A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta: todos os anos, cerca de 500 mil crianças ficam cegas no mundo. Destas, 70% a 80% morrem durante os primeiros anos de vida, em decorrência de doenças associadas ao seu comprometimento visual. O mais espantoso é que 60% das causas de cegueira e severo comprometimento visual infantil são preveníveis ou tratáveis se diagnosticadas precocemente. Diante desse cenário, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lança no dia 24 de maio, segunda-feira, o projeto Pequenos Olhares, uma visão mais saudável para o futuro.

Oftalmologistas de todo o país estão mobilizados em um mutirão de atendimento às crianças matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental de escolas públicas. A meta do CBO é triar de 100 a 150 mil crianças, o que permitirá realizar cerca de 15 mil atendimentos. O objetivo é desenvolver ações de prevenção, facilitar o acesso ao atendimento oftalmológico e conscientizar sobre a importância dele na infância.

O Projeto

A partir da segunda quinzena de maio os professores das escolas públicas de 180 municípios serão orientados para realizar a triagem das crianças, nas próprias instalações delas. Esse processo acontecerá entre os dias 24 de maio e 11 de junho. Aquelas que apresentarem algum comprometimento da visão serão encaminhadas para o atendimento, que será realizado entre os dias 18 e 19 de junho em clínicas, consultórios ou em postos de saúde. As que apresentarem alguma patologia mais séria serão encaminhadas para um serviço público especializado da região. Para atender a demanda por óculos, a direção do Conselho Brasileiro de Oftalmologia conseguiu o apoio de empresas especializadas que farão a doação.

“Sabemos que não conseguiremos resolver o problema de todos. Mas temos certeza que o pouco é melhor que o nada e pretendemos, com esta ação, chamar a atenção da sociedade para a importância dos pequenos sinais que surgem no dia-a-dia e que podem indicar o comprometimento da visão. Estamos falando, sobretudo, de prevenção”, explica o presidente do CBO, doutor Elisabeto Ribeiro Gonçalves. O médico destaca que, em 2002, o IBGE apontava um número superior a 10 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência visual.

Os oftalmologistas alertam para o fato de que as crianças que já nasceram enxergando mal não conseguem sinalizar o problema. Muitas vezes está na visão ruim a causa do baixo rendimento na escola. É exatamente nesta fase que recebemos uma enorme quantidade de estímulos visuais que precisam ser corretamente interpretados para garantir a aprendizagem. “O diagnóstico precoce é a principal forma de evitar que problemas oftalmológicos evoluam de modo a comprometer a visão de forma definitiva”, destaca Elisabeto.