Exatamente dois meses depois de protagonizar um de seus piores momentos na história, ao fazer, já rebaixado, a melancólica despedida do Campeonato Paranaense de 1967, empatando no dia 18 de novembro em um gol contra o Água Verde, que viria a ser campeão da temporada, o Atlético entrou em campo no dia 17 de janeiro de 1968 com um time que de cara encantou a torcida. Era quarta-feira à noite, no estádio Durival de Brito e Silva, amistoso internacional contra a Seleção da Romênia. O resultado foi o mesmo. Empate em um gol. Mas o time era um espetáculo aos olhos da torcida. Vestiam as jaquetas rubro-negras nada menos que cinco ídolos do futebol brasileiro de todos os tempos: Djalma Santos, Belini, Zito, Dorval e Pepe, anunciados pela Tribuna como ‘os cinco homens de ouro’.

O goleiro Gilmar estava cotado jogar a partida e não entrou em campo porque não se recuperou a tempo de uma contusão na costela. Outro anunciado e que não jogou foi o ponta-esquerda Zagallo. A Romênia vinha de derrota para o Grêmio de Maringá no domingo anterior no estádio Willie Davids, tarde chuvosa. Em Curitiba na quarta-feira o campo também estava pesado o que prejudicava principalmente Zito e Pepe que já eram veteranos e não estavam nas melhores condições físicas. No segundo tempo, Zito saiu para entrada de Reinaldo e Pepe deixou o lugar para Nilson, que viria a ser contratado pelo Atlético. O Rubro-Negro dirigido pelo técnico Lanzoninho jogou com Barbosa; Djalma Santos, Belini, Tito e Amauri; Jair Henrique (Alfredo) e Zito (Reinaldo); Dorval, Ivair (Polaco), Waldir Galli e Pepe (Nilson). O juiz foi Wander Moreira.

A partida teve lances sensacionais como um chute de Djalma Santos que quase pegou o goleiro Coman de surpresa. O gol romeno também foi espetaculoso, marcado por Ionesco aos 60 segundos de partida. Dorval empatou aos 24 minutos do segundo tempo, depois de roubar a bola do zagueiro Dan, driblar o goleiro Coman e chutar para os fundos das redes. Esta partida mostrou a intenção de Jofre Soares de montar um time que além de forte tecnicamente, despertasse a atenção do torcedor que andava meio desapontado com a campanha do time no ano anterior. Lanzoninho começava ali a montar o esquadrão de 1968, que teria entre outras atrações, o meia-direita Zé Roberto, que seria emprestado pelo São Paulo. Esta foi a primeira partida com a camisa do Atlético Paranaense da dupla de defesa campeã mundial de 1958, Djalma Santos e Belini, que viriam a fazer muitos outros jogos pelo rubro-negro, como contratados em definitivo. Enquanto Belini já viria para Curitiba nas semanas seguintes, Djalma ainda esperou contrato com o Palmeiras terminar para se mudar para o Paraná, onde encerrou a carreira.

“Zito e Pepe jogaram como convidados. Mas os outros ficaram. Aquele foi o primeiro time de grandes craques que o Atlético trouxe para se reforçar na temporada de 1968”, diz Amauri. O importante agora era que o Atlético orgulhava o torcedor e até os jogadores que conviviam com as ‘celebridades’. Era um novo time orquestrado pelo ex-presidente Jofre Cabral que assumiu o clube em dezembro do ano anterior, colocou o time na primeira divisão sem disputar a segunda e morreu alguns meses depois de montar um time fantástico.