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Curitiba

Animal de estimação ‘diferentão’ chama a atenção em Curitiba! Conheça!

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Luiza Luersen
Escrito por Luiza Luersen

Final de semana chuvoso, 10h da manhã, e a equipe da Tribuna chega à zona sul de Curitiba. Estacionamos, descemos e “clap, clap, clap” em frente ao portão da zeladora Nivonete das Chagas, 43, para anunciar nossa presença. Esperamos alguns segundos quando, de repente, lá vem ela, Jéssica, acompanhada dos seus quatros irmãos cachorros e um irmão humano, Lucas das Chagas, 24, filho da Niva, para nos receber. Jéssica, carinhosamente chamada por conta de um vídeo que viralizou na internet em 2015, é uma cabra de três anos e meio, mas, na verdade, mais parece um cachorro.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Parada em frente ao portão ela olha como quem quer latir e é tão parecida com um cão que os “cãopanheiros” quase não percebem a diferença só os chifres que anunciam descaradamente. A cabra, que se tornou um verdadeiro bichinho de estimação, chegou até a família logo após ficar muito doente e fraca. De coração bom e simpatia de sobra, a zeladora conta que foi amor à primeira vista. Jéssica se tornou a estrela do bairro e já está até acostumada com as sessões de fotos com alguns estranhos que passam pela rua e pedem a famosa “selfie”.

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“Primeiro ofereceram ela, e a mãe, para minha irmã, mas como no sítio dela não tem cerca, elas poderiam ser roubadas, ou até mesmo fugirem para a BR, que é próxima. Então eu não pensei duas vezes, as trouxe pra casa. Como elas estavam doentes demais, a ‘mãezinha’ acabou morrendo e eu fiquei muito triste, mas fiz tudo o que pude. A Jessica sobreviveu e estava muito magra. Os meses passaram e ela melhorou, no começo até ficava dentro de casa. Os quatro cães, que também são meus filhos, logo se adaptaram. No começo ficavam desconfiados, mas foi só no começo, agora todos convivem juntos sem desconfiança”, explicou.

Hoje só existe o tal do ciúme mesmo. Quando vai ao quintal de casa para alimentar os “filhos” é um “chororô” que não tem fim, e que piora quando a turma sai para passear. De vez em quando, Jéssica sai sozinha com a “mãe” e os parceiros logo tratam de chorar para irem junto. Afinal, amigo é amigo, né? “Geralmente nós passeamos todos juntos, porque eles choram muito quando a cabra sai comigo sozinha, ou o contrário, quando os quatro saem e ela não, é um “mememé” sem fim, ela não gosta de ficar sem os companheiros. Se tornaram amigos leais e eu, é claro, não me imagino sem eles. Tem gente que adora falar, mas eu sou apaixonada por meus ‘filhinhos’. Mexeu com eles mexeu comigo”, alertou rindo.

Na coleira

De fato, quando o assunto é passeio, tem que ser todo mundo junto. A Jéssica até tentou ter seu dia de modelo para a Tribuna, mas os irmãos trataram de chorar bastante para se vingar da estrela. No entanto, ela tirou de letra e garantiu algumas fotos sozinha ao lado da dona.

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Brincadeiras à parte, e que os cães não nos escutem, a cabra virou a sensação do bairro durante os registros. Quando a zeladora coloca uma espécie de coleira na cabrita, não há quem siga seu caminho de maneira normal ao cruzar com as duas. Até mesmo os motoristas que seguem pela via olham uma vez e depois olham de volta como quem diz “o que é isso? uma cabra passeando na rua?”. De pelo brilhoso, super saudável e carinhosa, Jéssica é extremamente bem cuidada e, provavelmente, teria morrido sem os cuidados da Niva.

“Quando ela chegou, ela estava tão fraquinha que ficava dentro de casa, né, mãe?”, relembra o filho Lucas junto à mãe. “Eu acordava e só ouvia os ‘tamanquinhos’ dela em casa, porque o piso é de madeira. A mãe chegou com ela e ‘rapidinho’ nós tratamos de nos acostumar, porque gostamos muito de animais e então não tinha como não ficar com ela, sabe?”.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

O nome diferente surgiu por conta daquele famoso vídeo “já acabou, Jéssica?”. A dona conta que um dia as duas brincavam juntas quando a ideia surgiu. “A gente estava em casa, nos divertindo, e ai ela me deu uma empurrada com a pata e depois me olhou como quem diz ‘já terminou?’. E aí, como o vídeo estava muito famoso, foi o nome que ela ganhou”, relembrou rindo. Por conta dos cinco “filhos” bichos, a zeladora tem uma rotina que começa bem cedo. Todos os dias ela acorda no início da manhã para dar comida aos animais e segue rumo ao trabalho, onde fica praticamente o dia todo. Durante este período o cuidado fica sob responsabilidade do filho Lucas.

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A irmã da zeladora, Luiza Ferreira, 48, diz que admira a irmã por conta da atitude e revela que ela sempre foi assim, apaixonada por animais e sempre focada em fazer o bem. “Como eu não tinha como ficar com elas no sítio, a minha irmã logo tratou de levar elas pra casa. Elas estavam fracas depois de todos os cuidados a Jessica sobreviveu e está aí, já faz até parte da família. A gente não imaginava que ela se daria tão bem com os outros bichinhos. Fico muito feliz de ver ela assim. Eu acho que todo mundo poderia ter uma atitude como essa”, aponta.

Niva ainda explica que todo mundo poderia fazer como ela, ao invés de julgar quem adota um bichinho assim. “Algumas pessoas me julgam, por ter ela em casa, apesar de ter espaço, comida e muito carinho. Ajudar com ração e cuidados poucos querem, mas acredito que muitos poderiam fazer como eu. Eles precisam da gente, podemos mudar muita coisa com amor”, finalizou.

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Sobre o autor

Luiza Luersen

Luiza Luersen

Jornalista formada pela Universidade Positivo, Luiza adora contar histórias e também é apaixonada por antigomobilismo.

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