsito mais calmo e humano.

Denival Jeter Guimarães
Denival Jeter Guimarães
24 dias 1 hora atrás

Parabéns ao Osvaldo Navarro e ao Donald pela invenção. Muito útil para reduzir acidentes e mortes, porém na atualidade a prefeitura está na contramão, inclusive com o absurdo do binário da Mateus Leme tiraram a 1ª lombada do mundo e não colocaram mais, incentivando as altas velocidades e deixando as pessoas a mercê de acidentes fatais. Volta Lombada Eletrônica!

wpDiscuz
(41) 9683-9504