Todo mundo já deve ter passado pela situação de encontrar um pelo encravado na pele e sofrer com aquele incômodo que ele provoca. Ainda assim, quando eles aparecem somente de vez em quando e isoladamente, não causam tanto transtorno e logo são esquecidos. Mas quando surgem com mais frequência e em grande quantidade, caracterizam uma doença de pele que costuma ser um inconveniente estético, assim como representar riscos para a saúde, a foliculite.

A médica dermatologista Lenise Ribas Luz, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Paraná (SBD-PR), explica que a foliculite se caracteriza pela inflamação de um ou mais folículos pilosos (os pelos). “Nos homens, ela mais é comum na barba. Nas mulheres, costuma aparecer principalmente em dois locais: na região posterior da coxa e na virilha. No primeiro caso, isso acontece porque esta é uma área que tem muita relação com o atrito, principalmente em pessoas que usam roupa justa ou trabalham muito tempo sentadas. No segundo, normalmente acontece por excesso de depilação ou de manipulação”.

Ela ainda afirma que existem diferentes níveis de gravidade da foliculite. “Pode ser que ela seja apenas uma inflamação mais leve ou chegue até associada a uma situação de infecção, causada por bactérias da nossa própria pele, como acontece com as espinhas”, comenta. São vários os motivos que levam ao aparecimento da foliculite, mas o principal deles é o tipo de pelo das pessoas. “Quem tem pelos mais encurvados, mais crespos, como as pessoas mais morenas, tem mais tendência a apresentar a inflamação, pois os pelos não conseguem ficar no ângulo de 90 graus e, com isso, se curvam e crescem para dentro da pele”, diz.

A alimentação não tem qualquer relação com o aparecimento da inflamação, assim como a exposição ao sol, que apenas piora a aparência da região atingida, por provocar manchas na área da pele que está com foliculite. “Quem precisa tomar mais cuidado é que tem alguma situação associada que pode causar imunidade baixa, como a diabetes ou a utilização de medicamentos crônicos, pois a imunidade baixa faz com que a pessoa fique mais suscetível a desenvolver a foliculite quando já tem predisposição para isso”, explica Lenise.

Na maioria dos casos, a foliculite é assintomática, incomodando mais pela questão estética mesmo – além do aspecto de acne, ela pode provocar manchas na pele. No entanto, se a lesão for grande, pode causar dor ou coceira, segundo Lenise. “Mesmo em graus mais elevados, a foliculite não representa uma ameaça de morbidade, mas existe um risco maior, real, quando a infecção se torna mais generalizada, atingindo as camadas mais internas da pele”, afirma a médica. É por isso que, para um tratamento mais adequado, antes de tudo, é preciso identificar as causas para que elas sejam atacadas, não as consequências.

De modo geral, a causa está relacionada ao tipo de pelo e à fricção ou manipulação constante. O tratamento, portanto, na maioria das vezes, é feito por meio do combate aos fatores desencadeantes. “É preciso uma mudança de hábitos. A pessoa precisa se preocupar mais com a higienização dos pelos, não cutucar quando inflamar, fazer leves esfoliações, usar sabonetes antissépticos, evitar o reaproveitamento de giletes e também o uso de roupas justas”, avalia a médica.

Em casos mais graves, junto com essa reeducação, pode-se utilizar medicamentos anti-inflamatórios e até antibióticos, quando existe uma infecção bacteriana mais grave e mais extensa. No entanto, uma das melhores formas de eliminar completamente a foliculite é optar pela depilaç&ati,lde;o a laser ou pela fotodepilação. “Esta é uma ótima solução porque quem tem predisposição para apresentar a foliculite trata, melhora, mas no outro ciclo de nascimento do pelo, ela aparece de novo. Com a depilação, o pelo, que é a fonte da inflamação, é eliminado”, comenta.

A fisioterapeuta dermato-funcional da clínica Siluets, Renata Bassani, explica que, neste caso, o melhor mesmo é optar pela fotodepilação. “Tanto uma quanto a outra funcionam como tratamento para a foliculite, mas a fotodepilação tem uma vantagem em relação à depilação a laser, que é o fato de a luz pulsada, usada neste procedimento, ter ação antibactericida e diminuir a oleasidade da pele também”, explica. De acordo com ela, o tratamento completo demora de oito a 12 sessões, mas já na primeira é possível observar um bom resultado, com o enfraquecimento do pelo. Lenise só lembra que nem todo mundo pode se submeter a esse tipo de tratamento. “Em alguns casos, há contraindicações, como em pessoas de pele muito morena ou que tenham doenças de pele associadas, como vitiligo ou psoríase”.