Não há como negar, é aos 30 que a maturidade bate a porta. Foi-se a infância, a adolescência, os 20 e poucos anos. Agora as cobranças aumentam e com elas aparecem um turbilhão de questionamentos. Será que estou fazendo o que gosto? Será que vou casar? Será que vou ter filhos? Será que estou ficando velha? Será que eu estou no caminho certo?

Esse balanço pode ser útil e saudável. Afinal de contas precisamos fazer uma avaliação para poder escolher novos rumos e equilibrar melhor nossa vida pessoal e profissional. Mas se for exagerado também pode ser um sinal de alerta. A psicóloga e sexóloga paulista Mara Pusch explica que as mulheres são as maiores vítimas da crise dos 30 e precisam ter cuidado para não se tornarem reféns da própria ansiedade. “Elas querem ser bem sucedidas, ter um relacionamento estável, algumas querem casar, ter filhos e não sabem em que ordem devem priorizar os desejos.”

A sexóloga também acredita que hoje em dia a crise chega com mais força, tudo por causa da quantidade de atividades que nos acostumamos a acumular. “Quando elas foram pedir igualdade de trabalho, elas pensaram que substituiriam funções, e o que na verdade ocorreu foi uma sobreposição de funções: ela trabalha, é dona de casa, é mãe, é esposa, é amante, é profissional, quer ter o corpo magro e malhado, enfim é muita coisa para uma pessoa só. E toda esta cobrança irá gerar desconforto e insatisfação.”

Para evitar que a rotina se torne uma armadilha, a mudança precisa começar na forma de pensar. Entender que somos questionadoras por natureza e que provavelmente sempre estaremos insatisfeitas com algo na vida pode ser um caminho. O outro é não deixar que o aparecimento das inevitáveis ruguinhas seja encarado como o prenúncio do fim do mundo. “Nossas marcas contam a nossa história e querer negá-las é como negar nosso passado. Maturidade é encarar todo esse processo com naturalidade, porque é natural. Sobrenatural é fingir que não está acontecendo e se tornar vítima da indústria da juventude eterna.”

E se existe uma fórmula para ultrapassar esta fase com tranqüilidade, Mara cita cinco atitudes que podem ser colocadas em prática agora mesmo:
1) controle a ansiedade e o perfeccionismo. Lembre-se: ninguém consegue ser perfeito, portanto os erros fazem parte do aprendizado
2) pense positivo. Esta é a grande chave para a felicidade, por isso foque no lado bom das situações
3) pratique uma atividade física. Ela melhora o humor e faz o corpo sair da mesmice.
4) tenha boas noites de sono. Dormir é tão importante como comer e beber para repor as energias. Além do mais, os sonhos ajudam a elaborar o seu mundo interno.
5) trabalhe com prazer. Fazer o que gosta é essencial para a sua felicidade. Por isso, corra atrás deste objetivo.