As proteobactérias parasitas da família Wolbachia atuam diretamente na manipulação do ciclo reprodutivo de seus hospedeiros. Instaladas nas células gonadais de mais de um milhão de espécies de insetos, aranhas e crustáceos, ela costuma disparar uma série de mecanismos para continuar a sobreviver. A única forma de transmissão conhecida é entre as fêmeas e seus descendentes também do sexo feminino.

Para entender como essas manipulações bioquímicas ocorrem em nível celular, um grupo de cientistas do The Institute for Genomic Research (TIGR), dos Estados Unidos, acaba de seqüenciar o genoma do parasita. A atuação da proteobactéria pode ser identificada de várias formas. Ela é ativa, por exemplo, na partenogênese. A prole gerada de uma fêmea infectada pela Wolbachia também contará com a sua presença. A bactéria tem também o poder de transformar machos em fêmeas, de matar os exemplares do sexo masculino e ainda gerar uma incompatibilidade citoplasmática. Fêmeas dos hospedeiros não infectadas, quando acasalam com machos infectados, acabam não gerando descendentes férteis.

Segundo Jonathan Eisen, o principal autor da pesquisa, a composição do genoma recém-publicado é bastante diferente de outros conhecidos de bactérias intracelulares. Segundo o cientista, o estudo específico feito da Wolbachia pipients wMel revelou uma grande quantidade de DNA-lixo (do qual não se conhece bem a função). Os cientistas acreditam que entender o genoma da Wolbachia será muito útil para o desenvolvimento de novas formas de tratamento de doenças como filiariose linfática ou elefantíase. Os pequenos vermes que provocam essas doenças não se reproduzem sem a presença das proteobactérias parasitas.

Outro caminho que poderá ser trilhado no futuro está relacionado com o combate de doenças como a dengue. (Agência Fapesp)