Especialistas advertem que, na maioria das vezes, o glaucoma não é precedido por sintomas, que só aparecem em estágios avançados.

O ralo da banheira cheio de cabelos. É mais ou menos assim que acontece quando o sistema de drenagem dos nossos olhos fica obstruído. O fluido dos olhos não escoa, gerando grande pressão e provocando danos no nervo ótico, diminuindo a visão e, em muitos casos, levando à cegueira. Este é o cenário do glaucoma, doença ocular que, segundo estimativas da Associação Brasileira dos Portadores de Glaucoma (Abrag), atinge em torno de 900 mil brasileiros, porém, mais da metade deles sequer suspeita que seja portador. Quando percebem que o campo de visão foi afetado, 30 a 40% das fibras nervosas já foram destruídas.

Pense no nervo ótico como um aglomerado de fibras óticas, como os usados nas linhas telefônicas ou TV a cabo. Quando envelhecemos, algumas dessas fibras morrem. Nas pessoas com glaucoma, eles morrem com mais velocidade do que o normal. À medida que perde essas fibras, a pessoa começa a perder partes do campo visual. Se o glaucoma não for tratado, todas as fibras morrem, ocorrendo a cegueira total.

De acordo com o oftalmologista Marco Canto, as pessoas com idade superior a 35 anos, com histórico familiar de glaucoma, que apresentam diabetes, miopia e que fazem uso prolongado de corticóides estão propensas a desenvolver a doença. ?Por ser um mal silencioso, o exame oftalmológico regular é muito importante?, alerta o especialista. O médico salienta que existem dois tipos de glaucoma: crônico simples e aguda. O primeiro não causa sintomas e seu diagnóstico é feito por meio do exame oftalmológico chamado exame de fundo de olho. Já o segundo caso aparece quando há aumento súbito da pressão ocular. ?Nesses pacientes, a dor e a perturbação da visão são grandes?, ressalta.

Sem sintomas

Hoje, graças ao avanço da tecnologia, o glaucoma pode ser diagnosticado precocemente e tratado antes que um número grande de fibras nervosas seja perdido. ?Em última análise, diagnosticando e tratando o glaucoma precocemente, evitamos a progressão para a cegueira?, afirma o oftalmologista Vital Paulino. Para a maioria das pessoas, o tratamento do glaucoma é clínico, podendo-se utilizar colírios e medicamentos orais que atuam na queda da pressão ocular, desde que receitados por um especialista.

Para o oftalmologista Hamilton Moreira, poucas vezes uma doença tão grave sofreu tantas modificações em seu tratamento em tão pouco tempo como o glaucoma. O especialista comenta que a cura do glaucoma ainda não é conhecida, mas que várias pesquisas estão sendo feitas nesse sentido.  ?Hoje em dia, o paciente pode optar por realizar cirurgia a laser ou convencional?, explica o médico, lembrando que o propósito do tratamento é impedir a perda visual e, por outro lado, manter a pressão intra-ocular em níveis baixos. Como o glaucoma se desenvolve sem provocar sintomas, o principal desafio dos especialistas é diagnosticá-lo antes que comprometa a integridade da visão do paciente.