Ativista, apresentadora de TV, atriz e escritora, estas são algumas maneiras de apresentar Luisa Mell, brasileira que dedica sua vida à proteção e à conscientização das pessoas sobre os direitos dos animais. Atuante na causa desde 2002, no ano passado Luisa lançou Como Os Animais Salvaram Minha Vida, livro em que fala sobre sua carreira, experiências pessoais e polêmicas enfrentadas ao defender os mais diferentes bichos.

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Vegana e amiga de celebridades como Anitta, a “cachorreira” mais famosa do país participa neste fim de semana da Dog Weekend, evento gratuito destinado aos seus pets e tutores, realizado pelo Shopping Pátio Batel. E antes mesmo de chegar a Curitiba, Luisa topou conversar com a Tribuna do Paranásobre adoção, abandono e outros assuntos “animais”. Confira!

Mania Animal: Luisa, por há tantos animais abandonados pelas ruas das cidades brasileiras?

Luisa Mell: “É uma questão difícil de responder, primeiro porque as pessoas abandonam. Por alguma razão, convivem com o animal muito tempo e acabam abandonando. Às vezes, porque não têm dinheiro para tratamento, na maioria das vezes é isso. As pessoas ficam desempregadas ou mudam de casa, vão viajar, qualquer razão fútil faz com que abandonem os animais.

Além disso, há a superpopulação de animais, que se dá pela falta de castração. Só a castração é capaz de controlar a superpopulação de animais abandonados. São Paulo é um exemplo, lá já houve um bom momento de castração, agora imagine uma cidadezinha pequena onde os recursos são baixos! Mas nada justifica o abandono, nada justifica não ter um programa de castração por parte dos governos”.

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MA: O que pode ser feito para mudar esta situação, de abandono e descaso com os animais?

LM: “Abandonar animais é crime, mas como a punição é pequena e não é cumprida, é muito difícil ter esse controle de cumprimento da lei, uma vez que as pessoas se mudam, nunca mais são encontradas, ou então, abandonam na marginal, longe de casa. Eu acredito que as leis são muito brandas para quem maltrata animais. Boa parte disso se resolveria com castração em massa. A solução é a castração e não o extermínio, claro. E as leis precisam ser mais rigorosas”.

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MA: Casos como o dos mais de mil cães resgatados em um canil em Piedade (SP), do cão Manchinha e as morte de animais em Brumadinho têm sensibilizado as pessoas em relação aos maus-tratos e bem-estar animal?

LM: “Sim, hoje existe uma consciência mundial sobre os animais, tanto cachorro e gato como todos os outros, as pessoas conseguem ter essa empatia. O cão de raça precisa ter um lar tanto quanto o outro, o que não pode é a maneira como criam esses animais. Nestes canis que são denunciados para gente, a situação é uma mistura de prisão com campo de concentração. As matrizes – que são o papai e a mamãe dos filhotes – são tratados como um saco de babata, eles não veem a luz do sol e muitos acabam cegos, de tanto que se batem nas grades. Eles nunca passeiam, ficam tendo uma cesárea atrás da outra e é uma vida horrorosa. Quando as pessoas compram um filhote hoje, elas já têm essa consciência, já têm essa preocupação.

Temos o exemplo da Petz, que deixou de vender por conta disso, eles tomaram essa consciência que estavam participando de uma história horrível. As pessoas compram, mas já se preocupam com a procedência do filhote. Muita gente está preferindo adotar. Elas nos relatam, dizem que têm um animal comprado, mas o próximo será adotado. É uma fábrica de filhotes. Onde há lucro, não existe bem-estar animal.

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Já em Brumadinho as pessoas tiveram a visão de que cada vida é uma vida, não importa se é um boi, não importa, é uma vida que precisa ser salva. Acredito que sim, neste caso houve uma comoção muito grande em todos os sentidos. Cada dia mais. Ainda há o caso da ursa Rovena, que nós removemos do Piauí para Minas, que hoje leva uma vida boa. Ela está vivendo uma vida digna. E as pessoas verdadeiramente se comovem”.

