Passados os efeitos do desassossego pela vitória sobre o Fortaleza, na Baixada, os números devolveram a realidade aos atleticanos: em penúltimo lugar, esses números informam que o Athletico terá que ter vitórias contínuas para diminuir o risco de rebaixamento. O verbo diminuir está no sentido de uma opção absoluta, pois, menor ou maior, o risco de queda irá até o final.

Esses números, que são fatos inflexíveis no futebol, já integram o mundo atual dos atleticanos. O que eles perguntam é se o jogo jogado no segundo tempo contra o Fortaleza será a referência para combater o risco?

Quando um time, em um jogo, enfrenta as suas deficiências técnicas e táticas com a superação física e emocional (e foi o que aconteceu), o futuro é uma aposta. É assim porque um time pode correr, marcar, bater e ir além do impossível, mas, em um dado momento o futebol exige jogar bola.

Talvez as coisas se equilibrem a partir da sinceridade do treinador Paulo Autuori. Quando ele afirmou que a exclusão da Copa do Brasil iria render uma inusitada semana cheia de treinamentos, ele estava pregando o bem do Furacão. E, talvez, entenda que se pudesse avançar o calendário sem precisar jogar contra o River, pela Libertadores, seria melhor. Essa semana vale um século.

O ganho financeiro perdido na Copa do Brasil (R$ 3 milhões,) e que pode vir a perder na Libertadores (R$ 6milhoes) será um troco diante dos R$ 150 milhões que deixará de ganhar na hipótese de rebaixamento.

Há lições no futebol de que a influência do treinador já foi capaz de compensar as limitações técnicas. O Athletico está cabeça, nas mãos e na alma de Paulo Autuori, como esteve com Geninho em 2090, quando o Furacão já estava encomendado para a Segundona.

Modismo

O catalão Domenéc Torret veio treinar o Flamengo porque tinha sido assessor de Guardiola. Passados cem dias foi demitido por desmanchar o que Jorge Jesus construiu, e não introduzir nada de Guardiola.

Se Rogério Ceni for um sucesso no Flamengo, é possível que acabe o modismo de trazer o treinador do estrangeiro. Concordo que não é mais possível a retroceder como o Inter, que trouxe Abel. No entanto, a escola de treinadores do futebol brasileiro sempre foi exemplar. Se não ofereceu ao exterior paradigmas, foi em razão de que os clubes, por causa do calendário, sempre foram fechados ao intercâmbio.

À propósito, o próprio Guardiola está concluindo que precisa se reciclar.

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