Jean-Jacques Rosseau acredita que o homem é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe. Já Thomas Hobbes, que o homem na sua essência, não é um ser do bem, se ele nasce mau, é o estado autoritário que vai moldá-lo. Enfim, podemos citar vários outros filósofos que tentaram (e ainda tentam) explicar a relação do homem com a sociedade e a importância do Estado para, ou chamado de “contrato social”, para afeiçoá-lo, segundo a vontade geral do povo objetivando o bem comum.

De fato, podemos presumir que todo o mal tem uma origem. Se sim ou não, é neste sentido que o filme Coringa tenta contar a história de um dos principais vilões do Batman.

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Passado na década de 80, o longa mostra a vida de Arthur Fleck, personagem de Joaquin Phoenix, um homem de meia-idade que trabalha como palhaço em Gotham, cidade caótica que na época passava por greve dos lixeiros, grande onda de assalto resultando em alta taxa de violência e tem sua vida transformada por estes problemas urbanos. Assista ao trailer abaixo:

Perturbador, violento e dramático. Todd Phillips, conhecido por dirigir a trilogia Se Beber, Não Case, vai à contramão não só do seu estilo, mas também sobre o gênero cinematográfico conhecido em filmes de super-heróis. Coringa é um drama psicológico sobre a interferência social e de relações familiares de um personagem que vive na marginalidade, sem apoio das instituições sociais e sem expectativa de crescimento.

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Os roteiristas Bill Finger, Jerry Robinson, Scott Silver e Todd Philips conseguiram de forma espetacular utilizar a criação de Bob Kane mais realística, anárquica e humanizada sobre o vilão do homem morcego com algumas surpresas capaz de impressionar o espectador. O fantástico é deixado de lado, a ficção não é científica. E, por fim, o quarteto martiriza o personagem trazendo dentro de diálogos reflexivos que trazem críticas sobre os problemas urbanos, crise política, luta de classe e confronto pessoal por alguém que passa por problemas psicológicos. “Eu espero que minha morte valha mais centavos que minha vida”.

Cena de Coringa. Foto: Divulgação/Warner Bros.

Sem pestanejar, Joaquin Phoenix traz o melhor Coringa de todos os tempos. Sua atuação é digna de reconhecimento, o ator encanta desde os momentos mais sutis e delicados na trama até nas cenas agressivas. Phoenix constrói de forma exuberante e maniqueísta o nascimento, o crescimento e o amadurecimento de um personagem sociopata com muito esmero e refinamento.

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Se a ideia da DC era impactar e bater de frente com Marvel, sem dúvida, conseguiu. Coringa é o melhor filme do gênero que já foi feito.

Avaliação:  ⭐⭐⭐⭐⭐
Pra quem gosta:
 drama, thriller
Pra assistir: 
amigos, crush  e sozinho
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