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Augusto Mafuz

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A última lembrança de Jairo

  • Por Augusto Mafuz

O escritor Jorge Luis Borges escreveu que “quando o fim se aproxima, já não restam imagens da recordação; só restam palavras”. Mas, ao transpor essa ficção para a realidade, o imortal argentino empresta lições da vida: “Não há nada mais forte do que uma imagem para recordar”.

Era o último Atletiba da final de 1972. O Coritiba havia ganhado a primeira parte, gol de Krüger. O Furacão, um timaço, jogava por uma vitória simples. Por já estar esgotado o tempo da prorrogação, era última bola do jogo, não haveria outra.

Então, Nilson Borges cobrou o escanteio, jogando a bola na área dos coxas. Se me lembro bem, foi Alfredo Gottardi que chutou da entrada da área, e o lateral Nilo tirou a bola da risca do gol. Essa bola de rebote caiu com Sérgio Lopes, que bateu para o gol.

E aí aconteceu: o goleiro Jairo, que às vezes, se vestia de santo e fazia milagres, desta vez desviou a bola com os olhos jogando-a poste superior. E, então, ele me olhou, e vendo lágrimas abriu um sorriso, e fez um gesto querendo me consolar. Parece que quis dizer: “Não deu!” Não sabe que até hoje eu choro aquele título perdido.

Jairo, não vou negar, me fez sofrer atrás do gol em Atletibas.

É essa a imagem que eu guardo dele como recordação. Nela, estão resumidas todas as suas virtudes: a do goleiro tecnicamente extraordinário, o profissional exemplar, e o ser humano que parecia carregar toda a dignidade do mundo, que com um olhar e um sorriso, cheios de fraternidade, confortava os oprimidos por uma derrota em Atletiba.

A importância de Jairo para o futebol brasileiro não se encerra na sua qualidade como goleiro. Eis o grande mistério: Jairo foi um dos goleiros históricos do Brasil, não por simplesmente ter qualidade, mas por ter qualidade e ser de cor preta. Era início dos anos 70, e os brasileiros, ainda, usavam o trauma do gol do uruguaio Ghiggia, no “Maracanazo”, de 1950: o goleiro de cor preta era discriminado. Entre o preto e o branco, escalem o branco, era a lei.

E, então, surgiu Jairo, que jogando pelo Coritiba, Corinthians e seleção brasileira, resgatou a dignidade do goleiro de cor preta.

Jairo foi embora.

Não nos dissemos adeus.

Talvez, tenha sido melhor assim.

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