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Final de ano é época para ajudar com boas ações

Cartinhas são recebidas pelos Correios e entregues à população

  • Por Joyce Carvalho, Meia Fina

Sempre vale a pena fazer boas ações, em qualquer época do ano. Mas é no Natal que elas ganham um significado ainda mais especial. Uma iniciativa, mesmo sendo considerada pequena, pode dar conforto para muita gente. Fazer uma boa ação no Natal não significa necessariamente dar um presente ou simplesmente doar uma quantia em dinheiro para alguma entidade. Neste período, uma palavra acolhedora ou um gesto do carinho podem representar muito. Faz a alegria de quem ajuda e de quem é ajudado. Por iniciativa própria ou por meio de alguma instituição, muitas mulheres participam deste verdadeiro movimento do bem. Cada uma, fazendo o que está ao seu alcance, transforma o Natal do próximo.

As cartinhas produzidas pelas crianças e disponibilizadas nos Correios podem ser consideradas como o símbolo de uma ação de Natal que envolve muita gente. A coordenadora de cobrança Flávia Bruni, por exemplo, foi madrinha de três cartas na campanha deste ano dos Correios. “Faz três anos que pego as cartinhas, a partir de uma iniciativa de uma colega de trabalho. Ela seleciona 250 cartas e todos da empresa onde trabalho se reúnem para adotar as cartinhas”, conta.

Flávia se sensibiliza com as mensagens das cartinhas. Desta vez, se deparou com um menino que queria uma bola de futebol para poder jogar em uma Copa do Mundo. Em outra cartinha, uma menina pediu, de Natal, a paz mundial. Para Flávia, as cartinhas dos Correios se tornaram a maneira de fazer o bem nesta época do ano, mesmo não conhecendo a pessoa que será beneficiada com a campanha. “Ajudar é bem prazeroso. A gente devia fazer mais vezes. Na correria, a gente deixa de lado, mas sempre faz no fim do ano”, declara.

Quem está por trás da grande campanha de Natal dos Correios aqui em Curitiba é a Alessandra Hataqueiama Ricardo, coordenadora do comitê da responsabilidade socioambiental da empresa no Paraná. Esta é a terceira campanha em que ela está na organização. Antes, Alessandra atuava como voluntária e adotava as cartinhas. “Existem três fases sobre o Natal. Quando as pessoas acreditam em Papai Noel, quando não acreditam e quando você é o Papai Noel. Hoje, estamos na fase de ser o Papai Noel, mas muitas vezes eu acredito que ele existe. Você vê padrinhos fazendo de tudo para atender a cartinha e não tem ideia da felicidade da criança. Nesta campanha, o presente vem carregado de carinho. Quando a criança abre, recebe muita energia positiva”, avalia. De acordo com ela, 95% das pessoas que adotam as cartas querem fazer o bem nesta época do ano, que comove muita gente.

Ajudar na organização da campanha de Natal dá um enorme trabalho. E, no meio de tanta coisa, Alessandra ainda se surpreende não apenas com os pedidos nas cartas, mas também com as pessoas que adotam as cartinhas. “As pessoas contam com alegria sobre a escolha do presente. Ligam se não conseguiram exatamente o que estava no pedido e querem ver como podem fazer. Vivemos em tanta correria e ainda tem gente que se preocupa. Fico muito feliz em saber que tem muita gente disposta a se doar para o outro”, afirma Alessandra.

No meio dessa correria, enquanto a distribuição dos presentes estava sendo organizada, a coordenadora percebeu que uma caixa de presente caiu e, ao colocar de volta, viu a carta de uma madrinha contando uma história linda sobre o Natal para a afilhada que escolheu nesta campanha. A emoção tomou conta de Alessandra. Não tem como não se emocionar em cada entrega, com a reação de cada criança. “O presente é para a gente. Para mim, tudo isto é o meu presente de fim de ano”, garante.

Uma festa pra todos

Marco André Lima
Em meio a toda a correria do dia a dia, Alessandra ainda encontra tempo para organizer três festas pra comu,nidade do Pequeno Cotolengo.

