Pelo menos uma em cada 13 mortes que acontecem anualmente nos 15 países membros da União Européia pode ser atribuída ao excesso de peso. A conclusão é de um estudo realizado pelo Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Madrid e publicado este mês no European Journal of Clinical Nutrition.

O estudo foi desenvolvido com o objetivo de avaliar o impacto das doenças relacionadas ao excesso de peso e à obesidade nos índices de mortalidade na União Européia. De acordo com os resultados, todo ano um mínimo de 279.000 europeus adultos morre por causa de problemas relacionados ao excesso de peso, considerado o maior problema de saúde pública da União Européia.

França e Reino Unido – Estima-se que 7,7% das mortes que acontecem hoje nestes 15 países devem-se ao excesso de peso, variando de 5,8% na França a 8,7% no Reino Unido. Em torno de 70% dos óbitos resultaram de problemas cardíacos e 20% de câncer. “São dados muito preocupantes para nós, principalmente se levarmos em conta que no Brasil já temos índices de obesidade semelhantes aos europeus, e com um ritmo de crescimento ainda maior”, afirma o Dr. Walmir Coutinho, Professor de Endocrinologia da PUC-Rio e Coordenador da Força Tarefa Latino-Americana de Obesidade. “Não há dúvidas de que estamos diante de um grave problema de saúde pública que requer medidas urgentes por parte do Governo, dos profissionais de saúde e de toda a sociedade”, continua.

IMC – São consideradas obesas as pessoas que têm o IMC – Índice de Massa Corpórea maior do que 30. Já o excesso de peso ou sobrepeso corresponde ao IMC entre 25 e 29,9. O peso “normal” encontra-se na faixa entre 18,5 e 24,9. Para se calcular o IMC, deve-se dividir o peso (em kg) pela altura (em metro) ao quadrado. Um outro parâmetro importante para se aferir a obesidade é a Circunferência Abdominal, que, medida com uma fita métrica normal, deve ser menor do que 90 centímetros em homens e mulheres.
“Uma cintura com mais de 90 centímetros indica provável risco para a saúde, por acúmulo excessivo de gordura no abdome”, alerta Walmir Coutinho. Mas, segundo ele, não é aquela gordura que costumamos chamar de pneu, e sim a que está oculta dentro do abdome, em torno das vísceras. “Com o tempo, esta gordura pode ser responsável pelo aparecimento de doenças graves como diabetes tipo 2, hipertensão, aterosclerose, derrames e infartos”, explica.

Incidência no Brasil – No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 40% da população adulta está acima do peso. O país ocupa a 6a posição no ranking mundial da obesidade, atrás dos EUA, Alemanha, Reino Unido, Itália e França. O Consenso Latino-Americano sobre Obesidade estima em 80 mil o número de mortes anuais no Brasil em decorrência do excesso de peso.
No último Congresso Internacional de Obesidade, foi apresentado o Estudo Xendos (Xenical in The Prevention of Diabetes in Obese Subjects), que envolveu 3.304 pacientes de diversos países. Realizado ao longo de quatro anos, o estudo mostrou que o medicamento Xenical (orlistat), além de promover a perda de peso quando associado a uma dieta de baixa caloria, também ajuda a prevenir o diabetes tipo 2. Utilizado por mais de 14 milhões de pessoas em cerca de 150 países, Xenical (orlistat) é o único medicamento anti-obesidade aprovado pelo Ministério da Saúde do País para auxiliar no tratamento do diabetes tipo 2.