Se há cinco anos a palavra “proteômica” surgia como uma grande novidade, a evolução rápida da biologia molecular tornou o termo corriqueiro. A ponto de os cientistas terem que dividir a área em três. Enquanto que na análise de expressão se procura identificar as proteínas, na funcional se estudam as funções que as substâncias conhecidas desempenham. A terceira área é a bioinformática, outra palavra que não existia há cinco anos ainda que as ferramentas computacionais aplicadas à biologia não sejam uma novidade recente. “Podemos dizer que as técnicas estão quase todas consolidadas e bem assimiladas. Com certeza, por causa disso, novos problemas científicos estão se abrindo”, afirmou Gilberto Domont, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre os novos problemas estão, por exemplo, a identificação de proteínas envolvidas com o processo de fixação de nitrogênio feito por certos tipos de bactéria na cana-de-açúcar. Ou, ainda, descobrir como operam certas substâncias protéicas que desempenham o papel tóxico no veneno de certas serpentes. “São mundos novos”, disse Domont. Para o pesquisador, fora do ambiente estritamente científico outros conceitos estão igualmente sedimentados. “É claro que os recursos são importantes. Os equipamentos para ser usados na parte metodológica são caros.” E, por isso mesmo, na visão do cientista, não se pode achar que será possível fazer proteômica sem que seja por meio das redes de pesquisa. “Até para dividir, por exemplo, o custo do equipamento, essas colaborações são importantes”, contou.