A emoção também marca o Natal de Alessandra Marquete Kussem, diretora da Escola Pequeno Cotolengo, de ensinos Infantil e Fundamental na modalidade educação especial, que fica dentro da tradicional instituição social. Junto com outras nove pessoas da comunidade, além de professores da escola, Alessandra se esforça muito para organizar tudo para os moradores, voluntários e funcionários. “Para mim, é muito emocionante e realizador. Nem sempre a execução é do jeito que a gente pensou, mas é uma emoção muito grande ver o Papai Noel chegando e ver a reação tanto dos moradores quanto dos filhos dos funcionários”, conta.

A correria para organizar três festas (confraternização dos funcionários e moradores; dos voluntários; e ceia e almoço de Natal dos moradores) para centenas de pessoas é tanta que nem sempre se percebe a relevância de um trabalho como este. Hoje, os moradores ainda vão participar de um dos eventos mais esperados durante todo o ano: a Balada de Natal, que será realizada das 19h às 0h, com DJ e luzes. Se o Natal é uma data importante para muita gente, ela é ainda mais significativa para os moradores do Pequeno Cotolengo e para a própria Alessandra. “Aqui, percebo uma dimensão muito maior sobre tudo isto. Antes, fazia a festa da escola onde eu trabalhava, mas terminava a festa, fechava tudo e pronto. Aqui, não conseguimos desligar. Antes de trabalhar no Pequeno Cotolengo, eu participava das árvores solidárias, quando pegava cartinhas de orfanatos, por exemplo. Mas aqui tem uma outra dimensão”, explica.

Alessandra conta que a percepção do Natal pelos moradores do Pequeno Cotolengo é muito singela, dentro da pureza do Natal e de ajudar o próximo. Para ela, a mensagem que pode ser deixada neste Natal é a de superação das diferenças. “As diferenças que temos enquanto seres humanos são as singularidades. Acredito que a diferença é o que nos une”, opina. (JC)

Um ano inteiro de boas ações

Marco André Lima
No Lar Fabiano de Cristo, o pinheiro tem cartas com intenções natalinas, como mostra Rosângela.

A celebração de Natal, realizada na semana passada, encerrou as atividades em 2013 do Lar Fabiano de Cristo. No entanto, na instituição – que possui unidades no Bairro Alto e no Jardim Acrópole, no Cajuru, em Curitiba -, o Natal acontece o ano inteiro. Rosângela Aguirre de Castro, coordenadora e gestora social da entidade, comanda uma enorme equipe que ajuda 188 famílias a romperem a linha da pobreza. Graças ao empenho de Rosângela, de todos os funcionários e voluntários, estas pessoas podem celebrar o Natal vislumbrando uma mudança de vida e traçando o próprio futuro.

“São famílias de extrema pobreza, de uma parcela dentro de uma maior vulnerabilidade social. Trabalhamos com a promoção integral da família, em um trabalho de planejamento de qualidade de vida, que dura cinco anos. Elencamos metas para esta melhora de vida, atendendo todos os integrantes da família, cada um conforme a sua necessidade”, esclarece Rosângela. São feitas ações para estimular a geração de renda, a inserção no mercado de trabalho e o resgate da autoestima, além de um centro de convivência para crianças acima dos seis anos.

Segundo a coordenadora, as famílias atendidas rompem a cadeia da miséria, transformando-se em agentes das próprias histórias. Existe melhor presente de Natal do que este? “Cerca de 40% faz famílias rompem esta cadeia da miséria. Os filhos não repetem a mesma história que seus familiares tiveram”, ressalta. Na celebração do Natal na instituição, além de uma apresentação das crianças com as mães, as famílias participam de um encontro “com o significado da vivência do Natal”, de acordo com Rosângela.

“Nos pinheirinhos mont,ados, não há enfeites. Eles foram enfeitados com cartas. Em vez de pedir, as crianças doam intenções natalinas, expressas nestas cartinhas. São intenções de solidariedade, de perdão, humildade… Cada criança fez esta carta de intenção, que sempre nos surpreende”, afirma. Para Rosângela, Natal significa uma oportunidade de revisar e vivenciar valores, se tornando também um momento de doação. “Não precisa ser material, mas a doação de si mesmo, de um gesto, de uma palavra”, ensina.

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