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Curitiba

Projeto leva conforto térmico em dias de frio e dignidade para famílias carentes na Grande Curitiba

De manhã, enquanto você toma seu café, já parou para pensar que a caixinha de leite poderia ajudar alguém? Na correria do dia a dia a gente nem percebe, mas a caixinha pode ser reaproveitada de forma a trazer mais conforto para quem vive em áreas de vulnerabilidade, passando frio e até enfrentando goteiras por conta da chuva. É com caixas de leite que o projeto Brasil Sem Frestas já ajudou aproximadamente 200 famílias em Curitiba e região e pode ajudar ainda mais.

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O projeto, que atua em Curitiba há três anos, não começou aqui. “Veio de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, onde uma química estudou as caixinhas de leite e viu que elas são suficientes para fazer um bom isolamento térmico”, explica Tânia Maria Machado Ribas, coordenadora do braço do projeto na capital paranaense.

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A partir das caixinhas, que geralmente jogamos fora, é possível fazer com que as frestas entre as madeiras das casas fiquem isoladas, consequentemente trazendo mais comodidade a quem vive nestas residências. “Sem contar que é uma forma de reaproveitar as caixinhas, que levam quase 200 anos para se decompor”.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.

Tânia contou que o grupo, que envolve 160 pessoas entre quem vai às ruas e quem ajuda de outras formas, é o responsável por receber as doações e deixar as caixas como devem ficar para serem usadas. “Só pedimos que sempre a doação seja feita depois que a caixinha seja higienizada. Após isso, nós mesmos cortamos, costuramos e formamos as placas que vão ser colocadas nas casas”.

Além do isolamento, as placas de caixinha de leite trazem dignidade às famílias. “Porque geralmente essas casas são muito escuras, feitas com pedaços de madeira, então as placas deixam as paredes mais uniformes e, consequentemente, a casa fica mais bonita, não precisa mais pintar, passou pano e está limpa, isso tudo além de trazer conforto térmico”, avalia a coordenadora do projeto em Curitiba.

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O foco das ações do grupo são as moradias que ficam em áreas de invasão. “Simplesmente porque em áreas que não são invadidas não existe esse tipo de moradia, então é onde a gente trabalha. É justamente por isso que relutamos abrir uma ONG, porque talvez nos impeçam de trabalhar nessas áreas”.

Os representantes do projeto chegam até quem precisa através da ajuda de quem vive no bairro. “Os líderes da comunidade, que atuam em igrejas, associações, do bairro mesmo, nos ajudam muito. Entramos em contato e nos apresentam as famílias. Nisso vamos formando uma grande rede de apoio e isso é o mais bonito de se ver”, comenta Tânia.

Os grupos, formados em maioria por mulheres, trabalham todas as quintas-feiras e aos sábados uma vez por mês. Ao longo destes anos por aqui, o braço do Brasil Sem Frestas em Curitiba estima que mais de 200 famílias já receberam algum tipo de ajuda com o revestimento das casas. “Mas sabemos que ainda resta muito a fazer, pois existe uma perspectiva de que Curitiba tenha em torno de 40 mil famílias em situação de vulnerabilidade”.

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Satisfação

Segundo Tânia, a emoção de voltar para a casa sabendo que mudou a vida de alguém é o que não só a move, mas faz com que todos os envolvidos tenham vontade de continuar. “O que eu levo comigo é toda noite quando estou na minha cama e penso que mais uma família não vai passar frio. Isso é o que me move”.

Ela contou que já recebeu, diversas vezes, mensagens de proprietários de casas que foram revestidas agradecendo. “Às vezes, à noite, a gente recebe foto das moradoras dizendo que não estão mais passando frio. Ou então até mesmo comentário, quando estamos trabalhando, dizendo que tiraram tudo de casa para nos ajudar. Até aquele cafezinho que fazem para nos receber, isso tudo faz com que a gente perceba o quanto somos bem-vindas nessas casas, então é isso que nos faz seguir: saber que estamos trazendo um pouco de conforto a essas famílias”.

Ajuda das boas!

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.