Foto: Reprodução/Instagram

MA: Como você define o trabalho feito por protetores de animais em diferente partes do Brasil?

LM: “Existem milhares de ONGs no Brasil inteiro e protetoras também, pessoas que assumem por conta própria, sem ajuda nenhuma. São pessoas que têm o mesmo olhar, que acham injusto, um cachorro, um gato estar abandonado ou mesmo um cavalo que está sendo explorado e depois que fica doente é abandonado. Animais indo para matadouro, farra do boi ou vaquejada e outros esportes.

De 15 anos pra cá, desde que comecei com o meu programa em 2002, houve uma mudança muito grande nas pessoas. É insuportável ver o sofrimento dos animais. Antes isto passava despercebido, hoje em dia não passa mais, por muita gente.

Existem ONGs, protetoras que abandonam a própria vida, não saem de casa para ajudar os animais e precisam ser ajudadas, porque ninguém dá conta de muitos animais, ninguém!”

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MA: Como é o trabalho de resgate e atendimento realizado pelo Instituto Luisa Mell?

LM: “Na minha ONG, o Instituto Luisa Mell, o tratamento é comparado a um hospital de primeiro mundo e eu acho que esse é o caminho. A gente sempre fazia os resgates até o número que dava, aí realizamos as feiras, onde são adotados os animais. Também temos uma lojinha, que é de onde vem parte da renda, outra parte vem da população e de empresas.

Agora com esses dois mil animais, graças a Deus, nos ajudam muito. Porém nunca é o suficiente, inclusive paramos de fazer resgates neste momento, pois com dois mil animais não podemos virar acumuladores.

O importante é não ultrapassar a medida do bom senso, pois precisamos dar assistência para esses animais. Agora estamos fazendo feiras com mais frequência, entre duas e três feiras por mês, para ir liberando espaço, para assim que estiver razoável, poder voltar a resgatar.

Tivemos também o nascimento de muitos filhotes, as matrizes estavam grávidas e todos os animais vieram doentes, então, o trabalho foi muito intenso e os custos muito acima de qualquer previsibilidade. Mas mesmo nas dificuldades, eu faria tudo de novo, com uma denúncia esse porte [Canil de Piedade], a gente foi lá e pegou. É isso!”.

Para saber mais sobre adoção e o trabalho realizado por Luisa Mell, não perca a palestra dela no próximo domingo, na Dog Weekend!

Dog Weekend

Programação

Sexta-feira 5 de abril
Das 11h às 21h exposição de fotos, Dog Park e estúdio fotográfico.
18h30 – Mesa redonda: O mercado de pet influencer regional.
19h30 – A socialização dos cães (com demonstração) com Luís Oliveira do Estrelas Animais.

Sábado 6 de abril
Das 11h às 21h exposição de fotos, Dog Park e estúdio fotográfico.
14h – Groomer a tendência pet (com demonstração) com Paulo Ricardo, groomer premiado.
15h30 – As melhores técnicas para fotografar o seu cachorro com Nadalin Fotografias.
17h – Influenciadores e seus pets com Mica Rocha.
18h30 – Quer viajar e não sabe como levar seu cachorro? Com Wendi Caetano da Voe Pets.
19h30 – Catioro Reflexivo – Uma das maiores fanpages do segmento.

Domingo 7 de abril
Das 11h às 21h – exposição de fotos, Dog Park e estúdio fotográfico.
14h – Os cães a serviço da população com a Polícia Civil e Bombeiros (a confirmar).
15h – Tudo sobre a saúde do seu cachorro.
16h – Adoção animal com Luisa Mell.
17h30 – Dicas de alimentação para seu cachorro.
19h – Agility – O esporte para cachorros com a Universicão.

Quer contar uma história com seu pet, sugerir um tema ou publicar a foto de um animal disponível para adoção? Escreva pra gente:animal@tribunadoparana.com.br

Adoção responsável

Foto: Divulgação

Estopinha, esta linda “linguicinha” tem apenas dois meses e porte pequeno. Brincalhona e amorosa, ela está pronta para ser adotada. Para levar esta bebê para fazer parte da sua família, fale com Paty Castro (41) 99571-6983.

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