Não me surpreendi com a brutalidade de Petraglia contra a repórter Luana Kaseker, da Gazeta do Povo. É a sua tática importada dos regimes de exceção: sempre que provocado para enfrentar uma questão que lhe compromete, como é a da dívida do Athletico que pode levar a leilão a Baixada, ele se desvia para o campo pessoal e, com agressões verbais, esgota a discussão. Se naquela plateia da Baixada tinha alguém com coragem, foi Luana.

A questão não pode ser limitada a um incidente eventual. Ela exige a análise do comportamento da imprensa esportiva de Curitiba. E irá se concluir que ela contribui com um substancial pedaço da culpa pelo que acontece.

Há tempos Petraglia despreza a imprensa esportiva de Curitiba. Não foram poucas as vezes que, contra ela, praticou ofensas e processou jornalistas. Não cansa de afirmar que “é a pior imprensa do Brasil, essa da nossa aldeia”.

Ignorando-a, sempre privilegia jornalistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, quando precisa de uma área de escape para explicar um fato, convoca essa mesma imprensa. E essa, cuja maioria é formada por cordeirinhos amedrontados, corre para a Baixada para socorrê-lo.

Mais grave: sem orgulho próprio, os repórteres, escolhidos a dedo, são despreparados para enfrentar o cartola. Foi o que ocorreu: cansada de ver a submissão dos colegas ao discurso oficial, Luana quis quebrar a monotonia com dois temas, atirando no calcanhar de Aquiles de Petraglia: não foi graciosamente que o nome de Bruno Guimarães foi citado. Ocorreu algum fato, daí o sentido da pergunta sobre o jogador de R$ 150 milhões. E o outro tema, a dívida do Athletico com a Fomento, que cresce R$ 5 milhões por mês e já está em R$ 550 milhões.

Se fosse uma imprensa preparada, exigiria a explicação de Petraglia sobre o tema específico: a) Como uma droga do potencial da higenamina, proibida desde 2017, com uso proibido nos Estados Unidos, entrou no CT do Caju? b) Qual o médico que deu a receita tarja preta? c) Em que lugar foi comprada? d) Foi culpa só do nutricionista? e) Thiago Heleno foi testado positivo, em 9 de abril, e Camacho, dia 24 de abril. Durante esses 25 dias, foi usada a droga? f) Bruno Guimarães não aceitou se submeter ao regime nutricional? g) Thiago Heleno que, se sabe, virou um pote de raiva, teria exigido a manifestação pública de Petraglia, declarando-o vítima?

A imprensa desprezada, ignorada, e considerada “a pior do Brasil”, foi lá para ouvir e dar a versão que era a oficial. Petraglia tem as suas razões.