No dia em que conhecemos o projeto, acompanhamos o trabalho dos voluntários na casa de Sônia Regina de Souza, de 57 anos. Moradora da Vila Torres, a mulher, que vive na mesma casa há mais de dez anos, estava radiante em ver sua residência se transformando. “É muita felicidade, porque não vou passar mais frio e no fim ainda vai ficar bonito”, comenta à Tribuna.

Sônia disse que o vento é a principal dificuldade para quem vive em casas de madeira feitas da forma como a que a dela foi montada. “Chuva também. É muito difícil. Como minha casa é pequena, ainda tentava me esquentar de alguma forma, colocava cortina nas frestas, usava cobertor, aí até melhorava um pouco, mas agora se eu quiser deixar sem cortina eu vou poder”, disse ela, que conheceu o projeto depois que a filha foi ajudada. “E a casa dela é maior, então passava ainda mais frio”.

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Antes de irem embora, os voluntários deixaram tudo arrumado e deixaram uma plaquinha com o nome do projeto numa das paredes da casa. “Essa plaquinha eu quero levar comigo, para o resto da minha vida, mesmo que eu vá para uma casa melhor”, completa Sônia, que está na fila de uma casa da Cohab.

Segundo a mulher, as pessoas deveriam se conscientizar e não jogar mais as caixinhas de leite no lixo. “A gente nem dá valor, mas faz um efeito danado. É um trabalho que não é fácil para quem faz, mas as pessoas têm que dar valor, porque é um serviço muito importante e que faz com que a gente não passe mais frio. Agora a parede vai ficar até bonita para receber visita”, brinca.

Com um sorriso no rosto que escondia todos os problemas que passa, Sônia contou extremamente feliz que, além de ter as paredes da casa revestida, ainda recebeu uma ajuda que nem esperava. “Ganhei uma cesta básica. Elas disseram que era algo simples, para ajudar no mais necessário, mas nem imaginam o bem que me fizeram”, conclui ela, que vive com apenas R$ 250 por mês. “Pra mim, isso tudo é muito e me fez realizada”.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.

Doações ajudam e muito!

Tânia comentou que o grupo depende somente de doações, que podem ser simplesmente de caixas de leite, como também de grampeadores e grampos de estofador. “Os grampeadores são resistentes, mas usamos tanto que eles acabam estragando e não têm como arrumar. Quando estraga, temos que comprar outro, então quando nos doam os grampeadores nós ficamos muito felizes também”, destaca a coordenadora.

Além destes objetos, quem quiser ajudar também pode doar tesouras grandes ou médias, luvas descartáveis de vinil tamanho M e, por fim, linha para costura nylon 60/80. Essas linhas são as utilizadas para fazer com que as caixinhas fiquem unidas e formem uma placa única. “Até a costura nós fazemos de um jeito que permite que a água passe e não entre, então, de certa forma, isolamos do vento e também evitamos que molhe as paredes das casas”.

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As doações devem ser entregues pessoalmente, mas isso também não é difícil: em Curitiba e região são pelo menos 17 pontos de coleta dos materiais. A sede do projeto fica Rua Hermínio Cardoso, 70, no bairro Tingui, em Curitiba. Se for preciso, pode entrar em contato pelo telefone 41 98449-5213.

Bazar beneficente

No próximo dia 10 de agosto, o Brasil Sem Frestas vai promover um bazar solidário na sede, que fica no Tingui. “Vamos vender roupas, calçados, utensílios, brinquedos, artesanatos. Mas o mais legal disso tudo é que separamos só o que realmente vale a pena ser vendido, então tem coisa muito boa”, adianta Tânia.

O bazar, conforme a coordenadora do projeto, é o que faz com que o trabalho siga ativo. “Já compramos uma Kombi, carretinha para levar as placas e os equipamentos, aumentamos o projeto. É uma forma de conseguirmos arrecadar dinheiro para continuarmos”, destaca, reforçando que, neste dia também é uma chance de novas pessoas conhecerem o projeto e se tornarem até mesmo colaboradores.

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Sobre o autor

Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

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